Vivian
Para em frente a casa do meu avô, conhecida pelo resto do mundo como mansão Hills, e suspiro ao reconhecer todos os carros que estão parados em frente a casa.
Droga, o objetivo aqui era chegar cedo, antes que os demais convidados chegassem para que eu tivesse um tempo para conseguir uma certa vantagem.
É, aparentemente não fui só eu quem pensou assim e a minha tão esperada vantagem fica para uma próxima oportunidade.
Olho entre os carros esperando encontrar o de Victor, o meu irmão, mas não o encontro em lugar algum.
Deixando uma praga sair entre os meus lábios pego o meu celular para ligar para ele.
Ele atende no segundo toque.
— Onde você está, Vic? — eu questiono-o de primeira, não dando tempo nem mesmo para que ele fale algum tipo de saudação.
— Em casa. — ele responde como se não houvesse importância alguma.
— Mas que porcaria, Victor, você deveria estar aqui. Deveríamos ser uma frente unida. — reclamo.
— Sinceramente, Vivi, por mais que eu ame você, estou com zero saco para as besteiras do Fiorini hoje, então, não, sinto muito, mas não vou gastar o meu único dia de folga aguentando o folgado do Matteo se gabando de como as coisas estão maravilhosas na vida dele.
Estremeço quando o meu irmão cito o nome daquele que não deve ser nomeado.
— Primeiro, nós não falamos o nome dele. — falo enquanto fito o meu reflexo pelo espelho retrovisor — Em segundo lugar, sinceramente, Vic, você não pode me deixar para enfrentar sozinha os leões.
— Vovô estará aí. — ele fala.
Reviro os olhos.
— Como se vovô se importasse com algo. O inominável é o neto favorito dele e nem mesmo é neto dele de verdade. Vovô não conta e você sabe disso.
— Mamãe estará aí. — ele fala, tentando por uma segunda vez. Dessa vez eu deixo escapar uma gargalhada.
— Por Deus, Vic, como se mamãe tivesse energia para fazer algo além de babar em cima do seu nome menino brinquedo. — reclamo e Vic não consegue nem mesmo contra-argumentar.
Depois da morte de papai mamãe tem gastado o seu tempo fazendo cirurgias plásticas e iniciando relacionamentos que meninos que m*l saíram das fraldas. De verdade, ela se supera cada vez que a vejo, me apresentando um namorado ainda mais jovem que o anterior. É tão ridículo que eu tenho vinte e cinco anos e Victor tem vinte e nove anos e o novo namorado de mamãe tem dezoito. Vovô diz que essa é a forma dela enfrentar o luto, mas francamente, já se passaram dez anos, ela já teve tempo mais que suficiente para superar.
— Eu o odeio, Vivi. — Victor fala quando ele esgota a sua capacidade argumentativa.
— Eu sei, Vic e eu o odeio ainda mais do que você odeia, mas nós prometemos que estaríamos aqui para apoiar um ao outro independente do que e eu realmente preciso de você agora. Não sei se eu consigo passar esse almoço sem gastar o meu réu primário.
Victor solta um suspiro que mais se parece um gemido de dor.
— Eu chego aí em vinte minutos. — ele fala do outro lado da linha.
— Chegue em quinze. — digo com um tom de voz excessivamente meloso — Amo você, irmão.
Victor apenas resmunga e desliga o telefone.
Nossa família, os Hills, é extremamente rica e ao crescer eu e Victor tivemos tudo o que queríamos, exceto uma coisa: nos ver livre da família Fiorini. Vovô e o senhor Fiorini se tornaram amigos na escola e ambas as fortunas nasceram juntas, uma vez que eles são conhecidos como parceiros de negócios. A coisa é tão unida que em alguns momentos nós nem mesmo sabemos onde termina a nossa fortuna para começar a fortuna dos Fiorini.
