Segunda, 6:41 AM
Local: Meu quarto.
- Oh, já está arrumada? - Minha mãe diz surpresa ao me ver arrumada para ir a escola. Geralmente ela vem me acordar e eu fico enrolando.
- Hoje acordei disposta! - Digo otmista me olhando no espelho da minha penteadeira.
- Certo princesa, o café já está pronto- Ela sorri e sai fechando a porta.
- Nessa história eu sou a plebeia... - Sussurrei para meu próprio reflexo no espelho.
Terminei de fazer minhas tranças, peguei minha mochila e desci para tomar café.
- Bom dia amores da minha vida! - Digo dando um beijo na bochecha da minha mãe e do meu pai, logo me sentando.
- Bom dia, princesa. - Meu pai diz. - Qual o motivo de tanto bom humor? - Ele questiona olhando-me sorrindo.
- Não sei pai só acordei assim. - Digo pegando um pão e passando manteiga.
- Faz um tempo que não sorri assim, até levantou cedo hoje. - Minha mãe diz e meu pai me olha surpreso.
- Você está namorando Alana? - Meu pai diz e eu quase cuspo o café que tomava. Ele é realmente ciumento.
- Não pai! A felicidade de uma garota não se resume a um garoto. Só estou feliz! - porém, se eu estivesse namorando com o pequeno príncipe, não reclamaria. Seria a pessoa mais feliz nesse planeta.
- Mas se fosse esse motivo, você não deve explicações ao seu pai. - Mamãe diz, e meu pai a olha ofendido, o que me fez rir.
- Como assim? Ela é minha filha e não vai namorar qualquer marmanjo!
Ah, não! eles vão começar...
- Ela sabe se cuidar...
- Omma, aboji. Eu já vou! - Pego minha mochila e saio de casa antes que eles comecem a discutir sobre minha vida amorasa. Eu amo meus pais, mas as vezes eles exageram.
Fui para o ponto de ônibus, era um inferno pegar ônibus para ir a escola, pois ele sempre vem lotado tanto que nem preciso segurar nas barras para não cair. E eu nem preciso falar como as pessoas são m*l educadas e passam pisando em mim. Depois de ser quase esmagada no ônibus, finalmente chego a escola. Respiro fundo e entro naquele inferno, hoje as coisas iriam começar a mudar, certo?
[...]
Errado! Era hora do intervalo e eu estava no banheiro. Motivo? Rosé e suas amigas decidiram derramar todo o meu lanche em mim, ainda bem que hoje era apenas frutas e verduras. Eu já estava começando a ficar cheia dessas brincadeiras de crianças mimadas, mas mesmo planejando uma revolução nessa escola, era impossível fazer isso sozinha, eu não posso enfrentar elas assim.
- A dona aranha subiu pela parede... - Comecei a cantar uma canção infantil que minha mãe cantava para mim quando eu era criança. - Veio a chuva forte e à derrubou... - Derramei uma lágrima solitária. Talvez seja estranho eu está cantando essa música, mas ela me acalmava. A música, mesmo infantil tratava-se de "alguém" representada por uma aranha. A chuva forte eram as dificuldades que ela enfrentava e eram tantas que acabou a jogando no chão. - Já passou a chuva, o sol já vai surgindo... - quando o sol nasce, surge esperança para a aranha então ele volta a tentar. - e a dona aranha continua a subir. - Era isso que eu deveria fazer. Agir como a dona aranha e ser percistente!
Levanto do vaso onde estava e saio da cabine determinada. Eu tinha que começar a planejar como iria derrubar essa hierarquia podre da escola. Limpo minhas lágrimas e saio do banheiro. Sem querer tropeço em alguém e caio sentada no chão. Por que essas coisas só acontecem comigo?
- Você está bem? - Quando vi quem era, meu coração acelerou. Park Jimin estava de joelhos em minha frente com o rosto numa distância considerável, porém para mim aquilo era muito perto. Ele estava com a roupa do time de futebol, provavelmente estava vindo treino. Eu apenas balancei a cabeça freneticamente. - Por que sempre que te vejo está com comida no cabelo? - Ele riu tirando um pedaço de cenoura que estava grudado no meu cabelo, fruto de Rosé. Eu achei que tinha limpado tudo.
