EPISODIO 4

1349 Words
Como se não bastasse, todos os dias que encontro com ele no refeitório, ele me observa... me observa... e me observa. Embora, quando ele me vê aparecer com Miguel ou os meninos, ele sai rapidamente. Hoje estou extremamente ocupada com centenas de papéis que a minha chefe exigente me pediu. Como sempre, parece esquecer que Miguel, embora seja o secretário do Sr.Zimmerman, é quem tem de tratar de cinquenta por cento da papelada que tratamos. Na hora do almoço, o objeto dos meus sonhos molhados aparece no escritório e, depois de fixar o seu olhar insistente em mim, entra no escritório da minha chefe sem bater para sair dois segundos depois juntos para almoçar. Quando fico sozinha, finalmente me sinto aliviada. Não sei o que há de errado com aquele homem, mas sua presença me aquece e faz o meu sangue ferver. Depois de arrumar um pouco a minha mesa decido fazer o mesmo que eles e vou comer. Mas o peso da papelada é tanto que sei o que me espera, de modo que, em vez de usar as minhas duas horas para isso, saio apenas por uma hora e volto imediatamente. Quando chego lá, coloco a minha bolsa na cômoda, pego meu iPod e coloco os meus fones de ouvido. Se tem uma coisa que eu gosto nessa vida é música. A minha mãe ensinou a meu pai, minha irmã e a mim que a música é a única coisa que doma as feras e reduz os males. Essa, entre muitas outras, é uma das suas heranças e talvez por isso eu adore música e passo o dia todo cantarolando. Assim que ligo o iPod começo a cantar enquanto mexo com a papelada. Minha vida está reduzida a papelada! Entro no escritório da minha chefe atarefada carregada de pastas e abro uma espécie de camarim que usamos como arquivo. Aquele camarim leva ao escritório do Sr. Zimmerman, mas como sei que ele não está lá, relaxo e começo a arquivar enquanto canto: Te dou o meu amor, te dou a minha vida, Apesar da dor, é você quem me inspira. Não somos perfeitos, somos pólos opostos. Eu te amo fortemente, eu te odeio às vezes. Dou-te o meu amor, dou-te a minha vida, te darei o Sol sempre que me pedires. Não somos perfeitos, apenas opostos polares. Desde que seja com você, eu sempre tentaria. O que eu não daria...? — Dona Flores, você canta horrivelmente. Aquela voz. Aquele sotaque. A pasta que tenho nas mãos cai no chão de susto. Abaixei-me para pegá-las e.... paahhh! Bati na cabeça dele. Na cabeça do Sr. Zimmerman. Com a angústia instalada no meu rosto pela quantidade de asneiras que estou cometendo com aquele super mega chefe alemão…! Eu olho para ele e tiro os meus fones de ouvido. — Sinto muito, Sr. Zimmerman. Murmuro. — Sem problemas. Ele toca a minha testa e pergunta familiarmente. — Você está bem? Como uma daquelas bonecas na parte de trás de alguns carros, eu aceno. Mais uma vez ele me perguntou se eu estava bem, que fofo! Sem poder evitar, os meus olhos e todo o meu ser faz uma varredura profunda dele: alto, cabelo castanho com mechas loiras, trinta e poucos anos, magro, olhos azuis, voz profunda e sensual... gostoso. — Desculpe, eu assustei você. Ele acrescenta. — Não era minha intenção. Eu movo a minha cabeça novamente como uma boneca. Eu tenho que parar de ser boba! Me levanto do chão com a pasta nas mãos e pergunto: — Dona Sánchez veio com você? — Sim. Surpresa, porque não a ouvi entrar no seu escritório, começo a tentando sair do arquivo, quando o alemão agarra o meu braço. — O que você cantou? Essa pergunta me pega tão de surpresa que estou prestes a deixar escapar: E o que isso importa para você? Mas, felizmente, contenho a minha impulsividade. — Uma canção. Sorriso. Deus! Que Sorriso! — Eu sei… gostei da letra. Que cançâo é? — Malu é preto e branco, senhor. Mas parece que as minhas palavras