Diogo Vitório — E quanto ao desfecho? — Perguntei, recostando-me na cadeira e deixando a caneta descansar sobre a mesa. — Quem a tirou daquela fábrica? Quem invadiu o cativeiro e a trouxe de volta? O silêncio que se instalou na sala foi tão pesado que o som do ar-condicionado pareceu um ruído ensurdecedor. Zaya travou. A mão dela, que antes brincava com o tecido do vestido, parou bruscamente. Ela hesitou, e o primeiro reflexo foi buscar o olhar de Marcos. Houve uma conversa muda entre eles, um código de sobrevivência que eu já tinha visto em centenas de salas de interrogatório. — Foi... uma confusão. — Ela começou, a voz baixando um tom, perdendo a firmeza do início. — Eu ouvi tiros. Muitos tiros. Alguém arrombou a porta... eu achei que ia morrer, mas era o meu marido. O Marcos estava l

