Surpresa

1823 Words
Vivian 1 semana depois — Isso é uma loucura, Vivi. — Victor fala enquanto me lança um olhar julgador de seu lugar sentado na minha cama enquanto eu luto para fechar a última das minhas malas. — Eu não entendo o porquê de você ser tão contrário a ideia. — digo — Você não acredita na minha capacidade de superar o i****a do Fiorini? — questiono. Já faz uma semana desde que o meu avô lançou sobre nós a bomba sobre a sua aposentaria e sobre a competição estúpida e desde então Victor tem utilizado todas as oportunidades possíveis para tentar fazer com que eu mudasse de ideia. Ele me ligou, me mandou email, mensagens e apareceu na minha casa mais vezes do que de costume apenas com o objetivo de me fazer desistir. No início eu estava apenas ignorando tudo, mas agora eu estou começando a me sentir irritada com a desconfiança dele em minhas habilidades. — Claro que não, Vivian. Você é muito melhor que ele em tudo. — Victor fala vindo até mim de forma tranquilizadora — Na verdade, essa é realmente a minha questão, você é melhor que ele, m***a, na verdade, você é melhor que todos nós. Você é brilhante, facilmente a pessoa mais inteligente que eu conheço e você está muito acima dessa situação toda. Se as pessoas não reconhecem o seu talento o suficiente para saber que aquela cadeira deveria ser sua, o que você deveria fazer era se afastar de toda essa besteira de herança familiar e ir construir o seu próprio caminho. Veja, funcionou muito bem para mim e eu não tenho nem metade do talento que você. — ele fala olhando diretamente para os meus olhos. Suspiro e me afasto do meu irmão. — E o que você sugere, Vic? Que eu simplesmente desista e deixe ele vencer? Permita que todo o legado da nossa família fique nas mãos do i****a do Matteo? — Você sabe que eu o odeio também, não é? — ele fala. E eu sei que é verdade. O meu irmão sempre foi distante de Matteo devido a toda a perseguição que ele colocava em minha direção, mas qualquer chance de relação entre eles dois acabou quando Matteo desenterrou alguns erros que o meu irmão tinha cometido no momento em que começou a trabalhar na empresa da família. Eram erros comuns de novatos, mas Matteo usou isso como desculpa para convencer os nossos avós a rebaixar Victor, sob a justificativa de que ele não estava pronto ainda, e assumiu o cargo na diretoria que era anterior do meu irmão. Foi uma briga h******l, o meu irmão se sentiu traído por não receber o apoio do meu avô e rompeu de vez com os negócios da nossa família, dando origem a sua própria empresa. Porém, ainda não satisfeito com os seus feitos, Matteo simplesmente começou a ter um caso com a noiva do meu irmão, Evelyn. Quando o meu irmão pegou os dois em flagrante no apartamento dela ele sentiu que era a gota d'agua. O meu irmão levou um longo período em um sofrimento profundo, depois de perder o seu emprego, a sua família e a mulher que ele amava e tudo isso para o i****a do Matteo, que terminou com Evelyn um mês depois e começou a ser visto com uma modelo nos tabloides. — Eu irei vencê-lo, Vic. — digo com convicção — Irei derrotar ele em seu próprio jogo e vingarei a nós dois. — Não, sei, Vivi. Você estará convivendo com aquele filho de uma p**a por três meses, longe de todos nós. — ele diz — Ele não é conhecido por jogar limpo e eu tenho medo de até onde ele pode abaixar o nível apenas para derrotar você. Sinto o gosto amargo por cada palavra que sai da boca do meu irmão. — Victor, eu achei que você me conhecia melhor que isso. — digo, irritada — Eu estou acima de qualquer jogo deturpado que Matteo jogue em mim. — Sim, Vivi, mas ele sabe ser bem charmoso quando ele quer. — ele continua insistindo. — Ora, para o nosso bem eu vou fingir que você não acabou de sugerir o que você sugeriu. — digo. — Não seria a primeira vez que vocês dois acabariam juntos. — ele fala de forma acusatória. Sinto que o meu coração quebra um pouquinho por meu irmão trazer essa história a tona novamente. — Eu era uma adolescente e estava vendada. Eu não tinha ideia de quem era a pessoa comigo naquele armário e eu só fui descobrir que era ele meses depois. — digo. Na festa de dezesseis anos de uma amiga nós jogamos um jogo e******o onde os meninos foram para um quarto e as meninas para outro e sorteávamos números. O casal que pegassem o mesmo número teriam que ir para o armário por cinco minutos de amassos. Eu não tinha ideia do cara que tinha sorteado, mas eu estava no clima da brincadeira e acabei o beijando. Para minha total desgraça descobrir depois que o cara que estava no armário comigo não era ninguém mais ninguém menos do que Matteo. — Como se isso tornasse a história melhor. — o meu irmão fala com um pouquinho de veneno na voz. — De qualquer forma, Vic, eu sou uma mulher adulta e não preciso da sua permissão. — digo. Ele levanta e passa às mãos pelo cabelo em frustração. — Eu sei. É que não importa quanto tempo passe