Capítulo 1

1134 Words
LIVRO 1: AMORES DIFÍCEIS LIVRO 2: AMORES IMPROVÁVEIS (ESSE É O LIVRO DOS FILHOS CRESCIDOS, QUE SE PASSA CERCA DE 15 ANOS DEPOIS...) “O amor é o começo e o fim de tudo.” Era uma sexta-feira gelada, dia de pagamento, e o restaurante estava lotado. A família estava toda reunida, festejando o aniversário de Lidi, mãe solo de dois meninos lindos: Bernardo, um rapaz, e Davi, um pirralho super fã do irmão. Não era qualquer família, ah, não! Era simplesmente AQUELA que não se larga por nada. Falar de Ohana sem se lembrar deles é inevitável. “Ohana quer dizer família. E família quer dizer nunca abandonar ou esquecer!” O Bê estava tocando violão e cantando sertanejo, uma de suas músicas preferidas, “Fogueira”, de Jorge e Mateus. Eles viviam expondo suas vidas nas redes sociais, principalmente ele, os irmãos e os primos, que postavam tudo. Assim que deu uma pausa, foi mexer no celular, porque tinham chegado algumas mensagens. Recebeu simplesmente uma foto sua no palco, enviada por sua amiga virtual, “Nêmesis”, um nome muito diferente que ele nunca acreditou ser real, mas não se importava com isso. Afinal, eram jovens e, se alguém tinha motivos para usar um fake, um perfil falso, depois de conversarem por meses, ele deduziu que não devia ser nada grave, apenas timidez. O nome era como o de uma deusa. A Nêmesis grega, no entanto, era uma deusa da segunda geração, filha da deusa Nix. Alguns chegaram a indicá-la como filha do próprio Zeus com a deusa Têmis. De todo modo, ela também vivia no Olimpo e representava a vingança divina. Mitologia não era a praia dele. Aquele perfil o adicionou e comentou sobre uma música cujo vídeo ele havia postado cantando, “Essa Eu Fiz pro Nosso Amor”, de Jão. Ela disse que podia sentir os sentimentos na voz dele. Ele riu e disse que gostava de interpretar, mas que não compartilhava, de fato, daquelas coisas em sua vida, porque não estava amando. Ela riu, puxou assunto e o desafiou a cantar um rock. Super tranquilo, como sempre foi, ele quis saber quem ela era e perguntou o porquê do fake com foto de flor. Ela não disse nada por dias, até que ele postou um vídeo cantando rock e ela respondeu, elogiando-o. A partir dali, trocaram contatos e começaram a conversar todos os dias, pelo menos com um bom-dia e um boa-noite. Ela fazia perguntas aleatórias sempre, soube praticamente tudo da vida dele, acompanhava as postagens e via aonde ele ia, quando estava com a irmã ou a prima. Já conversavam havia cerca de dois meses. Ela dizia odiar áudios e o proibiu de mandar, mas, pela primeira vez, enviou um de madrugada, chorando. — Bê, tá acordado? Não tô bem! Pode conversar comigo? Ele estava terminando de fechar o restaurante, ficou surpreso, ligou e ela não atendeu. Atencioso, mandou uma mensagem perguntando o que tinha acontecido. Ela disse que havia brigado com os pais e que apanhou. Conversaram durante horas por áudio. Ela mentia sobre tudo, a idade, os estudos, e ele simplesmente acreditava. Por isso, viraram amigos virtuais. Com o tempo, ele começou a ter interesse em vê-la, pedia para ela ir até lá ou encontrá-lo em qualquer lugar, mas, com desculpas e respostas vagas, ela só enrolava. Até aquele dia em que foi e mandou a foto. Ele ficou curioso e, com um sorriso bobo, olhou para os lados e saiu até a rua, procurando-a. Ela parou de responder e estava lá fora, espiando de longe. Maria Cecília prima dele, saiu atrás dele e o abraçou por trás, debatendo com Zaya irmã dele. — Menina, você tá muito chata! Bê, dá um jeito na sua irmã, por favor? Me explica como a gente vai junto na moto, hein? Você parece uma pena, ok, mas não dá. Ele guardou o celular meio que rapidamente, e Zaya falou, curiosa: — Chata é você! Custa ir dormir comigo? Bê, tá falando com quem? Ele foi se afastando, voltando para dentro e rindo. — Com ninguém! As duas são chatas. Eu vou pra casa da vó. Satisfeitas? Super dramática, Zaya já ficou de bico e foi se sentar no balcão para reclamar dele com a mãe. Maria sentou perto, sentida. — Madrinha, eu vou embora, tá? Minha mãe não vai me buscar no domingo. Prefiro ir com ela, daí. Com os olhos marejados, Zaya interrompeu, irritada. — Ah, Mah, para! Você ia ficar, agora vai ficar assim comigo? Mãe, eu só queria sair com eles também. Desculpa, tá? Vai lá, eu vou embora com minha mãe mesmo. Rui se aproximou, abraçando-a. — Que foi, filha? Já começaram a brigar? A gente nem cantou parabéns ainda. Melindrosa, ela disse que não estava brigando, só que queria sair. Maria levantou, cedendo à chantagem emocional da prima. — Eu não vou sair, nem queria mesmo. Vamos dançar, sua boca de caçapa! Elas se abraçaram, e Bê passou por elas. — Comigo ninguém dança, né? Vou dormir na minha vó e sozinho, acordar tarde, sem ninguém enchendo o saco de madrugada, rindo igual uma hiena. Os três foram para a pista de dança, brincando e rindo. Kaori, mãe de Zaya, falou antes de virar um copo de cerveja: — Vão dormir os três em casa e ficar rindo de madrugada feito hienas. Rui concordou. — É, sua filha consegue tudo o que quer. Vamos dançar? Ela disse que difícil era os três se desgrudarem. Todos estavam se divertindo e dançando, e Bê voltou a cantar, ficando com aquele olhar apreensivo de quem estava esperando alguém chegar. Cerca de uma hora depois, a fake mandou mensagem. — Não tô aí, não. Só passei. — Você é diferente pessoalmente. Ele perguntou se não podiam se encontrar. Ela dizia morar em outra cidade e que, quando ia para lá, ficava na casa de uma tia. Falou que não podia sair àquela hora e pediu para ele dizer como a imaginava. Ele disse que era morena, baixinha e com olhos castanhos. Ela não respondeu nada. Já estava diferente nas conversas da última semana e, no fundo, ele ficou irritado, com a sensação de que estava sendo tapeado. Chegou a conversar com Pedro, o primo mais chegado, falou sobre aquilo e mostrou prints. Ele era influencer, jogador de futebol e não viu aquilo com bons olhos. Garantiu que devia ser alguma conhecida e o aconselhou a parar de dar moral, para ver se a admiradora saía do esconderijo. Bernardo era um rapaz esforçado. Saiu do colegial direto para a faculdade de Direito e estava em dúvida sobre seguir carreira militar, como o tio, ou ingressar na polícia, que era de grande admiração desde pequeno. Sempre foi muito ligado à família e tinha praticamente três casas.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD