Calíope Narrando Mano, eu nunca corri tanto na minha vida. Saí com a mochila pendurada num ombro, o telefone tremendo na mão, e minhas pernas pareciam que iam desmontar a qualquer momento. O coração batendo descompassado, parecia que ia rasgar meu peito. A faculdade ficou pra trás e eu só conseguia pensar numa coisa: fugir. Meus dedos tremiam tanto que eu não conseguia nem desbloquear o celular direito pra chamar o Betinho. — Vai, vai, caralho... — eu murmurava, quase chorando. Foi quando escutei. — CAROLINA! — a voz do velho João cortou o ar feito navalha. A mesma voz asquerosa que me fez enjoar aquela noite. Aquela p***a de noite em que ele tentou arrancar minha roupa, como se fosse dono de mim. Um lixo de homem que dizia que era amigo dos meus pais, que cuidava de mim desde pequen

