Capítulo 16

1575 Words
Lucca Bianchi Não é que eu veja ela só como um objeto pra t*****r, mas sei que isso que sinto por ela é só t***o. Não queria resumir nossa relação apenas em sexo, mas, pelo visto, Madson não tá se importando se for desse jeito. O problema é que eu também não sei mais o que pensar. Desde que ela entrou na minha vida, tudo parece ter ficado mais complicado. Eu tinha certeza de que conseguiria manter as coisas sob controle. Um casamento por obrigação. Uma aliança política. Uma mulher que eu protegeria. Nada além disso. Era simples. Pelo menos deveria ser. Mas Madson tem o péssimo hábito de me fazer questionar tudo. Principalmente quando fica irritada comigo. Como agora. Aquela frase dela ainda está presa na minha cabeça. “Você precisa parar de pensar em mim como uma menina tola que se apaixonaria fácil por você só porque você transa bem.” Porra. Aquela mulher realmente sabe como acertar meu orgulho. E o pior é que ela saiu do carro sem sequer olhar para trás. Chego na casa dos pais do Caio e Amélia me recebe com um abraço caloroso. — Seja bem-vindo, Lucca. Se sinta em casa. Os rapazes estão na piscina. — Muito obrigada, Amélia, e sua casa é excepcional. Vou na direção que ela aponta e vejo que, além de nós, o Raji também está aqui hoje. Olho para a casa do Enzo e ele não tá com a cara muito boa. Conheço aquele olhar. E, considerando o histórico dele, provavelmente tem alguma coisa acontecendo. — Oe, Bea, como estão os bebês? Beatrice sorri. — Pesados, Lucca, kkk, mas bem. Obrigada por perguntar. — Imagino. Gêmeos devem dar um trabalho enorme. — Nem me fale. Me sento ao lado do Caio e vejo Klaus zombando do Enzo. — O que tá acontecendo? Klaus olha para mim com aquele sorriso provocador. — Enzo hoje tá com concorrente. Olho para Enzo. Ele imediatamente fecha a cara. — Raji não é um concorrente, Klaus. Beatrice é minha e ninguém pode mudar isso. Caio ri da cara do cunhado e eu acompanho. A cara de ciúme dele é maravilhosa de se ver. — Vocês não prestam — Beatrice reclama, mas está sorrindo. — Eu só estou observando — digo, tentando parecer indiferente. Klaus aponta para Enzo. — Ele está a cinco minutos de declarar guerra por causa de um sorriso. — Cala a boca, Klaus. — Acertei. Todos riem. Por alguns minutos, o clima fica leve. Conversamos sobre negócios, família e qualquer coisa que apareça. Mas, mesmo tentando participar da conversa, minha cabeça volta para Madson. Será que ela já chegou à academia? Será que ainda está irritada comigo? Provavelmente. E, sinceramente, talvez eu tenha merecido. Eu poderia ter escolhido melhor minhas palavras. Não queria que ela pensasse que considero aquilo entre nós apenas uma questão física. Mas também não posso mentir para ela. Não sei o que sinto. E não vou prometer alguma coisa que talvez nunca consiga entregar. Depois de mais ou menos umas duas horas, as meninas chegam. O motorista foi buscá-las. Estava tudo indo bem até eu perceber o olhar desse tal Raji pra Madson. Meu corpo inteiro fica tenso. Ele não está apenas olhando. Está interessado. E eu reconheço aquele tipo de olhar imediatamente. Raji se aproxima dela com um sorriso. — A minha irmã também é bailarina. Sempre que posso, vou ver suas apresentações. Madson sorri educadamente. — Bom, nunca me apresentei. Acho que entraria em pânico, hahah. Raji continua olhando para ela. — Tenho certeza que deve ser muito boa no que faz, Mad. Madson baixa os olhos, um pouco sem graça. — Me esforço o máximo pra pelo menos ser boa… Sinto meu maxilar travar. Começo a ficar bem irritado. Não gosto daquele jeito como ele olha para ela. Não gosto da proximidade. Não gosto do sorriso. Não gosto de absolutamente nada. E o pior? Não tenho direito algum de sentir aquilo. Pelo menos é o que digo para mim mesmo. Louise parece perceber, já que chama as meninas para trocar de roupa. — Meninas, vamos. Quero ver vocês na piscina. Madson acompanha as duas. Eu continuo observando até ela desaparecer. Enzo percebe. Claro que percebe. — Algum problema, Lucca? Seu rosto está levemente vermelho. Filho da p**a. Estava agora mesmo querendo matar o cara por causa da Beatrice e agora tá tirando uma com a minha cara. — Estou bem, Enzo. Se preocupe com a sua mulher, que está grávida de gêmeos. Ele abre um sorriso. — Eu estou muito bem, obrigado. Raji solta uma risada. — Nossa, cara, dá pra ver que tá bem mesmo. Olho diretamente para ele. — E você fica