CAPÍTULO 2

1606 Words
CAPÍTULO 2 Uma hora mais tarde, a casa de Riley estava repleta de pessoas de uniforme e agentes do FBI. Agentes federais bem armados e uma equipe de análise de provas estavam trabalhando com a polícia. “Guarda essas pedras na cama,” Ordenou Craig Huang. “Têm que ser examinadas para tentarmos obter impressões digitais ou DNA.” Inicialmente, Riley não ficara muito satisfeita por ver que Huang era o agente liderando o sucedido em sua casa. Ele era muito jovem e a experiência anterior de trabalho com ele não tinha corrido da melhor forma. Mas agora via que dava ordens sólidas e organizava a cena de forma eficiente. Huang estava amadurecendo. A equipe de análise de provas já estava trabalhando, percorrendo cada canto da casa a procura de impressões digitais. Outros agentes tinham desaparecido na escuridão atrás da casa, tentando encontrar marcas de veículos ou algum rastro na floresta. Agora que tudo parecia encaminhado, Huang levou Riley até a cozinha. Sentaram-se à mesa e April se juntou a eles, ainda abalada. “O que acha?” Perguntou Huang a Riley. “Há alguma hipótese de ainda o encontrarmos?” Riley suspirou, desanimada. “Não, acho que já não é possível. Deve ter vindo aqui no início da noite, antes de eu e minha filha chegarmos em casa.” Naquele exato momento, uma agente vestindo um terno Kevlar, surgiu da parte de trás da casa. Tinha cabelos escuros, olhos negros, pele morena e aparentava ser ainda mais nova do que Huang. “Agente Huang, descobri uma coisa,” Anunciou. “Arranhões na fechadura da porta de trás. Parece que alguém a abriu.” “Bom trabalho, Vargas,” Disse Huang. “Agora sabemos como entrou. Pode ficar com Riley e a filha por um momento?” O rosto da jovem mulher se iluminou de satisfação. “Claro que sim,” Respondeu e sentou-se à mesa. Huang saiu da cozinha para se juntar aos outros. “Agente Paige, sou a Agente María de la Luz Vargas Ramírez.” Depois disse, sorrindo. “Eu sei, é um pouco complicado. É uma característica Mexicana. Me chamam apenas de Lucy Vargas.” “Estou contente por estar aqui, Agente Vargas,” Respondeu Riley. “Me chame só de Lucy.” A jovem mulher permaneceu silenciosa durante algum tempo, se limitando a olhar para Riley. Por fim, disse, “Agente Paige, espero não estar incomodando ao dizer isto, mas… É um verdadeiro prazer lhe conhecer. Sigo seu trabalho desde que comecei o curso. Tudo o que fez é simplesmente incrível.” “Obrigada,” Agradeceu Riley. Lucy sorriu com admiração. “A forma como resolveu o caso Peterson – toda a história é surpreendente.” Riley abanou a cabeça. “Quem me dera que as coisas fossem assim tão simples,” Declarou. “Ele não está morto. Foi ele quem entrou hoje na minha casa.” Lucy a olhou, atordoada. “Mas todo mundo diz…” Começou Lucy. Riley a interrompeu. “Mais alguém pensava que ele estava vivo. Marie, a mulher que salvei. Ela tinha certeza que ele ainda andava solto por aí e fazia de sua vida um inferno. Ela…” De repente, Riley parou, recordando dolorosamente o corpo de Marie pendurado em seu próprio quarto. “Ela se suicidou,” Concluiu Riley. Lucy parecia horrorizada e surpreendida ao mesmo tempo. “Lamento,” Disse. Naquele momento, Riley ouviu uma voz familiar falando com ela. “Riley? Você está bem?” Ao se virar viu Bill Jeffreys de pé junto da porta da cozinha, com um ar ansioso. A UAC devia ter alertado ele sobre o sucedido e ele fora até lá por iniciativa própria. “Estou bem, Bill,” Respondeu. “E April também. Sente-se.” Bill sentou-se à mesa com Riley, April e Lucy. Lucy olhava fixamente para ele, aparentemente deslumbrada por conhecer o antigo parceiro de Riley, outra lenda do FBI. Huang retornou à cozinha. “Não há ninguém na casa ou fora dela,” Informou. “O meu pessoal reuniu todas as provas que encontrou. Dizem que não é suficiente para se chegar a uma conclusão. Serão os técnicos do laboratório que irão determinar se o material é satisfatório ou não.” “Já temia isso,” Disse Riley. “Acho que terminamos por esta noite,” Disse Huang, saindo da cozinha para dar as últimas ordens aos agentes. Riley se virou para a filha. “April, esta noite você vai ficar na casa do seu pai.” Os olhos de April se abriram muito. “Não vou deixar você aqui,” Disse April. “E não quero ficar com o papai.” “Tem que ficar,” Insistiu Riley. “Você pode não estar segura aqui.” “Mas mamãe…” Riley a interrompeu. “April, há coisas que ainda não lhe contei sobre esse homem. Coisas terríveis. Você estará segura com seu pai. Vou