5. LIGAÇÃO ESPERANÇOSA

2080 Words
Letícia Hoje estou muito desanimada, parece que nada que planejo dá certo, não tenho respostas de nenhuma empresa onde deixei meus currículos e para variar minha mãe está preocupada com o valor dos exames que meu pai terá que fazer, minha irmã está segurando bem as contas da casa, mais o problema maior é o tratamento que meu pai ainda nem começou, primeiro é necessário a realização de exames para só depois começar o tratamento, falei com minha mãe pela manhã e ela chorou na ligação, ela sofre muito por ele estar sentindo muitas dores, não sei o que fazer nem ao menos como amenizar a situação então acabo chorando com ela, quando se trata dos meus pais eu me derreto, me dói demais saber que estão passando por isso e pior ainda pensar que não estou conseguindo ajudá-los como pretendia. Estava no quarto conversando com Lucy, ela tentava me animar, algo que está muito difícil para mim hoje. — Vai amiga, proponho sairmos, vamos na pracinha, não adiantará nada ficar trancafiada aqui e também tô morrendo de vontade de ir ver uns gatinhos. — Lucy fala me desanimando mais ainda, coisa que não estou nada preocupada é com namoro e gatinhos já que o meu me deixou aqui de castigo. — A não, Lucy, vai você, vai lá amiga, não deixa meu desânimo te contagiar não, já basta eu. — Eu estava deitada com a cara no travesseiro. — Eu não vou sem você amiga. — Ah, tá bom, eu vou, mas não quero saber de gatinho viu, tenho o Vinicius, não se esqueça disso. — Aff, não concordo com isso, namoro a distância não tem graça, mas não vou mais te enjoar com isso. — Lucy fala sincera, já deu para perceber que ela não curte nada o meu namoro. — É não discordo de você, não tem graça mesmo, é um saco o tal do namoro a distância, mais vamos ver o que dará. — Saiu pelo portão com Lucy grudada em meu braço, estou sempre de olho no meu celular já que minha mãe e Vinícius não tem horário de ligar, saímos caminhando até a praça que temos aqui perto, não sou muito de sair de casa, nem na minha cidade, tenho esse costume, chegando na praça nos sentamos embaixo de uma das árvores. — Ainda tá com a ideia fixa de se casar com Vinícius? — Lucy pergunta e eu demoro um pouco para responder, não tenho mais o ânimo de antes para falar nisso. — Não sei, tô com a cabeça confusa, é muito tempo distante, sabe, quando falo com ele me sinto perto, me sinto ansiosa para sua volta e tenho vontade de colocar nossos planos em prática. — falo apaixonada, eu queria que fosse só esses sentimentos que existissem dentro de mim, mas tudo mudou com a nossa distância. — Mais… — Lucy fala sabendo que não estou confortável com meu namoro. — Mas quando estamos longe e não estamos conversando é outra situação bem diferente, não me sinto mais ansiosa para vê-lo ou para falar com ele como sentia antes, por isso que falo que estamos cada vez mais frios um com o outro, estou preocupada com isso, mas penso que quando ele voltar também voltarei sentir tudo novamente como se nunca estivesse estado longe um do outro. — Ele anda frio com você? — Lucy pergunta, olhei para o nada querendo entender o que ando sentindo. — Não, até que ele está normal, sabe, como sempre, nada notei de diferente nele, mas noto muito em mim. — Já tem 2 anos que você não sabe o que é t*****r, então! — Sim, amiga. — respondo sorrindo, a Lucy é uma figura mesmo. — Não é problema, sabe, não sou essas loucas por sex0 nem nada, mais é claro que sinto falta, e é quando sinto falta que mais me revolto. — Se davam muito bem? — Muito amiga, éramos namorados de ensino médio, sabe, eu era encantada por ele, tinha 17 anos quando o conheci, e hoje estamos a 5 anos juntos, é muito tempo e me apego muito nisso. — 5 ou 