Acordar todas as manhãs ao lado de Luhan era um misto de sensações.
Já fazia alguns meses que estávamos juntos e eu nunca me acostumava com isso.
Com o tempo o desejo insano de ficar dentro dele foi passando e eu fui passando a agir normalmente, o problema é que eu sei que o meu normal às vezes magoa ele.
Mas eu não tenho culpa, eu sempre fui assim.
Todos as manhãs – eu acho que ele não sabia, espero que não saiba – eu acordava antes dele e ficava vendo-o dormir.
Às vezes seus cabelos estavam muito bagunçados ou quando estavam mais compridos a franja caía sobre os olhos. Ele era perfeito, aquela pele branca, os lábios bem desenhados e rosados, apenas uma cicatriz no lábio inferior para não dizer que ele não tinha nada.
Ele era quase surreal.
Depois da minha análise diária, eu levantei e fui fazer o café da manhã.
Tinha dias em que eu pensava se cozinhava para ele ou não. Eu não queria que ele se acostumasse a ser super bem tratado, na verdade... Eu nem sabia como agir depois de uma semana que eu o trouxe para morar comigo. Porquê... Nossa... Eu achei um cara em uma loja de conveniência e disse que ele teria que vir para minha casa e, acho, tenho quase certeza, que ele só aceitou assim, sem nem perguntar nada, porque ele me desejava também.
E nossa as primeiras semanas foram incríveis, a gente nem parou pra conversar, era só sexo, aquela coisa bem louca junto com aquele sentimento que eu nunca tinha sentido em nenhum dos meus cios.
A única coisa que importava era que ele soubesse o meu nome para que pudesse gemer.
E como eu amava seus gemidos. Ele tinha aquela voz rouquinha e ficava gemendo meu nome e pedindo para ir mais fundo. Não tinha como não t*****r como animais.
Chego a rir só de lembrar o dia em que ele ficou sem sentar um dia todo por causa do que fizemos na noite anterior. Então depois eu o chupei, o fiz gemer meu nome mesmo sem estar em seu interior, só a minha língua já fazia ele se contorcer na cama, imagina o que meu p*u não fazia, era incrível.
— Seus ovos vão queimar.
— Ahn...?
— Os ovos... Vão queimar. Os legumes já estão prontos também. — falou desligando a torradeira, que já tinha queimado as torradas, e o fogão que tinha legumes fervendo a tempo demais.
Eu me perdi em pensamentos e acabei por esquecer o que eu realmente fazia.
Às vezes Luhan me deixava em um estado de letargia. Eu via tudo passar em câmera lenta, meu mundo parava em seu sorriso e seu cheiro... Me embriagava e me levava para outro espaço-tempo.
— Sabe que eu não sou bom nessas coisas, mas eu sou sempre o primeiro a acordar. Você que deveria cozinhar pra mim. – falei ríspido.
— Tudo bem. — ele sorriu doce e começou a fazer o café com as coisas que eu não tinha estragado.
Eu fiquei escorado no balcão, de braços cruzados, o vendo cozinhar.
Ele me irrita às vezes.
Eu xinguei ele por nada e, ao invés de revidar, ele sorriu e foi fazer o que eu queria.
Isso me irrita muito!
Porque... Eu queria que ele ficasse irritado. Todo mundo sempre ficou irritado comigo, ninguém nunca foi capaz de me amar com a minha sinceridade.
E ele... Ele distribuía sorrisos doces e era tão... Luhan.
Não era só a minha f**a fixa ou o cara da lojinha de conveniência.
Era meu companheiro, aquele que sabia só o que precisava de mim, mas que me amava de uma forma que nem minha mãe foi capaz.
Isso era tão... Amedrontador.
Porquê... Quais são os motivos dele? Ele não tem nenhum.
Ninguém nunca teve. Ele não devia ter também.
— No que tanto pensa Sehun?
— Não é da tua conta.
Ele riu soprado.
— O café está pronto.
Ele pegou uma torrada e um copo de leite e saiu da cozinha.
Eu me sentia um babaca, com certeza sim.
E por isso eu o odiava, porque era só por ele que eu me sentia assim.
Caralho! Olha o que esse garoto fez comigo!
Peguei a sopa de vegetais e fui para a sala onde ele assistia desenho.
Ele adora isso, ele parecia magnetizado pela televisão, isso era realmente cômico.
Ele disse que não tinham televisões nem na casa dele ou na do amigo, então esse sempre foi só um desejo.
Me sentei ao seu lado no sofá, logo o senti rastejando até o meio de minhas pernas e deitando em meu peito.
Esse nível de i********e é estranho.
Para ele era super normal me beijar só por beijar, acariciar os meus cabelos ou deitar entre as minhas pernas para se sentir aquecido, mas eu não conhecia outro tipo de carinho se não o sexo, então era inevitável sentir meu corpo enrijecer a cada vez que ele me surpreendia com algo do tipo.
Foda-se que são oito meses de relacionamento, para mim era complicado pra c*****o.
Ele era a personificação de tudo que há de bom no mundo.
Isso... Isso me dá muito medo!
Porque eu posso acordar.
Eu posso acordar e dar de cara com a minha vida, dependente do meu pai e sem a minha mãe. Eu posso dar de cara com uma realidade e ver que quem eu amo – e odeio com todas as minhas forças isso, mas eu o amo – não existe e eu tenho que viver na minha bolha solitária como sempre foi.