Isabel Oliveira
Saí daquela sala tropeçando nos meus próprios pés, como se o chão tivesse virado brasa. O ar do corredor da delegacia era pesado, mas parecia faltar nos meus pulmões. Onde já se viu? Eu, Isabel, uma mulher que já sentou em uma boa quantidade macho, que já lidou com todo tipo de homem, sentindo esse burburinho maldito na barriga? Essa agonia no peito não era só medo pelo Marcos, pela vida da minha irmã; era o rastro daquele delegado abusado. Eu devia ser experiente demais para me deixar abalar por um par de olhos de gato do mato e uma blusa vermelha, mas ali, fugindo para o carro, eu me senti uma menina perdida.
Ulisses estava no banco do passageiro, tentando acalmar Zury, que soluçava num choro que cortava o que restava da minha alma. Cheguei perto do carro em transe, submersa em dúvidas que eu não conseguia nem nomear.
— E aí, Bell? O que ele disse? — Ulisses perguntou, a voz ansiosa.
Eu não respondi. Não conseguia. A voz estava entalada na garganta, sufocada pela lembrança do hálito do Vitório na minha pele. Peguei Zury do colo dele num movimento brusco. A pequena se apoiou no meu ombro, molhando minha camisola bege com lágrimas quentes, e eu apenas fechei os olhos, sentindo o peso do mundo. Passei o caminho inteiro em silêncio, vendo a cidade passar como um borrão cinzento através do vidro.
A desgraça não vinha sozinha.
Marcos, o nosso esteio, tinha infartado. Internado sob custódia, dando crises, gritando o nome de Zaya pelos corredores do hospital como um louco. Mário estava um trapo, derretido em depressão. E n**a? Nossa irmã mais nova era o próprio atraso de vida; não servia para fritar um ovo, quanto mais para cuidar de quatro crianças traumatizadas.
Três dias se passaram num inferno de funções. Minha loja estava fechada, o prejuízo acumulando, clientes ligando cobrando a encomenda, enquanto eu me desdobrava para manter a casa de pé. Dadai, graças a Deus, assumiu o restaurante e ia ao hospital ver o padrasto, mas o resto... o resto era comigo. E o delegado? Silêncio total. Nenhuma notícia de Zaya. Nada.
Na quarta-feira, o apartamento parecia mais triste do que nunca. As paredes estavam amargas. Eu estava no quarto tentando fazer Zury dormir quando vi a sombra na porta, não tinha saida a não ser mandar Arthur para a mãe. Mas naquela porta, surgiu Grego, bermuda da nike, camiseta nadador preta, seus olhos esverdeados, e por mais que ele fosse o meu namorado, eu não senti nada olhando para ele, nem surpresa, tampouco alegria, ele me olhava da porta, como se esperasse algo de mim. Cruzou os braços formando um volume nos braços tatuado.
Olhei para ele ali, de pé, com aquela marra de dono do morro, e foi como se uma venda caísse dos meus olhos. Eu percebi, com uma clareza dolorosa, que entre nós sempre foi só sexo. Nada além de desejo carnal e adrenalina. Eu nunca senti nada por ele. Me senti uma desgraça de mulher por ter desperdiçado tanto tempo e tanta energia num fogo que não aquecia o coração, só queimava a pele, pois se sentisse, agora ele me salvaria daquele caos instaurado em mim.
Aproximei-me da porta para seguimos para a sala, mas ele foi mais rápido. Me segurou com força e me beijou, aquele beijo com gosto de posse que antes me incendiava, mas que agora me dava náuseas.
— Como estão as coisas, n**a? — Grego perguntou, a voz rouca, tentando me puxar para perto, enquanto eu só senti meus lábios lambuzados.
Eu me afastei, limpando a boca com as costas da mão. — Como você acha que estão, Grego? Minha irmã sumida, meu cunhado morrendo no hospital e eu aqui enterrada em problema! — disparei, mas ele não parou.
Ele começou a me seguir pela casa, que agora parecia um túmulo. n**a estava jogada no sofá, olhando para as unhas, se apossando de tudo como se morasse ali desde sempre. Olhei para aquela preguiçosa e gritei: — n**a, faz alguma coisa! Limpa esse chão, ajuda em algo!
— Você não é a dona da casa, Bell! — ela rebateu, com aquela voz de deboche que me dava vontade de voar no pescoço dela. — Deixa de ser chata.
Grego aproveitou a distração. Ele me segurou pelo braço, me puxando com uma urgência bruta em direção ao quarto de Zaya e Marcos. Ele tentou fechar a porta, enquanto os meus batimentos aceleraram por uma noticia qualquer, ouvir " achamos a tua irmã' seria o meu alívio, minha maior sorte, mas as suas mãos já descendo para o meu quadril, o hálito quente no meu ouvido.
— Tô com saudade, Bell... — ele sussurrou, a mão subindo por baixo da minha blusa. — Já que eles não estão, por que a gente não aproveita esse quarto e dá uma rapidinha? Matar a vontade aqui mesmo, na cama deles...
Senti o sangue subir para o rosto, mas não de desejo. Era nojo. Olhar para a cama da minha irmã, onde ela viveu os momentos de amor dela, a lembrança de Zaya deitada naquela cama me invadiu, o cheiro dela já tava sumindo, a minha vontade era de pocar o frasco de perfume dela naquele quarto, só para ver aquela vaidosa surgir de qualquer canto reclamando do perfume importando dela que custou não sei quantos euros, eu dava outro, ia valer a pena, nem que eu vende-se a mina loja, eu juro que dava, mas o que eu via era Grego querendo transformar aquilo num puxadinho de motel me fez enxergar pela primeira vez, a ideia de sexo numa doença, eu queria t*****r naquela cama, com o meu corpo, naquele momento, isso me pareceu irreal.
O meu silêncio lhe deu ousadia, pois ele deu passos para a cama, já arrancando a camisa preta, rindo para mim. — Vem tô doido pra comer essa b****a! — Estendeu a mão para mim, como se fosse um dia normal, eu vivia um luto que nem sabia como viver direito.
E quando ele abaixou a bermuda mostrando o p*u dele duro, na cueca cinza toda estampada, suspirei. — Vou te f***r tanto que tu vai gritar, viu! — Disse com deboche, eu cruzei os braços diante a aquela cena, talvez respeito, não existesse no mundo dele, e quando a lembrança do delegado me atravessou, percebi que talvez nem no meu.
— Vai Grego, sai daqui! — Eu pedi, quando ele abaixou a cueca, já tocando no p*u dele duro, grande.
— E tu vai me deixar assim? — Perguntou vindo na minha direção, eu suspirei fundo, inalando a dor que saia, a culpa, ele não era r**m comigo, mas nem sexo eu queria mais com ele. — Tenho certeza que o que não falta na merda daquele morro é p**a pra tu f***r, naquele c*****o! — Eu gritei, não berrei, quando ele chegou perto querendo arrancar a minha roupa.
— Mas quero f***r a minha p**a, entendeu?— Disse com sotaque carioca dele, cheiro de marra, ele m*l terminou de dizer a campainha tocou e pelo burburinho, nada mais ou menos que o dono da casa ou o delegado estava ali.
— Quem chegou ai? — Grego mudou o tom rapidamente, ele tinha um respeito por Marcos.