Capítulo 4

2166 Words
A Maria não era muito de fazer amizade fácil e tinha uma amiga virtual há meses, o perfil era no nome de "Nix - A Deusa dos segredos e mistérios noturnos, rainha dos astros noturnos. Também se acreditava que Nix tem total controle sobre vida e morte, tanto dos homens como dos Deuses. Ela era mãe de Nêmesis na mitologia" A foto no perfil era de uma deusa, a Maria adorava coisas esotéricas, postava fotos que não mostravam bem seu rosto e adorava pessoas de personalidade destoante como ela. Nix falava muito, comentou ser depre.ssiva e od.iar a própria vida nas primeiras conversas, a Maria se identificou, contou que era depr.essiva também, logo abriu a vida toda desde a infância, então Nix sabia de tudo, todos os dias elas conversavam, assistiam "juntas", comentando tudo por mensagens. Logo no começo ela pediu pra amizade delas ser segredo, porque ela entrava em colapso só de imaginar alguém famosa, bonita como a Belinha ou a Zaya, olhando as conversas delas, as duas eram tipo influencers e a Belinha tinha mais de cinquenta mil seguidores, o fake fez todo um drama e a Maria caiu, raramente conversavam por ligação, então a Maria tinha a certeza de que não era ninguém conhecida. Durante uma crise, ela pediu pra fazer chamada de vídeo, estava triste pensando em se mac.hucar, falou isso e que as pessoas ao redor, a família, não a entendiam, elas realmente eram amigas apesar das mentiras, a Nix ficou super preocupada, aceitou fazer a chamada, mas sem mostrar o rosto, mostrou que se cort.ava quando não estava bem, a Maria já havia feito aquilo duas vezes, falou que ia fazer, pra não fazer algo pior, a Nix ficou olhando e decidiu fazer igual pra "dividir" a d.or, a Maria não queria que ela se mach.ucasse e por isso desistiu. Depois aconteceram problemas com a Nix e sua mãe, ela encontrou um isqueiro na mochila da escola, lhe deu uma su.rra, ame.açando queimar o cabelo, tirou o celular, negava até comida, as duas ficaram dias sem conversar, quando ela voltou contou tudo, a mãe era tóx.ica, abu.siva e na.rcis.ista, ela estava sofr.endo muito, havia se cor.tado e mostrou, na mesma hora a Maria foi fazer igual, chor.ando pela d.or da amiga, deixou a Nix desesperada, se sentindo culpada, ficaram com um corte no mesmo lugar, igualzinho, no braço, os ânimos se acalmaram, a Nix entendeu o recado, sobre não estar sozinha, e claro não queria a amiga se prejudicando por ela, depois a Maria chamou atenção dela, falou que era pra uma ajudar a outra, se cuidarem juntas, ainda brincou sobre serem irmãs de cicatriz. No dia seguinte que a Maria perdeu a virgi.nd.ade ela não estava bem emocionalmente, e queria conversar, chamou a Nix pra contar, disse que foi com alguém especial que ela amava muito, mas que foi ru.im o tempo todo, acabou falando que gostava muito de alguém, que era tipo proibido, porque a família não ia aceitar e o pai dela ia su.rtar, a mãe piorou, a Nix aconselhou ela a falar com a pessoa pra ver se era recíproco, abrir o coração e esquecer do resto, porque a adolescência servia pra aquilo, errar, aproveitar, viver intensamente. Logicamente a fake não era só amiga do Bernardo, ela pensava em tudo, com vários perfis bloqueava cada um de seus alvos e ia fazendo amizade sem amigos em comum pra não chamar a atenção. Quando soube da fofoca, correu chamar o Bê caçando assunto, ele comentou que estava chateado, mas não disse o porquê, nem conversaram muito. Ela ficou com raiva da Maria por deduzir que ela tinha perdido a virgindade com ele, começou a ignorar e mostrava estar on, todos voltaram à rotina, menos a fake, ela ficou em cima da Maria querendo saber mais coisas, soube dos detalhes de como foi a primeira vez dela, a crit.icou dizendo que ela parecia fal.sa muitas das vezes, chamou de narci.sista, fez de tudo pra brigar, a Maria estava confusa consigo mesma, achou que a Nix gostava dela de uma maneira diferente, a mais que amigas, porque foi o que pareceu e não era a primeira vez, pediu pra se encontrarem