você sempre vai ser a minha irmãzinha e eu irei me preocupar com você. — ele diz e eu amoleço. Quando o meu pai morreu eu tinha treze anos e eu era totalmente a garotinha do papai. Quando ele morreu eu perdi o meu chão e a minha mãe obviamente não serviu de apoio para nada, só focando em si própria. Então Vic foi obrigado a crescer e assumir esse papel para mim porque eu não tinha mais ninguém. Desde então ele fez de seu trabalho integral se preocupar comigo. Eu sou muito grata a ele por tudo, mas de verdade, eu preciso que ele se afaste agora e me dê um pouco de espaço para que eu possa alçar os meus próprios voos. Eu estou preparada para isso. — Eu ficarei bem, Vic. Prometo ligar sempre para você. — digo — E, de qualquer forma, Matteo e eu recebemos empresas diferentes e com todo o território da cidade entre nós duvido muito que nos encontremos uma única vez. — Assim espero. Eu assistir aquele palhaço destruir todas as coisas da minha vida se ele só sonhar em tocar em você eu... — Ei — falo o interrompendo — Não se preocupe com isso, ok? Ficarei bem. Vic sorri e acena. — Ok — falo me afastando dele — Hora de colocar o pé na estrada. — falo. Eu decidi enfrentar a viagem de dez horas até a cidade de fim de mundo, Rondon Fall, que foi escolhida para o nosso desafio. Dirigir me possibilitaria ter o meu amado carrinho comigo nesses noventas dias, o que seria muito mais confortável para mim. — Eu gostaria de poder te acompanhar. — Vic lamenta. — Está tudo bem, você tem uma empresa pra cuidar, afinal de contas. O meu irmão me ajuda a colocar todas as minhas malas no meu carro e me dá um longo abraço de despedida. No momento em que eu ligo o carro o meu celular vibra com uma mensagem do meu avô com um simples "Boa sorte, minha querida!". Nem "estou torcendo por você" ou "eu sei que você vai ganhar". Não, ele apenas me desejou sorte porque acha que eu irei precisar. Bom, melhor que ele vá desejar sorte ao protegido dele porque ele nem conseguirá ver o que o atingiu. Com esse último pensamento dou partida no carro e início a minha viagem. .... x ....x ....x .... Já é quase onze horas quando eu finalmente chego em Rondon Fall. Aparentemente foram necessárias muito mais paradas do que eu tinha planejado inicialmente. O resultado é que eu estou cansada, dolorida, com sono e com fome. Deus, todos os meus músculos estão doendo nesse momento. Está muito escuro e eu estou muito cansada para avaliar a cidade agora, mas o pouco que eu vi não é muito animador. Mesmo sendo tarde da noite a cidade parece morta para mim, muito diferente da cidade onde eu cresci e moro, que independente da hora sempre está cheia de vida. Recebi o endereço e as chaves da casa que o meu avô comprou para que eu me hospedasse no período em que eu ficarei aqui e sigo direto para ela. A fome é algo administrável mas a minha necessidade de banho e de uma cama quente não. Paro o meu carro na frente da casa e pego apenas a minha mala pequena, deixando para descarregar o restante amanhã, quando for claro. A cidade parece com a propriedade que nós temos no campo, só que numa versão muito, muito menor. É fofa, mas não é algo que eu vejo o meu avô comprando. Mas, de uma forma geral, não sou uma mulher muito exigente, então isso será suficiente para mim. Abro a porta e entro. Esperava encontrar apenas escuridão, mas tem alguma luz acesa no corredor. Não me preocupo muito com isso em um primeiro momento, acreditando que alguém deve ter deixado a luz acesa quando veio fazer a manutenção da casa. Porém, começo a ouvir um barulho que se parece muito com passos e começo a me sentir assustada. Olho ao redor em busca de uma arma, mas não encontro nada então pego a minha bolsa e decido ir o mais silenciosamente possível até a origem do barulho para ver se realmente temos um intruso. É a decisão mais estúpida que eu poderia tomar, mas a verdade é que eu estou cansada demais para pensar logicamente. Dou passos na ponta dos pés até o corredor tentando ser furtiva, porém no momento em que eu chego no corredor eu atinjo algo solido. Não algo. Alguém, Um alguém que é rápido para me firmar e impedir que eu caia no chão. Dou um grito longo e pulo, me afastando do intruso. Do intruso que infelizmente não é um desconhecido. Simplesmente Matteo Fiorini está parado em minha frente vestindo nada além do que uma toalha enquanto olha para mim tão confuso quanto eu tenho certeza que estou o olhando nesse momento. — Mas que diabos, Matteo?! Qual a p***a do seu problema? O que você está fazendo em minha casa? — questiono de forma histérica. Mas se eu pensava que a situação não podia piorar eu estava redondamente enganada. Como se estivesse sendo movida por forças sobrenaturais a toalha que Matteo está usando cai de sua cintura. Oh, meu Deus! Não olhe para baixo, não olhe para baixo, NÃO OLHE PARA BAIXO. Eu olho para baixo..
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