o divertiram. — Você está rindo de mim? — Agora que você sabe quem eu sou, você me chama de senhor? — Com licença, Sr. Zimmerman. Esclareço profissionalmente. — Não o reconheci no elevador. Mas agora que sei quem o Senhor é, acho que devo tratá-lo como o Senhor merece. Ele dá um passo na minha direção e eu dou outro passo para trás. O que ele está fazendo? Ele dá mais um passo e eu, tentando fazer o mesmo, bato no arquivo. Não tenho saída. O Sr. Zimmerman, aquele cara gostoso que coloquei chiclete de morango na sua boca alguns dias atrás, está quase em cima de mim, abaixando para me alcançar. — Eu gostava mais de você quando você não sabia quem eu era. Ele murmura. — Senhor, eu... — Eric. Meu nome é Eric. Confusa e nervosa com a morbidez que esse gigante está me causando, engulo o nó de emoções que formigam no meu corpo. — Desculpe senhor. Mas não acho isso correto. E sem pedir a minha permissão, ele pega a caneta do meu arco, e meus cabelos lisos e escuros caem sobre os meus ombros. Eu olho para ele. Ele olha para mim também. E aos nossos olhares segue-se um silêncio mais do que significativo em que ambos respiramos irregularmente. — O gato comeu a sua língua? Ele me pergunta, quebrando o silêncio. — Não, senhor. Respondo a ponto de desmaiar. — Então, onde você deixou a garota brilhante do elevador? Quando vou responder ouço as vozes da minha chefe e do Miguel entrando no escritório. Zimmerman pressiona seu corpo contra o meu e me manda calar a boca. Sem saber bem por quê, eu o escuto. — Onde está Judith? Eu ouço a minha chefe perguntar. — Quase certamente, eu diria no refeitório. Ela deve ter ido buscar uma Coca-Cola. Vai demorar para voltar. Responde Miguel, e fecha a porta do escritório da minha chefe. — Tem certeza? — Claro. Insiste Miguel. Vamos, venha aqui e deixe-me ver o que você está vestindo debaixo da sua saia hoje. Deus! Isso não pode estar acontecendo. O Sr. Zimmerman não deveria ver o que eu acho que aqueles dois estão prestes a fazer. Eu penso. Penso em como entretê-lo ou enganá-lo, mas nada me ocorre. Aquele homem está quase em cima de mim, sem tirar os olhos de mim. — Calma, Dona Flores. Deixe-os se divertir. Ele sussurra para mim. Eu quero morrer! Que vergonha!! Momentos depois, nada é ouvido, exceto o som das bocas e línguas daqueles dois colidindo. Assustado com aquele silêncio incômodo, olho pela fresta da porta do arquivo e cubro a boca ao ver a minha chefe sentada na sua mesa e Miguel apalpando-a. A minha respiração falha e Zimmerman sorri da sua altura. Ele coloca a mão em volta da minha cintura e me puxa para mais perto dele. — Excitada? Ele me pergunta. Olho para ele e não respondo. Eu não vou responder a essa pergunta. Estou envergonhado com o que nós dois estamos testemunhando juntos. Mas seus olhos questionadores se fixam em mim e ele traz a sua boca ainda mais perto da minha. — Futebol te excita mais do que isso? Ele insiste. Oh, Deus! Ele me excita. Ele, ele e ele. Como não me emocionar com um homem desses em cima de mim e numa situação parecida? Para o inferno com o futebol! No final, eu aceno novamente como uma boneca. Eu estou quase morrendo de vergonha. Zimmerman, vendo-me tão chateada, também balança a cabeça. Ele olha pela fresta e me arrasta até que nós dois estejamos na frente da porta. O que vejo me deixa sem palavras. A minha chefe está aberta com as pernas sobre a mesa, enquanto Miguel passa a boca avidamente por sua virilha. Eu fecho os meus olhos. Eu não quero ver isso. Que vergonha! Momentos depois, o alemão, que continua me segurando forte, me empurra de novo contra o arquivo e pergunta perto do meu ouvido: Você tem medo do que vê?
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