Por isso, dada a amizade dos seniores das duas famílias, nós tivemos que conviver muito, para o meu imenso desprazer. Não houve um natal, uma páscoa ou um aniversário que não compartilhamos festas e comemorações. Mas veja bem, não teria problema algum em conviver com os Fiorini's, até considero alguns deles extremamente agradáveis, mas tudo seria melhor se ele, o inominável não fizesse parte da família.
Alguém bate no vidro da janela do meu carro me assustando. Olho para o lado apenas para encontrar ele com os seus enormes olhos verdes.
Claro que sim.
— Não me diga que você está se escondendo aí, pequena Hills. — ele fala com o seu tom de voz rouco e o seu sorriso característico.
E isso já é o suficiente para me sentir vontade de acertar um soco naquele nariz perfeito dele.
Matteo Fiorini tem feito de tudo para estragar a minha existência desde sempre. No meu aniversário de três anos ele assoprou a vela no meu lugar, no de quatro anos ele derrubou o bolo, no de cinco ele causou uma inundação na casa de festa, no de sete foi um incêndio...
Mas ele não se resumiu apenas a destruir os meus aniversários, ele esteve lá durante toda a minha vida colocando o pé para me fazer tropeçar, me empurrando, cortando o meu cabelo e estragando todos os meus encontros e momentos que deveriam ser memoráveis. Bem, ele os tornou memoráveis, mas da maneira errada.
Mas não satisfeito em estragar a minha vida ele começou a se dedicar para estragar a do meu irmão e enquanto eu sou bastante benevolente quando se trata de mim eu não aceito bem que mexam com o meu irmão.
Abro a porta do carro com violência quase o acertando e lamento extremamente por ele ter desviado no último minuto.
— Por Deus, Vivian, são onze horas da manhã e você já está irritada. — ele fala alcançando o meu ritmo de caminhada com facilidade — Isso não pode ser saudável, abelhinha.
Paro de andar na hora e me viro para ele.
— Se você quer manter o seu nariz tão reto quanto ele está nesse momento eu sugiro que você não me chame novamente de abelhinha. — digo.
No halloween, quando eu tinha dez anos, eu me vesti de abelha e então Matteo teve a brilhante ideia de virar um pote de mel na minha cabeça. Infelizmente eu atrair todo o tipo de inseto e digamos que a noite não terminou muito bem, como é comum quando o dito cujo está envolvido.
— Por que? Cai tão bem em você. — ele responde com um sorriso fingindo inocência.
Moo os meus dentes e volto a andar.
Conheço Matteo bem o suficiente para saber que o que ele está procurando é exatamente uma reação minha.
— Vivian, querida, você deveria t*****r. Um bom o*****o geralmente ajuda a tirar toda a frustração. — ele fala me alcançando novamente e eu me vejo obrigada a parar novamente.
Ao notar que eu parei ele abre novamente um enorme sorriso e eu sinto vontade de socar ele novamente só porque o filho da p**a é bonito para um c*****o.
Quem não conhece o verdadeiro Matteo Fiorini pode se deixar levar pelo seu cabelo preto cortado baixo dos lados e alto em cima, pelo seu nariz reto, olhos verdes e um pacote de oito no abdómen.
Mas quem realmente o conhece não se deixa levar pela aparência, Matteo é realmente o d***o (o que teoricamente justifica a sua boa aparência, uma vez que o d***o é reconhecido por sua enorme beleza).
— a sua preocupação com a minha vida s****l é preocupante, Satanás. — digo.
Ele leva as mãos teatralmente ao peito.
— Vivian, a forma como você deixa claro o seu amor por mim é louvável. — ele fala.
É a minha vez de dá um sorrisinho afetado.
— Apenas nos seus sonhos eu sinto algo por você além de raiva, Matteo. — digo.
— Nah, na verdade nos meus sonhos você está ajoelhada em minha frente com o meu...
— Não termine a frase ou eu irei chutar as suas bolas. — digo, o interrompendo.
Ele abre um sorriso enorme.