3? Vocês contam esse tempo que ele está fora? — Não deixamos de estar juntos Lucy, então, sim, contamos esse tempo. — Não sei se eu daria certo em um relacionamento assim não. — É, eu estou tentando, mas é difícil, não vou falar que é fácil, pois não é, sei que ele está buscando o melhor para a vida dele, mas e eu! — Eu também penso assim, letícia! Olha só os gatinhos que está perdendo. — Lucy observa alguns rapazes que realizam passos de dança um pouco distante de nós. — Fique a vontade Lucy, não quero decepcionar o Vinicius assim. — Senti meu celular vibrar em meu bolso, peguei em minha mão e olhei a tela, era o Vinicius, Lucy olhou para minha mão e sorriu se negando com a cabeça. — Ele não morre tão cedo. — Não mesmo. — Falo atendendo a chamada de vídeo. CHAMADA DE VÍDEO “ Oi amor!” “ Oi, minha lindeza, como você está?” “ Bem e você?” “ Estou bem, mas aqui está muito frio.” “ Estou vendo, está tudo empacotado enquanto eu estou morrendo de calor.” “ Como eu queria estar aí para sentir o seu calor”. “ Nem brinque, sabe que estamos muito longe.” “ Mas estamos cada vez mais perto do nosso sonho se concretizar.” “ É né.” “ O que foi?” “ Você sempre diz isso, Vinícius, já tem muito tempo que ouço isso.” “ Eu sei amor, mas agora é diferente, estamos quase chegando a meta.” “ Está bem, quando você volta então? Ou mais fácil, quando atingirá a sua meta?” “ Acho que mais uns 6 meses e teremos a nossa meta batida.” “ Seis meses! Qual é o valor que planeja juntar Vini?” “ Amor, não está duvidando de mim, né.” “ Não, só estou ansiosa, sabe disso, ainda é muito tempo.” “Já aguentamos 2 anos, amor, vamos estar juntos daqui a 6 meses.” “ Tá bom.” — Falo fria. “ Ei, não fica triste, por que não vem morar comigo? Já te fiz vários convites e nada de você aceitar ao menos vim me ver.” “ Sabe que não é fácil, tenho meus pais que estão passando por problemas, além de tudo agora vão ter que fazer alguns exames bem caros.” “ É sério isso! Porque não me falou nada! “ Iria adiantar de quê? “ Amor, estou aqui trabalhando, é também para o nosso casamento. Quanto seus pais precisam para esse exame? Temos dinheiro guardado.” “ Não, Vinicius, você já está trabalhando tanto para isso.” “ Eu quero ajudar.” “ Liga para minha mãe, ela não me deu detalhes.” “ Está bem amor, vou ter que tirar do nosso mais nada que não dê para repor com o tempo.” “ Está bem, Vini, saúde sempre vem em primeiro lugar.” — Falo me animando com a possibilidade de conseguir ajudar meu pai a fazer os exames necessários. Eu e Vinicius continuamos conversando mais um tempo enquanto Lucy conversava com os rapazes que dançam. Enquanto conversava com Vinicius recebi uma ligação, era um número desconhecido, falei para Vinícius que retornaria a ligação a ele, preciso atender, estou muito ansiosa por um trabalho ou logo terei que voltar para minha cidade natal. LIGAÇÃO — Olá, bom dia. — Bom dia, gostaria de falar com a Letícia, ela se encontra! — Sim, sou eu. — Ola Leticia, aqui é Sabrina da empresa RB empreendimentos, estou ligando para saber se você está disponível para uma entrevista com a supervisora geral hoje às 14h da tarde. — Arregalei os olhos quando ouvi isso, fiquei muito animada, mas precisava conter os ânimos na ligação. — Claro, posso sim. — Passarei o endereço para esse mesmo número, e confirmarei sua presença, muito obrigada pela atenção. — Obrigada, tenha um bom dia. — Falo animada, desliguei a ligação e sai correndo saltitante, corri até Lucy sem ao menos me lembrar que ela estava conversando. — Deu certo amiga, deu certo, estou indo para casa, preciso me arrumar. — Calma doida, o que deu certo? — Lucy pergunta confusa. — Me ligaram, vou fazer entrevista em uma grande empresa, preciso