cap 02 não mudou nada

692 Words
Atena narrando... A gente veio num barzinho aqui no morro, onde dizem ser o “Mirante”. Um lugar familiar, ponto de encontro da galera do hospital. Carla não parava de falar ao meu lado, ria das próprias palhaçadas — minha cabeça estava longe. Carla: Alô, terra chamando! — sorri — Foi tão r**m assim? Atena: Não... Foi r**m, mas não a pior coisa do mundo. Sei lá, é complicado. — fiz um coque no cabelo. Encarei a entrada do bar, e o "Gordão" entrou com uns caras. Ele me olhou, e eu parei de encarar. Pedimos uma torre e uma porção, tiramos fotos juntas e trocamos os números. Atena: Você mora aqui? Carla: Faz uns meses que me mudei pra cá por causa do trabalho. Comecei a fazer plantão e ficou complicado sair do morro frequentemente. E você, mora onde? Atena: São Conrado. Ficamos conversando, e depois fomos embora. Pedi um Uber e fui pra casa... [. . .] Uma semana depois... Essa semana passou rápido. Trabalhei ontem à noite e vou ser liberada hoje às dez horas. Resumindo: tô morta. Parei pra um intervalo e saí do postinho pra fazer um lanche. Paguei o moço da barraca e, ao voltar, quando ia entrar, me puxaram pelo braço. Neurótico: Me ajuda aqui, médica? Atena: Eu não sou... — olhei pra ele, e ele estava com uma criança nos braços — O que aconteceu com ela? Neurótico: Febre alta, vomitando... esses bagulhos aí. Atena: Vem. — fui até a recepção — Rebeca, a pediatra está aí? Ela nem me olhou, enjoada. Rebeca: Não. Manda esperar. Neurótico: Aí, adianta esse processo aí antes que eu meta bala no bagulho. — falou alto e sério. Ela se assustou. Rebeca: Desculpa, senhor, mas... não temos mais pediatra. Ela vai ter que atender. — respirei fundo. Atena: Beleza, sem problemas... vem! Abri a porta do consultório e fiz exame de rotina nela. Atena: Oi, neném... como é seu nome? — distraí ela enquanto enfiava a agulha do soro no braço. Nella: Antonella, mas pode me chamar de Nella. — sorri. Atena: Lindo nome. Meu nome é Atena. Quantos aninhos você tem? Nella: Seis anos. — fez cinco com uma mão e um com a outra. Coloquei o medicamento no soro. Atena: Olha, vou te dar um pirulito quando o soro acabar. — apontei pro soro, e ela assentiu sorrindo. Tirei a luva e joguei no lixo. O Neurótico estava encostado na maca, observando tudo. Me aproximei dele. Atena: Sua filha? Neurótico: Não, Antena. Minha sobrinha. Atena: É Atena. Neurótico: Mudou nada, Antena. — debochou sorrindo. Revirei os olhos. Atena: Ela vai ficar bem, só foi uma virose. Vou passar remédio pra febre, caso volte. E se piorar, você tem que ir em outro hospital — que não seja esse. — ele assentiu. — Vou pegar minhas coisas pra ir embora, antes de sair passo aqui. Peguei minhas coisas no armário e falei com algumas pessoas. Voltei no quarto, o soro estava quase acabando. Esperei terminar, tirei a agulha do braço dela, passei a receita e saí junto com eles. Isso é bastante errado, pelo fato de eu não ser especializada na área. Deveria ter, no mínimo, uma pediatra pra supervisionar. A Nella pegou na minha mão, sorrindo, e saímos. Tirei o pirulito da bolsa e entreguei a ela. Nella: Obrigada. — Sorri e acenei pra ela. Neurótico a pegou no braço. Fui pelo meu caminho de sempre, o sol torrando meu cérebro. Escutei uma buzina — nem olhei pra esse nojento. Neurótico: Entra aí, pô. Ah, era ele. Pensei que fosse mais um daqueles caras que passam no carro falando coisas nojentas. Olhei pra ele, olhei pro sol, dei a volta e entrei no carro. Olhei pra Nella na cadeirinha e pisquei pra ela. Neurótico: Vai pro ponto de ônibus? — Assenti. — Vou passar na farmácia antes. Tu vai comigo. Mandão. Ele parou na farmácia, compramos o remédio. Entramos novamente no carro, e ele me deixou no ponto. Atena: Valeu. Ele me olhou com aquela cara de bandido m*l e apenas acenou com a cabeça. Desci e fiquei esperando no ponto, minha carruagem chegar.
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