O ronco daquele animal morrendo, buscando desesperadamente pelo ar que desaparecia, desaparecia aos poucos de seus pulmões e, rarefeito, os ressecavam e queimava, lentamente, confundia-se em minha mente ao ronco do Gordo cochilando, cochilando e aprisionando os olores virginais da primavera inocente no cárcere guloso de sua carcaça disforme. A expressão nos olhos do pequeno cão era tão intensa... ora, tão intensa que se diria humana facilmente, se eu tivesse fotografado apenas as suas íris, com aquelas pupilas dilatadas e o sopro da morte fazendo a elas o que o vento faz à chama de uma vela esquecida do lado de fora da casa, antes da tempestade que se avoluma no horizonte. Sim, eu tenho que fazer poesia disto! Ah, como me foi sublime a contemplação do bicho preso por uma co