ir agora. — Vou com você. — Não, não precisa, fica aí, não vou te atrapalhar. — Está bem, então, boa sorte, minha linda. — Obrigada até mais. — Dou um beijo em Lucy e saiu apressada para me arrumar, preciso ser rápida já que vou de metrô, não quero chegar lá toda suada, então arrumarei cedo para não fazer nada correndo. Me arrumei coloquei um terninho que uso sempre que vou nas minhas entrevistas, não tenho muitas opções, ele é o mais apropriado para isso já que as outras roupas que tenho são mais casuais. Fiz uma maquiagem básica, o horário será a tarde, então não posso exagerar, assim que terminei já coloquei meus lenços umedecidos na bolsa para quando chegar em meu destino, gosto de levar esses lenços para não ficar suada, sou muito enjoada com isso não suporto exercícios físicos exatamente por conta do suor. ** Cheguei ao meu destino, mas essa é a mesma empresa em que fiz entrevista ontem, isso está me cheirando a contratação e estou muito ansiosa para que isso seja real. Entrei e logo fui encaminhada para a sala da supervisora que havia marcado comigo, uma mulher muito bonita e reparo que é a mesma que ontem me entrevistou. A conversa estava muito animadora para mim e enfim ela me disse que fariam a minha contratação para começar amanhã, meu Deus meu coração falta sair pela boca com isso, ela pediu para que eu me adiantasse e já passasse ao RH para acertar toda a parte burocrática e foi o que fiz. Demorou um pouco, mas deu tudo certo, recebi o uniforme para comparecer amanhã mesmo, e agora não estou me aguentando de felicidades. Assim que saí do grande edifício, meu celular tocou. — Saco esqueci do Vinicius. — falo vendo seu nome na tela, ele odeia quando falo que foi esquecimento diz que não penso mais nele como antes, então tratei de atender e demonstrar que estou na correria. — Oi, amor, me perdoe por não ter retornado, estou na rua e acabei de ser contratada por uma grande empresa, serei… — Falei tudo corrido esperando o farol fechar, quando ele fechou comecei a andar mais não notei um apressadinho querendo furar o farol, o carro derrapou antes de me acertar, deixei o celular cair no susto e vi o motorista começou buzinar com raiva. — Sai da frente maluca. — O homem abre o vidro do lado em que ele estava e grita de dentro do carro, fiquei com muita raiva, peguei meu celular do chão e bati no vidro do passageiro até o otári0 que quase me atropelou abrir, só não esperava que fosse o mesmo cara que derrubou meu prato ontem, olhei para ele incrédulo mas também com fúria querendo apertar seu pescoço enquanto o babaca sorriu como se nada tivesse acontecido, ele quer briga, achou uma boa para isso. — Passa por cima, não está vendo que o farol está fechado, onde comprou sua carteira! — falo irritada gesticulando, tenho certeza que ele me reconheceu. — Tem sorte que não quero amassar o meu carro. — Você é muito abusado, se acha dono do mundo, seu babac@. — Sou dono do meu mundo gracinha, agora atravesse a rua logo, e se eu ganhar uma multa será por sua culpa, já não basta minha camisa. — Bufei ouvindo o homem, mas estou tão feliz que não vou discutir com esse ser desprezível. — Tem sorte do meu dia estar favorável, espero nunca mais ter que avistar a sua cara, passar bem. — ele não falou nada, só me olhou com fúria, mas logo deu um sorriso, que cafajeste. Atravessei a rua sob os olhos atentos do homem, odeio sentir que estou sendo observada, depois que atravessei o otári0 saiu com o carro derrapando os pneus fazendo meu coração saltar. Depois do ocorrido tomei o meu rumo, com o tombo meu celular quebrou a bendita da tela, tô vendo que esse cara só aparece para me dar prejuízos.
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