Isabel Oliveira Penedo parecia ter sido arrancada de um cartão-postal que eu jamais imaginei tocar. O ar era gelado, mas um gelado que não castigava; ele acariciava o rosto, trazendo um cheiro de lenha queimada e chocolate que pairava sobre as casinhas coloridas de telhados pontiagudos. Eu me sentia em outro mundo, um mundo onde não havia o som de fuzis ou o calor bipolar do Rio de janeiro. Caminhei até a Pequena Finlândia, e meus olhos nordetisnos brilharam com as texturas. Cruzei uma pontezinha de madeira sobre um riacho cujas águas eram tão cristalinas que pareciam vidro derretido. O som da água batendo nas pedras era uma música que ia acalmando o meu peito, fazendo o incêndio que todos os anos de vida deixaram em mim virar apenas uma brasa distante. Eu parei diante de um canteiro de

