Prólogo

1312 Words
Quando se está andando nas nuvens, contemplando as estrelas, não dá para imaginar que pouco tempo depois estaremos no inferno. Fazia um mês desde a nossa última noite: — Gostosa, vem cá. Olhei para o rosto do meu namorado e contemplei o quanto ele era lindo. A barba rala o deixava com um jeito muito sexy, os olhos verdes destacavam-se na pele morena e cabelos escuros. Caminhei até ele e me sentei em seu colo. — Tão linda essa noite, amor. O beijo envolvente de Chris me fazia sair de órbita. As mãos grandes e pesadas acariciavam o meu corpo e eu amolecia em seus braços. Já havíamos feito amor naquela noite. Estávamos em um motel luxuoso, o teto todo espelhado e uma garrafa de champanhe do lado. Mas não estávamos saciados, Christian era um homem muito quente e insaciável, e em seus braços eu me tornava da mesma forma. Ele era capaz de me envolver e me fazer sentir prestes a explodir de t***o. Ele retirou meu roupão e expos meu corpo totalmente nu. Chris sacou o celular e mirou para mim. — Vem posar para mim, vem. — Você já tem tantas dessas fotos, não se cansa de tira-las. — São para matar minha saudade, amorzinho. Você sabe que limpo meu celular, essas imagens não ficam aqui, não sou louco. — Acho bom – falei, mas sorri. Quando ele pegava seu celular para me fotografar, ele parecia um fotógrafo de verdade. Pedia que eu fizesse poses e eu fazia, procurava pelo melhor ângulo, me pedia para colocar alguma lingerie, mudar o lado dos cabelos... essas coisas. O fato era que me sentia confortável na presença dele para isso. E pode parecer idiotice, mas me sentia mais bonita e desejada, e isso me agradava. No final daquela seção de fotos, ele subiu na cama macia e se colocou atrás de mim tirando uma última foto. O celular foi abandonado em um canto da cama e começamos a nos beijar novamente. Mãos e pernas se perdendo em no outro, o suor escorria por nossos corpos e o frenesi do prazer nos pegou de modo que enlouquecemos nos braços um do outro. A sensação prazerosa me atingiu ao mesmo tempo que atingiu Christian pela segunda vez naquele dia e, ambos satisfeitos, nos abraçamos e dormimos juntinhos. Um dia. Bastou um dia e meu inferno estava para começar. Na segunda-feira pela manhã cheguei ao meu escritório e não encontrei minha secretária em sua mesa, mas a bolsa dela estava lá, o que indicava que ela não estava presente, mas já tinha chegado. Não me preocupei com o fato e fui para minha sala. Abri minha agenda e vi que o dia seria bem cheio: reunião com os acionistas, depois outra com os fornecedores e mais um monte de documentos para analisar. A semana prometia. Mando mensagem para meu namorado e ele não me responde, estranho o fato, pois ele costuma ser bem imediato em suas respostas, ainda mais em horário comercial, pois ele vivia em contato com os clientes. Como em breve terei uma reunião e minha secretária continua ausente, talvez a mulher tenha passado m*l, resolvo ir até a sala de meu namorado falar com ele pessoalmente. Ao chegar na sala de Christian, empurro a porta sem bater e dou de cara com a pior cena da minha vida: as pernas da minha secretária estavam em volta da cintura do meu namorado que estava debruçado sobre a mulher deitada em sua mesa. O grito que preenche a sala não é meu e sim da vagabunda transando com meu namorado. Milagrosamente, consigo encarar a cena friamente e minha voz sai fria como se eu tivesse vendo os dois conversando profissionalmente. — Os dois na minha sala, agora. Viro-me e deixo que os dois se aprumem. Sigo para minha sala ainda em um estado frio e entorpecido. Parece que meu cérebro ainda foi incapaz de processar o acontecido em forma de sentimentos, pois o que sinto é somente um vazio, onde eu acredito que deveria haver dor. Sento-me em frente ao computador, mas vejo as letras embaralhadas, não consigo processar nada do que está escrito. Porém, sei que ambos chegarão em breve na minha sala e me obrigo a tentar ler e entender o que está escrito nos e-mails. Cerca de cinco minutos depois, ouço bater na minha porta. Só pode ser os dois traidores. — Entrem. – Finjo que olho o que está em meu e-mail e evito olhar o casal entrando em minha sala, mas preciso encara-los. — Amor... – O descarado do Christian tenta se pronunciar, mas o calo com um gesto. — Christian, por favor, nos poupe de sua falsidade. — Senhora, permita-me me justificar... — Não há justificativa para o que eu vi, Amanda. Silêncio, por favor, e isso vale para os dois. Recostei-me em minha cadeira e cruzei os braços, contendo a raiva que crescia dentro de mim. Continuei: — Christian, não precisa estar presente na reunião de hoje. Irei colocar suas ações a venda, elas serão pagas a você devidamente, poderá analisar toda a papelada com o auxílio de um advogado, desde que seja bem longe da minha empresa. — Você não pode fazer isso. — Posso. Posso e vou. – Declaro, ajeitando meus longos cabelos escuros na lateral de meu corpo. Vejo que seus olhos são atraídos pelo movimento, mas não me importo. — Amanda – continuo – Você está demitida, saia da minha sala imediatamente, pegue todos os seus pertences e passe no RH, por favor. Vejo os lábios rosados dela se abrirem como se fosse contestar, mas ela desiste. Vejo a mulher encarar Christian, mas ele finge que a tal nem existe. Ficamos em silêncio até que minha ex-secretária deixa a sala. — Pode parar com o show, Amanda já foi embora. — O show nem começou, meu bem. – Forço um sorriso, mas o choque do que aconteceu está me acertando em cheio e a dor está começando a vir, preciso tira-lo daqui, antes que ele me veja chorar e eu não quero isso. – Deixe minha sala, vá acompanhar sua amante. Ela vai precisar de você. — Não finja que não está sofrendo, Ester. Sei que o que viu a feriu, mas está se fazendo de forte. Deixe isso para lá, foi só um deslize... — Não quero ouvir desculpas, e se eu sofro ou não, isso é problema meu. Deixe a minha sala, se não sair agora vou chamar a segurança. Christian suspirou e levantou-se, ajeitou o paletó, os cabelos escuros meio cacheados e antes de sair da minha sala disse: — Você não vai simplesmente expulsar-me da empresa, Ester, não vai. Fingi que não entendi o tom de ameaça e o deixei sair sem dizer mais nada. Assim que ele saiu, acionei em meu computador as imagens das câmeras do corredor e pude vê-lo interagir com a secretária. Ele parecia discutir com ela, mas isso não me importa, pois, os dois vão sair da minha vida e não quero vê-los nem pintados de ouro. Ligo para meu irmão e peço que ele assuma a reunião de hoje, digo que estou com um m*l-estar e vou para casa. Heitor é meu sócio mais importante, detendo quarenta por cento das ações da empresa, quarenta e cinco são meus e os outros quinze são distribuídos entre vários sócios minoritários como era o caso de Christian. Em um momento de crise, colocamos uma percentagem da empresa para negociação para sairmos da lama e funcionou, porém, isso acaba de deixar-me numa situação complicada. Heitor parece desconfiado, mas acaba acatando e deixo tudo nas mãos de meu irmão por hoje. Saio de escritório e pego o elevador privativo de modo a não esbarrar com aqueles dois. Vou para o meu apartamento e tudo o que eu desejo é que esse pesadelo acabe, mas ele só está começando.
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