Diogo Vitório Não tinha mais como conversar com Cássia. Acho que ela já nem me escutava direito, ou talvez eu também tivesse parado de escutar. Saí de casa sem café, sem comida e sem uma conversa minimamente decente. Ela continuava fechada dentro da própria raiva, enquanto eu carregava aquela sensação sufocante de que nossa filha estava escapando pelos dedos. Alexia não era um diploma. Não podia ser. Passei a noite inteira na delegacia, entre ocorrências e papeladas. Briga de casal, roubo de moto, disparo em viela, confusão em bar. No fim das contas, aquele inferno parecia mais minha casa do que o próprio apartamento. Talvez porque ali eu ainda soubesse o que fazer. Ou pelo menos fingisse saber. Acabei dormindo na poltrona da minha sala e acordei com a coluna queimando de dor. — É, dout

