Isabel Oliveira Eu devia ser uma pessoa muito r**m mesmo, não podia ser normal, depois de rodas atrás de vaga no hospital, ter que estacionar longe pra zorra, cheguei cedo no hospital tentando parecer minimamente apresentável. Roupa limpa, cabelo lavado, embora ainda úmido e m*l penteado, olheira funda escondida com pó compacto da minha irmã. Mesmo assim, eu ainda parecia alguém que tinha saído de uma guerra, e talvez tivesse. Mal falei “bom dia” pro policial na porta da ala quando ele já me olhou daquele jeito atravessado, cara de cão do inferno. Daqueles que acham que todo mundo vindo de favela é criminoso de nascimento. — Vim ver meu marido. O homem nem respondeu direito. Só pediu documento, conferiu meu nome e sacou o celular do bolso, olhou pro outro policial na porta antes de

