Neurótico narrando...
1 mês depois...
Olho os papéis na minha mesa. Desde que assumi esse Vidigal, só tenho dor de cabeça. Aciono o Juninho no radinho e mando ele colar na minha sala.
Um bando de p*u no cu compra e não paga, querendo me fazer de o****o.
Juninho: Qual foi, patrão?
Neurótico: Cheio de cobrança, mané... desenrola esses bagulhos aí. Se não pagar, mete chumbo.
— Ele assentiu, pegando os papéis.
Juninho: Fé aí, chefe.
Neurótico: Fé.
Acendo um fino e fico marolando, desenrolo mais uns bagulhos. Mando pegar o armamento que chegou e os bagulhos novos.
Gordão: Aê, Neurótico, o negócio é do bom.
Neurótico: Só trabalho com mercadoria de qualidade. Mas qual foi? Voltou a usar esses bagulhos, meu faixa?
Gordão: Sabe como é, chefe...
Neurótico: Fica esperto, parceiro. — Dou um tapinha nas costas dele.
Colamos naquele bar do mirante com os chegado, pra trocar aquela ideia. Acendo um cigarro normal, fico na minha, só escutando o que eles falam.
Dou uma olhada no celular, várias dando moral. Olho pro bar e vejo a doutora sentada, conversando com a morena do Gordão.
Encaro ela até ela me olhar, toda constrangida. Vou te contar... filha da p**a gostosa pra caralho...
Atena narrando...
Atena: Ele tá me encarando e eu odeio isso.
Carla: Ignora, fica de boa...
— Assenti.
Carla: Voltando ao assunto, você já pode ir arrumando suas coisas. É de boa você vir morar comigo, tô precisando de alguém pra dividir o aluguel.
Atena: Eu não quero incomodar, Cacau.
Carla: E não vai, senhorita Gorito. — Semicerrei os olhos. — Me sinto sozinha pra c*****o.
Atena: Sei... essa semana eu já me organizo e me mudo pra cá.
— Ela sorri.
Dou uma olhada disfarçada pra ele, mas sabe aquela hora que você olha e a pessoa já tá te olhando?
Carla: Vou no banheiro.
— Assenti.
Comi meu espetinho e dei uma olhada no celular. Tirei uma foto e postei nos status. A garçonete encheu a nossa torre. O diretor, como de costume, apareceu no bar.
Gabriel: Atenaa... — se aproximou me abraçando — tá gata, como sempre.
— Sorri.
Atena: E você não sai por baixo. Senta aí.
Gabriel: Não, eu tava sentado ali. — Apontou pra uma mesa onde tinha um bofe lindo, como ele fala.
Atena: Aaah, entendi.
Gabriel: Eu já tô indo. Cadê a Carla?
Atena: Foi no banheiro e até agora não voltou.
Gabriel: Errou o caminho. — Rimos. — Xau, tô indo.
Gabriel é um cara lindo e simpático. Tudo pra minha carreira. Porém, ama sentar... se é que me entende.
Meu celular começa a tocar. Saí pra atender. A ligação caiu. Revirei os olhos.
Virei e ele tava bem atrás de mim.
Atena: Amado?
Neurótico: Namorando? — Bem direto.
Atena: Não.
Neurótico: Quem era aquele cara?
Atena: Ninguém. Virou policial agora, pra me interrogar?
— Ele sorri debochado.
Neurótico: Não, só preciso saber o que acontece na minha favela.
Atena: Engraçado que eu não sou sua favela. — Ele ri e se aproxima.
Perto demais. Ele puxa minha cintura e eu sinto o cheiro forte.
Neurótico: Quanto mais perto, melhor... não precisa ficar vermelha, morena. — Ele me puxou pra um beco do lado do bar.
Passou o nariz no meu pescoço, me arrepiei. Me beijou lento, apertando minha b***a. Senti o gosto de tequila na boca dele.
Parou com selinhos e eu dei um sorriso. Ele pegou meu queixo, me encarando sério. Passei a unha na barriga dele, e ele sorriu safado.
Ele pegou meu celular do bolso do short.
Atena: Ei...
— Tentei pegar da mão dele, mas ele é mais alto.
Ele sorriu quando viu minha foto de biquíni na tela de bloqueio. Passou o dedo, desbloqueado. Foi até o discador e anotou o número dele.
Atena: Muito ridículo.
— Mandou um “oi” pra ele mesmo no w******p.
Neurótico: Fica esperta. Vou te chamar aí. — Cruzei os braços.
Atena: Se enxerga. — Ele riu.
Neurótico: Fica na tua que quem manda nessa p***a sou eu. — Falou sério.
Atena: É mesmo? — Ri e saí do beco, entrando no bar de novo.