O despertador toca às seis horas em ponto. Mais um dia, um dia igual ao de ontem, em suas alegrias e tristezas, o mesmo sol, as mesmas nuvens no mesmo lugar, como se fossem pintadas na tela azul do céu. O canto dos pássaros como num disco de vinil arranhado. E ele que gostava do canto dos sanhaços... A campainha da porta toca. - Mauro, passe amanhã - grita da cozinha sem se dar ao trabalho de ver quem é. - Mas você disse isso ontem - responda Mauro. - E direi o mesmo amanhã e depois de amanhã. Responde passando manteiga no pão, o mesmo pão de ontem, que será também o de amanhã. Os passos de Mauro descendo as escadas, a porta da rua batendo, os pneus do carro derrapando na rua e quase atropelando Mauro que escapa por um triz. Antes ele corria à janela para ver o que havia ac

