O luto de Giulia não teve grito. Teve silêncio. E foi o silêncio dela que quebrou Matteo. Ele a observou no funeral. Reta. Fria. Sem lágrimas públicas. Ela não pediu vingança. Não pediu resposta. Não pediu justiça. Ela apenas disse uma frase, baixa o suficiente para que só ele ouvisse: — Eu não quero discurso. Matteo entendeu. Ela não queria explicação. Ela queria consequência. Naquela noite, Matteo entrou sozinho no antigo escritório. O que não usava havia anos. Abriu a gaveta inferior. Ali ainda estavam os arquivos antigos. Nomes. Conexões. Métodos. Ele não os queimara. Apenas os guardara. Porque homens como ele não deixam de ser. Apenas pausam. Lorenzo entrou minutos depois. — Você vai fazer o quê? Matteo não respondeu de imediato. Pegou uma pasta. Folheou.

