Dívidas

2116 Words
Matteo Depois de ser obrigado a passar por uma noite extremamente desconfortável devido ao quarto que eu fui obrigado a me mudar que não possuía nenhum tipo de conforto além de ser tão quente que eu pensei que tinha finalmente sido julgado pelos meus pecados e condenado ao inferno, eu me afoguei em uma rotina intensa de trabalho. Foi justamente quando eu comecei a receber os livros caixas da empresa pela qual eu fiquei responsável que eu realmente me dei conta do problema que eu teria em mãos e se a ausência de Vivian serve para alguma coisa acredito que ela esteja passando por algo bem próximo disso. E por falar sobre a maldita sorrateira, eu não a tenho visto desde o seu pequeno número com o rato, os nossos horários parecem não bater nunca e sempre um de nós dois estamos chagando tarde demais ou saindo mais cedo ainda. Se não fosse pelos seus produtos de higiene espalhados pelo banheiro (sim, nós estamos dividindo apenas um banheiro) eu diria totalmente que ela conseguiu outro lugar e me deixado chafurdar na miséria sozinho. — Senhor, tem alguém aqui para vê-lo. — a minha secretária, que é ninguém mais ninguém menos do Celly, a minha vizinha muito abelhuda que adora tomar parte do que eu Vivian fazemos me interrompe, fazendo com que eu tire a atenção dos papéis que estou olhando enquanto tento pensar de onde tirarei tanto dinheiro para quitar as minhas contas. — Eu disse que não preciso ser anunciada, Celly. — Vivian fala, contornando Celly e entrando na minha sala, como se ela fosse a maldita dona do lugar. Esse é o problema de Vivian, ela tende a se apossar de tudo o que ela coloca os olhos — Você pode sair. — Vivian fala, dispensando Celly e vindo até a mesa, pegando um dos papéis em suas mãos. Eu me apresso para tomar o papel das mãos dela. De forma alguma eu estarei dando alguma vantagem a essa mulher. — Isso parece r**m. — ela fala, olhando para a pilha enorme de papéis que eu tento juntar freneticamente para tirar do campo de visão dela. — O que você quer, Vivian? Já está tão desesperada ao ponto de vir até aqui tentar roubar os meus dados? — digo. — Não preciso disso para vencer. — ela diz, mas as olheiras que ela está ostentando agora parecem me mostrar uma história totalmente diferente. Ao que parece ela tem dormido tão pouco quanto eu — Na verdade, estou aqui para uma visita profissional. Tenho algo para você, na verdade. Ergo uma sobrancelha tentando analisar onde essa situação toda irá parar, mas Vivian apenas começa a mexer na sua bolsa como se não houvesse nenhum problema mais na sua vida. — Veja, eu estive olhando os livros caixas da minha empresa quando encontrei algo extremamente interessante. — ela fala quando finalmente parece encontrar o que estava procurando — Veja, acredito que isso pertença a você. Quando tomo os papeis das mãos dela sinto que a minha dor de cabeça só vai aumentar. Ao que parece o meu antecessor pegou algum dinheiro emprestado da empresa de Vivian e quando eu falo algum dinheiro eu estou falando de muito dinheiro. Alguns milhões, na verdade. Seja quem for deve ser algum tipo e******o, uma vez que ele fez o empréstimo em nome da empresa. — Eu vim aqui como uma cortesia, para avisar a você que estou indo ao banco para fazer com que vocês liquidem a dívida, de qualquer forma que conseguir. — ela diz com um sorriso. — Não tenho nada aqui que comprove essa nota promissória, Vivian. — digo — Nem mesmo cogitarei pagar a você antes de ter o meu advogado nisso. Ela dá de ombros. — Faça da forma que quiser, Matteo. — ela diz — Você nos deve dinheiro e eu estou indo atrás disso. Aperto os meus dentes com força. Malditamente perfeito. — Dê-me um mês. — digo. — Não temos um mês. — ela fala e dessa vez a sua voz não está espertinha, pelo contrário, ela parece estar extremamente cansada. — Tão r**m assim? — pergunto. — Não estou dando munição para você, Matteo. — ela fala e então suspira, se jogando na cadeira em frente a minha — Mas digamos que essa é uma cidade extremamente machista e considerando que eu recebi uma industria agropecuária nenhum dos fornecedores ou clientes estão realmente confortáveis em negociar comigo ou aceitar os meus prazos. Não respondo nada, apenas levando da minha mesa e sirvo a ela uma dose do meu whiskey. Aquele bom, que eu trouxe de casa comigo. Acredito que ela precise disso. Estendo o copo para ela e ela aceita, virando o copo de uma só vez. — É apenas tão frustrante que as coisas tenham que ser mil vezes mais difíceis para mim apenas porque eu tenho um par de p****s e uma v****a. — ela continua falando, seus olhos longe, como se ela nem mesmo se desse conta de que eu estou ali em sua frente — Deus, eu sou extremamente competente e brilhante, na verdade, eu tenho mais visão de mercado que qualquer um dos meus fornecedores e clientes, mas ainda assim a minha visão é invalidada a cada cinco segundos. Não é justo. Suspiro. — Sinto muito, Vivian. — digo — Mas se você veio aqui fazer drama para que eu esqueça e deixe você ganhar... Vivian levanta de uma vez só, empurrando o copo em meu peito. — Eu não preciso que você me deixe ganhar, Matteo, eu tenho capacidade o suficiente para ganhar sozinha. — ela fala, o seu tom de voz extremamente irritado. — Desculpe, eu não tive a intenção de... — Vocês nunca tem a intenção de fazer nada, é claro. — ela fala — Mas deixe-me fazer uma pergunta a você, Matteo. Quando você perder essa competição e tiver o cargo da presidencial, o cargo para o qual você se preparou a vida toda, tirado de você o que te restará? Tirando a empresa da nossa família de você, o que resta? Quem você é sem o seu sobrenome? Fico em silêncio, sem saber ao certo qual o objetivo dela aqui. — Pois é, Matteo, enquanto eu tenho as minhas habilidades julgadas o tempo inteiro, enquanto eu sou invisibilizada pelo meu avô, enquanto ele parece ter olhos só para as coisas comuns que você faz enquanto se faz de cego para todas as coisas brilhantes que eu estou realizando, eu estive construindo uma vida para mim além do nome da minha família. Eu conquistei o meu primeiro milhão com dezoito anos e não vou ser hipócrita aqui e dizer que o meu sobrenome não ajudou a abrir as portas para mim, porque, sim, ele ajudou, mas eu criei estratégias o suficiente para mim para possibilitar que eu sobreviva mesmo sem o meu sobrenome Matteo, então não aja condescendente comigo ou fique aí agindo que você me conhece porque você não me conhece. — ela diz as últimas palavras enquanto cutuca o meu peito. — Vivian, eu... — tento falar, mas ela me corta. — Você tem quinze dias para quitar a dívida, depois disso eu estou acionado o meu departamento jurídico e eu não estou falando dessas pessoas aqui que acham que um aperto de mão e algumas risadas resolvem tudo, estou falando do meu departamento jurídico de verdade. — ela me ameaça. — Aquele com o seu ex? — falo, porque provocar Vivian é algo do qual eu não consigo resistir. Vivian apenas grunhe e dá as costas, saindo da sala sem nem mesmo olhar para trás. — Nossa, ela parece irritada. — Celly fala da porta aberta em que Vivian saiu. — Sim, mas ela vai superar. — digo, tentando voltar a minha atenção para o trabalho. Há muito a ser feito aqui hoje. Celly apenas rir alto. — Oh, garoto, se ela for ao menos um pouco parecida com a avô no temperamento quanto ela é na aparência ela não vai superar tão cedo. — Celly fala. As palavras de Sally acendem um alerta para mim e eu esqueço do trabalho a minha frente. — Você conheceu a vó de Vivian? — questiono. — Claro que sim. Ela era uma mulher adorável, tão linda quanto a neta. Aquela pequena cobrinha conseguia atrair a atenção de qualquer homem que ela quisesse, fazia com que todos os pescoços se