- Deixa o cabelo brilhoso. - Brinco e ele rir novamente, seus olhos fechadinhos por conta do sorriso eram meu paraíso. Park Jimin estava falando comigo normalmente depois de ter me ignorado desde o dia na quadra. Por que ele estava sendo legal?
- É melhor levantar desse chão frio. - Ele levanta me esticando a mão. Aquelas mãos pequeninihas e macias que eu sempre sonho em tocar novamente. As seguro e ele me puxa.
- Por que... - Eu ia perguntar sobre o por que ele estava sendo legal, porém Rosé chega me interrompendo.
- Jimin! O que está fazendo? - Ela olha para mim com desprezo.
- Conversando? - Ele diz óbvio me fazendo rir.
- O que eu falei, amor? - Ela começa a passar suas mãos pelo rosto dele e depois sussurrou alguma coisa em seu ouvido. Ela me olhou e depois começou a beijar Jimin. Eu achei que já estivesse acostumada, mas doeu como a primeira vez. Sai de lá e fui para aula. Ela com certeza ainda está enfeitiçando meu pequeno príncipe.
[...]
Meus pensamentos na aula eram só em como eu iria quebrar o feitiço da bruxa. Rosé era bonita charmosa e persuasiva. Eu era normal, lerda e lesada. Eu tinha que me aproximar de Jimin e desmascarar Rosé, ele não a conhece direito!
- Alana! - Ouvi o professor gritar e me assustei, olhei em volta e todos me encaravam. O que está acontecendo? - Sua vez... - Ele completa.
- Minha vez? - Questiono confusa. Eu devia ter prestado atenção na aula.
- Pegue um papel e quem você tirar será seu parceiro. - Ele diz calmo. Agora lembrei que antes de cair nas profundezas dos meus pensamentos ele havia falado sobre um trabalho. Peguei o papel abrindo devagar. Como eu queria tirar o Jimin, assim poderia me aproximar dele sem Rosé interferir... seria a chance perfeita.
- Jeon Jungkook. - Digo frustrada. Até parece que seria igual nas histórias, onde tudo conspira a favor da protagonista, definitivamente eu não estava em um conto da Disney.
O garoto solitário, Jeon Jungkook, era meu parceiro. Ele era igual a mim e não tinha amigos, mas com uma grande diferença de que ele quis assim, já eu, ninguém quer se aproximar mesmo. Ele era um pouco estranho, sempre de preto e com a cara séria. Tinha uma fama de badboy, mas espero que a gente se dê bem.
Assim que acabou as aulas o garoto solitário vem até mim.
- Então, como faremos esse trabalho? - Jeon diz sem cerimônias.
- Ah... podemos ir para a biblioteca...
- Sem chance, não quero ficar nessa m***a nem um segundo a mais. Vamos para sua casa. - Não soou como um pedido. Eu não queria contrariar, não sei porque, mas comecei a ter um pouco medo dele. Só que, não podia leva-lo para minha casa.
- Ok. - Digo hesitante. Ajeito minhas coisas para saírmos da escola.
Fui seguida silenciosamente por Jungkook até minha casa. Confesso que não sei no que isso vai dar, ele não parecia está nem aí. Com certeza vou acabar fazendo tudo sozinha.
Chegamos em minha casa e ela estava vazia. Meus pais estavam no trabalho e ainda bem porque se vissem Jeon aqui eu seria dilacerada. Subimos até meu quarto para pegar livros e meu notebook.
- O que isso? Estou no quarto de Regina george? - Ele diz ao entrar no meu quarto.
- Como assim?
- Isso aqui é o inferno rosa. - Ele rir soprado. Foi a primeira vez que vi ele sorrir. Meu quarto era um pouco rosa sim, já que minha cor favorita era rosa, mas não acho que chega a ser um "inferno rosa" ou quarto de patricinha.
- Eu gosto de rosa. - Dei de ombros.
- Sério? Jurava que sua cor favorita era verde. - Ele diz irônico me fazendo rir. Mas por que isso o incomoda?
- Está certo, senhor emo gotico das trevas, vamos ao trabalho. - Digo saindo do meu quarto. Escuto ele rir novamente. Uau, fiz o bad boy sorrir.
Fomos para a sala e comecei a ler enquanto ele procurava sobre o assunto no meu notebook.
- "Como retirar os pelos do..." - Ele diz olhando para o notebook. m***a, ele tava lendo minhas buscas?
- Ei! Não leia isso! - Digo jogando uma almofada nele.
