O silêncio começou a circular como moeda. Não vinha em envelopes. Não deixava rastro. Não exigia assinatura. Ele apenas resolvia — e cobrava depois. Giulia percebeu isso quando um problema antigo simplesmente desapareceu da pauta. Um conflito que levaria semanas de negociação foi “encaminhado” por alguém que não fazia parte de nenhuma mesa oficial. — Quem resolveu isso? — ela perguntou. O assessor hesitou. — Ninguém resolveu… oficialmente. Giulia entendeu na hora. — Então alguém resolveu — ela disse. — E comprou silêncio. Nos bairros, a mudança era sutil. Um comerciante que parou de reclamar. Um líder local que evitava reuniões. Uma família que recebeu “p******o” sem pedir. — Estão comprando tranquilidade — Lorenzo disse, analisando os relatos. — Com favores pequenos demais