na sua e para de puxar assunto com as mulher dos outros. O silêncio cai por alguns segundos. Todos estão me olhando. E eu não tô nem aí. Raji ergue as sobrancelhas, claramente surpreso. — Eu só estava conversando. — Então conversa com outra pessoa. Caio olha para Klaus. Klaus olha para Enzo. E os três parecem estar segurando o riso. Não tenho paciência para nenhum deles. As meninas voltam. Quando olho pra Madson, falta pouco para infartar. Mas me controlo. Ela está usando uma roupa de banho simples, com uma saída de praia por cima. Mesmo assim, consigo perceber suas curvas. Meu olhar percorre seu corpo por alguns segundos antes que eu consiga me obrigar a olhar para outro lugar. Louise abre um sorriso. — Nossa, Madson, nunca tinha reparado nesse seu corpão. Madson fica sem graça. — Para, Louise. — Estou falando sério. Observo bem suas curvas, seus s***s, quadril largo e a cintura fina, realmente esculpida pelos deuses. Desvio o olhar. Olho pro lado e vejo que não sou o único a admirá-la. E isso me deixa puto da vida. Principalmente quando percebo que Raji continua olhando. Aquele homem está praticamente comendo ela com os olhos. Minha mão se fecha involuntariamente. Leila se aproxima da Madson. — Vem, Mad. A água tá ótima. Louise completa: — Não liga, Mad. Tira essa saída de praia e entra logo. Madson ri. — Já vou. Ela começa a tirar a saída. Caio, Klaus e Enzo se viram. Mas o babaca do Raji não. Ele continua olhando. Naquela hora, vejo vermelho. Não penso. Não raciocino. Apenas caminho até ele. — Lucca… Ele m*l tem tempo de reagir. Levanto e acerto um soco em cheio na cara dele. O barulho faz todos se calarem. Raji cambaleia para trás. — Que p***a é essa?! Não respondo. Acerto outro golpe. E outro. Minha cabeça está completamente tomada pela raiva. — Lucca! Pelo amor de Deus, cê vai matar ele! Solta! Madson tenta me puxar. Não consigo nem ouvi-la direito. Desfero vários golpes na cara dele. — Madson! Enzo, Caio, Klaus, me ajuda! Fica aí parado vendo ele matar o rapaz! Ouço a voz dela, mas parece distante. Enzo se levanta lentamente. — Eu já estava a ponto de fazer isso, mas, já que o Lucca foi na frente, não vejo problema. — Enzo! Klaus começa a rir. — Eu não vou me meter entre um homem ciumento e a própria estupidez. Caio também parece estar se divertindo. — Isso vai render. — Vocês são loucos! — Madson grita. Ouço Madson me pedir pra parar. Sinto suas mãos me puxando, mas ela não consegue nem me tirar do lugar. — CHEGA, LUCCA! JÁ CHEGA!! A voz dela finalmente atravessa minha raiva. Paro de bater nele. Minha respiração está pesada. Me viro para ela. Madson me olha brava. Muito brava. — O que deu em você? Tá ficando doido? Olho para ela. Não sei o que responder. Todos nós olham. Louise e Leila estão assustadas. Já Caio, Enzo e Klaus têm um sorriso no canto da boca. Os desgraçados estão se divertindo com a situação. — Vamos embora, Madson. Ela cruza os braços. — Eu não vou a lugar nenhum com você. Sinto minha paciência acabar. — Você vai sim! Antes que ela possa fugir, jogo ela por cima do ombro. — LUCCA! Ela começa a espernear. — Me solta! — Para de se mexer. — Me coloca no chão! — Não. Ela começa a me bater nas costas. — Você ficou completamente maluco! — Talvez. — Lucca! Saio com ela esperneando e me batendo. Passo por Dona Amélia e paro por um instante. — Desculpa a bagunça, Dona Amélia. Ela olha para mim, depois para Madson pendurada no meu ombro. — Oh, o que está acontecendo? Já vai, meu filho? Madson continua reclamando. — Me solta! Amélia arregala os olhos. — Minha nossa senhora! Caio, o que está acontecendo aqui? Ouço o Caio falar com a mãe dele e com uma voz de deboche: — Lucca com crise de ciúmes. Babaca!! Fecho os olhos por um segundo. Eu deveria estar com vergonha. Deveria estar me perguntando por que diabos fiz aquilo. Mas, enquanto caminho para o carro com Madson ainda reclamando, uma única verdade fica impossível de ignorar. Eu estava com ciúmes. Muito. E isso não fazia absolutamente nenhum sentido. Porque eu não deveria sentir aquilo. Não por ela. Não daquele jeito. Não quando passei tanto tempo dizendo a mim mesmo que entre nós existia apenas desejo. Mas então me lembro do olhar de Raji sobre ela. E minha raiva volta. Talvez o problema não seja o que eu sinto por Madson. Talvez o problema seja que eu estou começando a sentir muito mais do que deveria.
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