- p***a garota, não faz isso. - reclamou.
- Então não fique bisbilhotando as pesquisa dos outros! - Ele revira os olhos e faz de conta que nem ouviu.
Como lidar com alguém assim?
- "Como se conquista alguém que não te da bola" - Ele começou a rir e eu retiro o notebook dele.
- Você é um i****a! - Reclamo. Ele começa a rir novamente.
- Que foi? A crush não tá te notando?
- Não é da sua conta - Eu já estava sem paciência, esse moleque é muito chato.
- Ok, agora me dá o computador para terminar.
- O que? Não!
- Anda garota sem birra. - Eu estava começando a ficar com raiva. - Eu não vou olhar suas pesquisas, anda. - Ele diz sério. Entrego o aparelho hesitante.
- Se você olhar de novo eu vou furar sua língua! - Ameacei.
- Não deveria ser os olhos?
- Tanto faz, é só para fazer você sentir dor! - Novamente o fiz rir e ao observa-lo percebi que o mesmo tinha um sorriso fofo, totalmente ao contrario dele.
- "Como derrubar a hierarquia da escola" - Novamente ele lê.
- Ah, não!
- Você quer fazer uma revolução na escola ou quê? - Ele diz brincando.
- Na verdade sim! É e******o, mas esses populares se acham melhores do que os outros e que isso dá direito sobre nós. Acho que alguém tem que acabar com isso. - Ele devia está me achando a pessoa mais ridícula, mas não tô nem aí.
- É. Eu vi o que as linguiças de salto alto fizeram com você - "linguiças de salto alto"? Essa eu vou usar. - Por quê não se defendeu?
- Eu sei lá, quando estou perto delas me torno covarde.
- Realmente alguém tem que acabar com o egocentrismo daqueles babacas. - Ele diz e eu começo a rir. Realmente está concordando comigo?
- Eles fizeram algo a você?
- Não, eu só desgosto de pessoas fúteis... - Diz simplista.
- Devíamos nos aliar, o que acha? - Digo e ele sorri sarcástico.
- E o que exatamente faríamos?
- Planejar uma "despopularização" dos babacas e fazer da escola um lugar melhor!
- Você é doidinha. - Ele diz balançando a cabeça negativamente. - Quando começamos? - Ele completa e eu fico surpresa. Eu estava realmente me aliando ao bad boy solitário? Será que somos amigos agora?
- Então agora somos uma dupla! - Digo animada. Eu estava montando meu "exército" contra Rosé e sua turma.
- A sapatão e o gay contra as linguiças de salto. - Ele diz, o que me fez desmanchar meu sorriso. Não acredito que ainda achavam que eu era lesbica.
- Eu não sou sapa... Você é gay? - Pergunto de boca aberta.
- Sim... Você não é lésbica?
- Não! Aquilo só foi um boato que Rosé espalhou. - Eu ainda estava perplexa. Jeon Jungkook era gay? Com toda aquela pose de bad boy? Estou realmente passada.
- Mas pelo jeito que você se veste acho que isso ajudou um pouco - Ele debocha.
- Já você se esconde bem nessas roupas. - Retruco.
- Eu não escondo nada. Só não saio por aí contando sobre minha sexualidade. - Isso doeu.
- Olha até que você não é tão i****a como pensei.
- E você não é tão nerd e esperta como pensei.
- Na verdade, esquece o que eu disse. - Ele conseguiu estragar o clima de "você não é como eu pensava"
- Estou brincando. Eu achei que você era mais songa monga, mas até que é divertida. - Isso já é um começo.
- Pra falar a verdade, eu sempre quis um amigo gay!
- Quem disse que somos amigos? - O sorriso que tinha em meu rosto desapareceu. Por que ele é assim? - É por isso que não sou amigo de hetero, vocês só falam estupidez.
Acho que ofendi ele, não era minha intenção.
- Desculpa se te ofendi, b****a - Digo sussurrando a última palavra.
Voltamos ao trabalho e mesmo com nossas diferenças, conversávamos de boa. Jeon Jungkook as vezes era desagradável, porém é muito legal. Mesmo não me considerando uma amiga, eu o considerava, pois agora eu não estava mais sozinha. Talvez com a ajuda dele conseguisse conquistar meu pequeno príncipe. E é claro, por a Rosé em seu lugar.
Éramos a dupla perfeitamente imperfeita. E eu sei que vamos conseguir.