João falou com graça:
— Iiii, moio o rolê, parceiro!
José disse que Vê tinha ido estudar. O menino estava interessado nela, mas nunca sequer tinha sido notado. Ela não era do tipo que ficava de namoro.
As meninas foram para a cozinha fazer pipoca e brigadeiro. João perguntou se elas iam querer beber alguma coisa, pois os meninos iriam buscar bebidas. Kaique se aproximou, olhando para as panelas.
— Eu sei fazer uma caipirinha daora. Você gosta, Maria?
Ela balançou a cabeça, indicando que não. Estava muda, mexendo o brigadeiro, enquanto os outros conversavam sobre bebidas e queriam pedir pizza. O rapaz insistiu:
— O que você gosta de beber? Gin? Ice? Vinho?
Ela estava prestando atenção à conversa dos outros e respondeu sem sequer olhar para ele:
— Eu não bebo!
João tinha levado os dois já com a intenção de formar pares com as primas. Todo desconcertado, Kaique se afastou.
Belinha saiu com João para comprar as coisas. Todos estavam na sala, menos Maria. Layza tinha acabado de ir levar os copos quando Kaique entrou na cozinha.
— Maria, onde tem...?
Ele a encontrou perto da pia, chorando baixinho. Ao se aproximar, viu a panela caída dentro da pia.
— O que foi? Se queimou? Deixa eu ver!
Ela mostrou a mão, falando baixinho:
— Não foi nada. Tá tudo bem!
Meio perdido, ele a abraçou, percebendo o quanto ela estava abalada. Perguntou se queria ir ao pronto-socorro ou à farmácia. Layza levou um susto ao vê-los naquela situação.
Maria preferiu ir à farmácia e insistiu para que ninguém fosse junto. Kaique a levou. No caminho, ela explicou que tinha sido sem querer. Ele disse que sabia, e ela respondeu, chorando:
— Pode falar que viu? Eu me queimando?
Ele entendeu tudo.
— Beleza, mas você tá bem?
Ela disse que sim e agradeceu.
Assim que saíram, Layza comentou com José:
— Mô, eu acho que foi de propósito. Ela não tá bem!
Ele pediu que ela não contasse aquilo a ninguém, pois depois conversariam com Maria a sós.
Quando Belinha voltou, toda animada e descabelada por estar ficando com João, sentiu-se culpada e quis ir atrás de Maria.
Eles nem atenderam às ligações. Kaique sequer deixou Maria pagar pelo curativo. Foi muito gentil e ainda fez brincadeiras para tentar distraí-la.
Quando estavam voltando, ela falou, sentida:
— Eu te pedi pra mentir porque eles vivem preocupados. Eu tenho depressão e, às vezes...
Ele a interrompeu:
— Eu sei. João comentou que você não toma bebidas por isso. Tudo bem, acredito em você!
Ela confessou que tinha feito de propósito mesmo. Estava arrependida e envergonhada, mas ele a interrompeu, acariciando seus cabelos enquanto dirigia:
— Tá bom, não vou contar. Se precisar conversar, pode confiar em mim. Eu sei como é. Minha mãe também tem, e são fases. Se quiser, te passo meu número. Pode me chamar sempre.
Ela agradeceu e salvou o contato dele.
Assim que entraram, Belinha correu para dar atenção à amiga. Kaique falou como quem não queria nada, brincando:
— Fui oferecer ajuda, mas a Maria não queria dividir tanto assim. Segurou a panela na nóia pra eu não pegar. Eu senti a dor em mim! Não te ajudo mais, Maria. Eu não sabia se socorria ela ou o brigadeiro!
Eles começaram a rir. Layza perguntou, especulando:
— Você viu ela queimar a mão? Por que não salvou o brigadeiro?
Ele se sentou no tapete, perto dos pés de Maria.
— Eu vi. Tava lá te atrapalhando, né?
Ela concordou e ficou quieta, assistindo ao filme.
Depois do primeiro filme, a pizza chegou. José e Layza foram embora, e os outros começaram a assistir a outro.
João mandou mensagens para Belinha, chamando-a para dormir na casa dele e falando sobre sexo. Os dois começaram a conversar com risadinhas. Era nítido que estavam trocando mensagens.
Maria estava se segurando ao máximo para continuar ali perto. Antes de o filme acabar, disse que ia se deitar.
Léo estava superdesanimado, e Kaique falou que era melhor irem embora. Os meninos iam sair para uma festa. Belinha se animou e começou a chamar Maria, dando a entender que não iria se ela não fosse. Acabou induzindo a amiga a acompanhá-los.
Os meninos foram embora para se arrumar. Maria foi tomar banho e colocou uma roupa superchamativa: shorts jeans curto e desfiado, body decotado e tênis.
Belinha vestiu shorts, tênis e um cropped que parecia um sutiã. Estava superanimada e nem se preocupou em perguntar se Maria realmente queria ir.
Cansada e com raiva, Maria saiu já m*l-intencionada. Não avisou aos pais.
João foi buscá-las de carro. Assim que chegaram à festa, realizada em uma chácara, encontraram os outros dois.
Maria virou um copo de gin. Na distração, os outros nem perceberam direito. Só Kaique reparou, porque estava olhando fixamente para ela.
Apesar de tímida, Maria amava dançar de tudo. Começou a rebolar até o chão e chamou muito mais atenção do que Belinha. Flertou com Kaique e logo estava dançando encostada nele. Também começou a beber junto com ele.
Belinha a questionou:
— Mah, você tomou remédio? Falou que não ia beber hoje.
Maria a ignorou e saiu andando com Kaique. Ele também a questionou, negando-lhe outro copo:
— Maria, não vai te fazer m*l beber assim?
Ela já estava bêbada. Como não tinha o hábito de beber, não precisou de muito para ficar alterada. Aproximou-se dele e falou:
— É, vai... Não sei. Não devia ter vindo. Vou embora!
Ele a segurou pelo braço.
— Espera, eu te levo.
Quando Maria foi avisar que estava indo embora, Belinha achou o máximo e praticamente a empurrou para ficar com Kaique.
Ele a levou para casa com gentileza, mas não ganhou nenhum beijo. Maria se deitou e logo dormiu. Os pais ainda não tinham chegado.
Mais tarde, Belinha chegou na ponta dos pés com João. Os dois foram se deitar na cama auxiliar do quarto de Maria.
Ela acordou e percebeu que eles estavam se agarrando e cochichando. Ouviu tudo. Os dois tiveram relações sexuais, acreditando que ela estivesse dormindo.
Maria esperou algum tempo depois que terminaram. Então, saiu do quarto de madrugada, passando m*l, e foi bater à porta dos pais. Pediu para dormir com eles.
Estava tendo um ataque de pânico, suando frio e tremendo. Chegou a vomitar duas vezes.
Bibi logo imaginou o que poderia ter acontecido e perguntou se Maria tinha bebido e o que havia acontecido.
Ela admitiu que tinha bebido e começou a chorar muito. Precisou ir ao hospital para tomar um calmante na veia.
Os dois ficaram muito bravos, mas cuidaram dela até amanhecer.
Quando chegaram em casa, Pedro estava dormindo no sofá, e Belinha estava no quarto. Maria pediu para ficar no quarto dos pais. Por causa da medicação, acabou dormindo.
Antes de pegar no sono, disse que não queria ver nem falar com Belinha.
Bibi ficou muito abalada com a situação. Quando Belinha acordou, fez várias perguntas à filha. Ela explicou que Maria tinha ido embora sozinha e cedo, mas recebeu uma resposta atravessada:
— E você largou sua amiga vir embora com um cara? Bêbada? Muito boa amiga você! Arruma suas coisas, que eu vou te levar embora.