Diariamente, ficava na casa de Sílvia, sua avó de coração, que o adotou como neto quando ele tinha seis anos. Aos finais de semana, geralmente às sextas-feiras, ficava na casa de seu pai, com sua segunda mãe, Kaori, e sua irmã caçula. Aos sábados, durante o dia, ainda ficava lá e, à tarde, ia ficar com a mãe, Lidiane, ajudar no restaurante e dar atenção ao irmão Davi também.
Bê era um rapaz de ouro, sempre foi desde pequeno. Sua criação foi impecável, ele não mexia com nada errado, nem palavrões falava, porque, na casa da vó Sílvia, era inaceitável. Eles frequentavam a igreja juntos, ele sempre foi amoroso com todos, sensível, amigo da natureza e dos animais, um verdadeiro príncipe.
Apaixonado por motos, também gostava de festas e de dançar de tudo. Desde novo, gostava de exercícios, e seu corpo definido, combinado com a simpatia, era um chamariz de mulheres, incluindo as mais velhas. Mas ele não era tão namorador, tinha algumas ficantes às vezes, mas nada sério. Nunca havia namorado.
Eles eram um trio inseparável: Bernardo, Zaya( sua irmã ) e Maria ( sua prima). Como o mais velho, ele ensinava coisas e chamava a atenção quando preciso fosse, mas também as mimava demais, desde sempre.
Maria Cecília, um pouco mais nova que ele, era uma jovem bastante comum. Amava a dança e vivia com fones de ouvido. Sempre foi calma e maleável, também tímida, raramente falava com estranhos e não gostava de sair sozinha. Amava a internet e tinha gostos peculiares: músicas antigas e roupas diferenciadas.
Com dez anos, desenvolveu depressão, quando perdeu sua avó materna, e nunca mais foi a mesma. Às vezes, parecia que vivia em outro mundo. Sua mãe vivia lhe cobrando para reagir, mudar e se esforçar mais, e as brigas eram constantes.
Maria não ouvia e nem falava. Até as refeições ela fazia com os fones e, quando a proibiram, parou de comer. Seu pai, apesar de bravo, sempre foi muito amoroso e a mimava até demais. Ela tinha de tudo e nunca pedia nada.
Sua tia era seu porto seguro, sua confidente, e todos os dias conversavam. Letícia era a cabeça da organização criminosa. Sempre que algum dos jovens tinham problemas que os pais não deveriam saber, corriam para pedir ajuda a ela. Os conselhos sexuais também, já que a maioria deles era virgem: Zaya, Maria, Valentina, Davi.
Letícia era casada com seu primeiro namorado. Eles eram roqueiros, muito modernos, e ela trabalhava com banho e tosa desde o colegial. Optou por não ter filhos e era muito ligada à família também. A perda de sua mãe foi difícil, mas foi ela quem cuidou da irmã Bibi, sendo a forte.
Zaya era o xodó da família, a caçula, mimada por todos, um pouco desbocada, uma pimenta às vezes, também muito sentimental. Sempre foi dengosa, muito amorosa e educada com todos. Começou a fazer balé aos três anos, também com gostos peculiares como os de Maria.
Amava roupas de brechó, acessórios chamativos, estilo das coreanas, se considerava um espírito livre, adorava coisas esotéricas, super good vibes e preguiçosa. Levava a escola como era necessário, pois o lado estudioso do pai e da mãe ela não puxou.
Aquele trio conversava sobre tudo. Maria nunca ficava com ninguém e nem falava sobre isso. Zaya era cheia de crushes e adorava falar sobre eles. A mãe dela sabia de tudo, era super amiga e companheira. Bernardo, às vezes, falava sobre as ficantes, e a irmã morria de ciúmes. O pai sabia de tudo e sempre o aconselhava.
Ele estava havia meses sem nem beijar, por causa da falta de tempo. Era tão certinho que nem gostava de se tocar ou ver pornografia, ainda mais na casa da avó, onde ficava muito mais tempo. Suas experiências sexuais foram poucas. Perdeu a virgindade com uma moça mais velha, em uma viagem com Pedro seu primo, depois ficou duas vezes com outra, que também não sabia quase nada.
