Atena narrando . . . O silêncio dele me deixava inquieta. Tava ali do meu lado, depois de me entregar aquele anel vagabundo que mexeu comigo de um jeito que nem eu entendi. Só que enquanto ele fazia cafuné, minha cabeça tava a mil. Eu sabia que ia estragar tudo... mas precisava dizer. Me virei de frente pra ele. Minhas pernas ainda por cima das dele. Apoiei a mão no peito dele e respirei fundo. Atena: Eu preciso te contar uma coisa séria. — Ele me olhou, desconfiado, mas sem falar nada. — É sobre a Mariana... sobre a criança. Neurótico: Fala logo, Atena. Atena: Ela mentiu pra você... — Olhei nos olhos dele. — Aquele filho... não é teu. Ele congelou. O olhar endureceu na mesma hora. Neurótico: O quê? Atena: O pai do filho da Marianna... é o Ricardo. Meu padrasto. — Engoli seco.