— Vivi, sua malandrinha, eu ia dizer com o meu terço nas mãos enquanto nós dois louvamos ao Senhor. — ele fala e eu preciso respirar fundo para não começar a ter um ataque — O que você pensou sua mente poluída? — ele arregala os olhos e tenta levar uma de suas mãos ao meu cabelo, mas eu o afasto com um t**a — Não me diga que você tem pensamentos sexuais de nós dois?! — ele fala.
— Os únicos pensamentos que eu tenho que nós dois aparecemos juntos são aqueles nos quais eu apareço assassinando você.
— Adoro o jeito que você é violenta só para mim. — ele fala.
— Por favor, não me diga que vocês dois já estão brigando? — Milla, a irmãzinha de vinte anos de Matteo fala, interrompendo a nossa troca ao aparecer no jardim.
— Você apareceu no exato momento em que eu ia dizer a Vivian que não importa o quanto ela insista, isso — ele aponta de mim para ele — nunca estará acontecendo.
Milla sufoca uma risadinha.
— Apenas o mantenha bem longe de mim se você ainda quiser ter um irmão mais velho. — digo.
— Francamente, seria um favor. Menos uma pessoa para dividir a herança. — Milla fala brincando, ganhando um t**a na cabeça de leve de Matteo.
Aproveito o momento para me afastar de Matteo e respirar em paz.
Milla é uma boa garota e foge totalmente da minha imaginação como um mesmo homem e uma mesma mulher puderam dar à luz a duas pessoas tão diferentes. Enquanto Matteo é o d***o com a sua sensualidade e beleza exagerada, Milla é um anjo com a sua fala tranquila e traços angelicais.
— O seu irmão vem? — Milla pergunta e só então eu percebo que eles estão novamente ao meu lado.
Pra que infernos eu fui estacionar o meu carro tão longe da entrada.
— Ele está chegando. — falo.
— Ótimo, os nossos avós se recusam a começar antes que todos estejam aqui e eu não sei se aguento muito mais tempo da sua mãe se esfregando no novo namorado. Sem ofensas. — ela se apressa em completar.
— Não ofendeu. — digo, entre dentes.
— Vivian, você não acha curioso o fato de que a sua mãe, com o dobro da sua idade, tem mais facilidade de conseguir um namorado que você?
Milla reclama o irmão, dando um t**a em seu braço, o repreendendo.
— Novamente, Matteo, não preciso que você se preocupe com a minha vida s****l, ela vai muito bem, obrigada. — falo — E, de qualquer forma você é o único que precisa se preocupar uma vez que está próximo a fazer trinta anos e não possuí um relacionamento sério. — eu o alfineto.
— Tsc. — ele fala ignorando totalmente a minha farpa — Eu só estou preocupado porque nunca vi mais você com ninguém depois daquele seu ex com quem a sua mãe transou enquanto ele ainda era o seu namorado. — Milla solta um arquejo e eu sei que ela está envergonhada pelo irmão ter trazido isso a tona — Como era mesmo o nome dele?
Respiro fundo para evitar ter alguma reação, que é o que Matteo está esperando aqui.
— O nome dele é Damien e eu já tinha terminado com ele quando eles dois dormiram juntos. Sinceramente, Matteo, eu estou começando a ficar preocupado com você. A sua preocupação exagerada com a minha vida está me fazendo acreditar que você não tem tido uma vida própria nos últimos dias.
Matteo abre a boca para responder, mas antes que ele possa falar algo o meu irmão surge como o homem incrível que ele é e se coloca entre nós dois, dando totalmente as costas a Matteo.
— Estou aqui, espero que não tenha perdido nada interessante. — ele fala.
Sorrio para Victor.
— Não, nada. — respondo.
Então Victor entrelaça o seu braço no meu.
— Olá, Milla. — Victor fala, cumpriemntando Milla e ignorando completamente Matteo parado ao lado da irmã.
Milla sorri em resposta.
Só então o meu irmão olha para Matteo.
— Vá se fuder, Fiorini. — Victor diz e então sai, me puxando para dentro da casa do nosso avô.
Dessa vez Matteo se mantém alguns passos para trás.