Com os hormônios à flor da pele e muita energia acumulada, às vezes ele tinha que se policiar, como aconteceu naquela sexta-feira. Depois de sair do restaurante, foi a um aniversário com Maria. Foram sozinhos de moto, porque mais ninguém quis ir.
Maria não bebia quase nunca, porque tomava medicações controladas, mas, naquele dia, não tomou de propósito. Chegando ao aniversário, encontraram Belinha a melhor amiga dela, caindo de bêbada, perguntando por Pedro, primo deles e ficante de Belinha. Ela era meio doidinha, pegava geral, meninas e meninos, era feminista, empoderada e desbocada. Foi logo insistindo para Maria beber.
Ela aceitou e já falou para Bê que estava sem remédio. Ele perguntou se estava tudo bem de verdade, já que ela tinha ficado estranha nos últimos dias. Ela garantiu que sim e foi dançar funk. Depois de um tempo, Belinha levou os dois para brincarem de verdade ou consequência. Ela era muito amiga de Maria, e Zaya até se mordia de ciúmes.
Começaram a jogar. Estavam os três, um rapaz e uma menina. Maria foi desafiada a beijar ou beber e, já preocupado, Bê entrou no meio.
— Mah, já bebeu bastante, né?
Belinha retrucou, rindo.
— Ai, como você é careta, Bê! Mah, beija! Pode escolher eu, imagino que não, ou ele. Ou os dois ali juntos. Escolhe, tic-tac!
Ela ficou mais séria, olhou para ele e se aproximou. Deu um selinho, e ele ficou meio sem graça também. Ia girar a garrafa, mas Belinha a segurou.
— Isso não é beijo! Eu acho que você é BV, Maria Ciça! Que medo!
Ele não gostou e foi se levantando.
— Mah, vamos, vai! Tá tarde já. Tchau aí, galera!
Ele a pegou pela mão e, assim que saíram do quarto, ela se soltou.
— O que foi? — Perguntou irritada.
Ele disse que nada, e foram embora. Ela ficou quieta, incomodada. Era de madrugada, e Kaori e Rui estavam dormindo.
As coisas de Maria estavam no quarto da Pitica, e ela não estava lá. Maria não disse nada, foi tomar banho e se deitou. Ele foi se deitar no quarto dele e mandou mensagem.
— Tá acordada???
— Vai me ignorar???
— Mah??
Ela ficou sentida mesmo e respondeu.
— Tá bravo comigo? Porque eu bebi??
— Eu nunca saio e nunca gosto de ir a festas. Quando eu queria ficar, você não deixou.
Ele pediu desculpas, mas ela não respondeu. Logo, foi até lá e viu que ela estava chorando. Deitou-se na cama, por cima do cobertor, e, cochichando, começou a acariciar a mão dela.
— Não tô bravo, eu só fico preocupado. Não gosto do jeito que a Belinha te induz a fazer as coisas! Não é certo.
Ela recuou a mão.
— Achou ru.im porque te dei um selinho, eu quis dar, podia ter dado nela ou nos outros. Não custava nada você ter me beijado!
Meio sem jeito, ele perguntou se ela queria um beijo, ele se referiu à brincadeira e ela imaginou que era na hora, foi se aproximando e o beijou lentamente, chupou a boca o sentindo, ele fez o mesmo, se ajeitou deitado ao lado dela e começou a beijar de língua, a porta estava aberta como sempre foi, ela pegou a mão dele, o fez apertar seus s.e.i.o.s e foi descendo, encaminhando até sua calcinha, ele recuou a mão, falou apertando a cintura dela por baixo do pijama.
— Mah, acho melhor parar. Eles podem levantar, é errado!
Ela foi passando a mão, o sentiu ex.cit.ado, duro.
— Bê, eu quero tentar, confio em você e ninguém vai saber de nada, é segredo nosso. Vamos tentar!