te buscar amanhã depois da aula.” Antes de April protestar mais uma vez, Lucy falou. “Sua mãe tem razão, April. Confie no que lhe digo. Veja isso como uma ordem minha. Vou escolher dois agentes para a levarem à casa de seu pai. Agente Paige, com sua autorização, posso ligar para o seu ex-marido e lhe contar o que está acontecendo.” Riley ficou surpresa com a oferta de Lucy. Mas também ficou satisfeita. De alguma maneira estranha, Lucy parecia compreender que aquela seria uma ligação difícil para ela fazer. Ryan levaria aquelas notícias mais a sério se fossem transmitidas por qualquer outra pessoa que não fosse Riley. Lucy também tinha lidado com April da melhor forma. Lucy não só tinha detetado a fechadura f*****a, como também tinha mostrado empatia, uma excelente qualidade num agente da UAC, muitas vezes escondida pelo estresse do trabalho. Essa mulher é boa, Pensou Riley. “Vamos lá,” Disse Lucy a April. “Vamos ligar para o seu pai.” April olhou fixa e friamente para Riley. Mesmo assim, se levantou e seguiu Lucy até a sala de estar onde fizeram a ligação, Riley e Bill ficaram sozinhos à mesa da cozinha. Apesar de parecer que nada mais havia a fazer, era lógico para Riley, Bill estar ali. Tinham trabalhado juntos durante vários anos e ela sempre os vira como um par compatível – ambos estavam na casa dos quarenta anos com fios brancos aparecendo no cabelo preto. Os dois eram dedicados a seus trabalhos e tinham passado por casamentos problemáticos. Bill era de constituição e temperamento sólidos. “Era o Peterson,” Disse Riley. “Ele esteve aqui.” Bill não disse nada. Parecia não estar muito convencido. “Não acredita em mim?” Perguntou Riley. “Tinha pedras na minha cama. Ele deve ter colocado elas lá. Não podiam estar lá de outra forma.” Bill balançou a cabeça. “Riley, tenho certeza que alguém entrou em sua casa,” Disse. “Você não imaginou isso. Mas Peterson? Duvido muito.” Riley começou a sentir uma onda de fúria crescente. “Bill, me ouça. Uma noite, eu escuto ruídos na porta, olho para fora e vejo pedras. Marie ouviu alguém atirar pedras na janela do quarto. Quem mais podia ser?” Bill suspirou e balançou a cabeça. “Riley, você está cansada,” Afirmou. “ E quando você está cansada e tem uma ideia fixa na cabeça, é fácil acreditar em quase tudo. Pode acontecer a qualquer um.” Riley tentou conter as lágrimas. Em outro momento, Bill teria confiado em seus instintos sem sequer duvidar. Mas esse tempo já fazia parte do passado. E ela sabia porquê. Há algumas noites, ela tinha telefonado para ele bêbada e sugerira que tomassem medidas em r*****o a sua mútua atração, iniciando um caso. Tinha sido h******l e ela sabia. Não voltara a beber desde esse dia. Mesmo assim, as coisas não tinham voltado ao normal entre ela e Bill. “Eu sei o que está acontecendo, Bill,” Disse ela. “É por causa daquele telefonema e******o. Você não confia mais em mim." A voz de Bill estalou de fúria. “Pôxa, Riley, só estou tentando ser realista.” Riley não aguentou mais. “Vá embora, Bill.” “Mas Riley…” “Acredite em mim se quiser. Sua escolha. Mas nesse momento, só quero que vá embora.” Resignado, Bill se levantou e foi embora. Junto da porta da cozinha, Riley conseguia ver que quase todos tinham abandonado a casa, incluindo April. Lucy regressou a cozinha. “O agente Huang vai deixar alguns agentes aqui,” Disse. “Vão vigiar a casa em um carro durante a noite. Não me parece uma boa ideia que fique sozinha aqui dentro. Não me importo de ficar.” Riley sentou-se e pensou por um momento. O que ela queria – o que ela precisava naquele exato instante – era que alguém acreditasse que Peterson não estava morto. Duvidava até que conseguisse convencer Lucy disso. Parecia um caso perdido. “Eu ficarei bem, Lucy,” Disse Riley. Lucy assentiu e saiu da cozinha. Riley ainda ouviu o som dos últimos agentes saindo da casa e fechando a porta. Riley levantou-se e confirmou se as portas de trás e da frente estavam fechadas. Colocou duas cadeiras encostadas na porta de trás. Se alguém tentasse arrombar, as cadeiras fariam barulho. Depois foi para a sala de estar e olhou ao seu redor. A casa parecia estranhamente luminosa com todas as luzes brilhando, incandescentes. Devia apagar algumas, Pensou. Mas ao tentar alcançar o botão da sala de estar, os dedos congelaram. Não conseguia desligar. Estava paralisada de terror. Riley sabia que Peterson estava novamente a perseguindo.
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