virassem na direção dela quando ela entrava. — Celly fala, os seus olhos distantes como se ela estivesse de volta aquela época — Soraya era única, mas, francamente era preciso ser uma mulher única para conseguir atrair a atenção de Travis e Felipo ao mesmo tempo. — O que? Como assim o meu avô e Soraya? — questiono porque Celly não está fazendo sentindo algum, ao que parece a idade está começando a atingir ela. — Deus, criança, há tanto que você não sabe ainda. O seu avô foi quem a viu primeiro, Travis chegou depois. Foi uma briga enorme, eles quase se separaram, mas no fim a amizade falou mais alto, eles reconheceram que aquela mulher não era mais importante do que a amizade deles, não importa o quão bonita ela fosse. — e então Celly bate palmas — Bom, mas eu já falei demais, deveríamos todos voltarmos ao trabalho. — Espera aí, Celly, quero que você volte aqui e conte essa história direito. — digo. — Agora eu estou ocupada, querido, e de qualquer forma não posso dar as respostas que você quer enquanto você não aprender a fazer as perguntas certas. — ela fala — Mas se me permite dizer uma última coisa, você deveria cuidar melhor da garota. Ela pode ter a aparência da avó, mas eu posso afirmar a você que ela vale muito mais do que Soraya, ela parece ser daquele tipo que você não deveria deixar escapar. — Não somos assim. — falo, por algum motivo desconhecido estou na defensiva. Celly rir alto novamente. Nossa, está começando a se tornar irritante. — Claro que não. Bom, mas que seja, eu irei sair rapidinho agora. Trago alguma coisa para você comer quando eu voltar. — Celly fala, saindo como se ela não fosse a minha funcionária. Esse tem sido um problema que eu observei nela nos últimos dias, ela apenas faz o que quer na hora que quer. Mas hoje Celly me foi bastante útil. Ao que parece há mais na cidade de Rondoll Fall do que os nossos avós deixou transparecer e agora eu não estou nada mais do que ansioso para descobrir. Precisamos conversar. — envio uma mensagem para o meu avô, sabendo que ele me retornará assim que possível. Tento voltar ao trabalho, mas há outro pensamento martelando a minha mente sem parar. Ao que parece a conversa aparentemente inocente de Celly me atingiu e fez com que uma culpa que eu pensei não existir me atingisse. Pego o meu celular novamente para mandar uma nova mensagem, só que dessa vez é para a minha irmã. Preciso de sua ajuda. Me ligue o mais rápido que conseguir. Eu termino de apertar o botão de enviar quando o meu celular toca com a ligação da minha irmã. — O que aconteceu? Você está bem? — ela me questiona. — Sim, eu estou bem. Desculpe, eu não tive a intenção de te assustar. Mas eu preciso da sua ajuda. — digo. — Ok, o que é? — ela me questiona. — Preciso que você convença Rosita a embarcar no jatinho que estou mandando para buscar ela. — falo, porque sei que Rosita, nossa cozinheira, é incapaz de dizer não para Milla. — Não, de jeito nenhum, Matteo, você sabe que ela tem pavor de avião. Ela não faria isso nem mesmo por mim. Suspiro e passo as mãos entre os meus cabelos. — Eu realmente preciso disso, Milla. A comida daqui é péssima e eu... eu posso ter pisado na bola com alguém e gostaria de me desculpar com um jantar decente. — digo, abaixando o meu tom de voz porque essa situação toda me deixou um pouco envergonhado. — Oh meu Deus, esse alguém atende pelo nome de Vivian? — a minha irmã fala, a sua voz atingindo um tom de voz extremamente animado. — Quer saber, esqueça que eu liguei. — digo, irritado — Tenha um bom dia, Milla. — Espera, Espera. — Milla grita — Eu não disse que não irei ajudar você. Na verdade, sei exatamente o que podemos fazer, tudo o que você precisa fazer é confiar em mim. Fecho os olhos com forças. Algo me diz que eu irei me arrepender de pedir a ajuda da minha irmã.
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