pessoalmente, levou um esp.orro sobre não respeitar o espaço e a vontade dela. A Nix disse que, se a Maria gostasse mesmo dela, não tinha ido tran.sar com o próprio primo, falou até que tinha noj.o dela fazendo inc.es.to e a bloqueou em tudo. A Maria ficou arrasada, sem poder falar nada pra ninguém, se isolou mais que o normal, quase não comeu a semana toda, parou de ir às aulas de dança, brigou com a mãe e ficaram sem conversar, de longe o Bernardo começou a ficar preocupado, ela parou de conversar com todos, na verdade, ele estava achando que a culpa era dele, por pouco não contou para a Lidiane, sua mãe, o que aconteceu. No outro fim de semana a Bibi fez a Maria ir ficar na casa da madrinha, era aniversário da Belinha, até a Valentina (Vê) foi, ela era temperamental, observadora e metida, adorava moda e fotos, mas não era tipo blogueira como a Zaya, ela fazia tudo pra si mesma, era a menos sociável da família e super bocuda, dizia tudo na lata, quase todo atrito ela estava no meio, sempre xing.ando os outros, falando umas verdades, super estudiosa, ia pra escola técnica período integral e, do seu jeito, era amiga da Maria, elas moravam perto e tinham um lance de ficarem juntas sem fazer nada várias vezes na semana, cada uma no seu mundo, geralmente uma assistindo, ouvindo música e a outra estudando. Mesmo recebendo recusas, não existia um passeio que a Vê fosse sem convidar a Maria, ela também não ficava perguntando coisas das quais sabia a resposta, as pessoas batiam nas mesmas teclas com a Maria e, mesmo querendo ajudar, às vezes não dava tão certo. Quem montou o look da Maria foi a Vê, elas estavam com vestidos curtos agarrados ao corpo, a Zaya foi de cropped e saia, eles se encontraram na casa do Pedro, já começaram a beber, tirando e postando fotos, o Bernardo foi um dos últimos a chegar, foi logo falar com a Maria, ficou abraçado um pouco de canto, o Pedro perguntou o que estava rolando, a Maria contou pra eles que não estava bem, mas que era coisa dela, uma má fase. O Pedro era famosinho, jogador de futebol, tinha dado o camarote para a Belinha de presente na balada, toda a galera estava reunida, até o José com a namorada, que eram super caseiros, foram, e o João, ele era muito namorador, não perdia tempo, a Tati, sua mãe, dizia que ele era o pai dele todinho, e o José igual a ela, mais tranquilo. Foram de van e a Maria sentou com a Vê e a Pitica no fundo, quando chegaram a Belinha já estava lá, com um vestido cheio de paetês prata, curtíssimo, decotado, ia ter uma festa na casa dela no outro dia, mas a Maria levou o presente, era uma pulseira que ela mesma fez, com os elementos que representam a Belinha, na entrada a Maria a abraçou, já ouviu crítica. — Que cara péssima, o que foi, em? Vai usar o vestido ou deixar ele te usar? Tá muito gata! Ela sorriu, mostrou o embrulho, foi abrindo enquanto a Belinha mexia no celular, ela mostrou a pulseira. — Fiz pra você, olha, é você todinha. A Belinha foi abraçar o João, tirou uma foto com ele, aí voltou a dar atenção ao presente. — Mah, é linda, eu amei, vou guardar, se não vai enroscar no vestido. A Vê ouviu, já ficou encarando com cara de doi.da, surt.ada, o João falou provocando. — E aí, prima, já vai começar? Desfaz essa tromba. Ela viu que a Maria ficou sentida, quase falando sozinha, a pegou pela mão, nem deu parabéns para a Belinha, foi entrando de cara fechada, xin.gou um cara que quase derramou bebida nelas, logo chamou o Pedro "mandando". — Ô, Pedro, manda servir um negócio aí pra Mah e a Pitica, elas não bebem, né. Vão ficar com sede a noite toda? O João era o provocador da turma, entrou no meio. — A noite toda, no caso dez minutos. Pedro, dá bebida pra essa menina parar de ser xarope. Quase todos estavam bebendo, dançando, e a Zaya era a mais animada, raramente ela podia ir com os mais velhos, pois não tinha nem quinze anos ainda, a Belinha ficava com o Pedro e todo mundo sabia, só que o Pedro era namorador, às vezes cada um ficava com outras pessoas e iam dormir juntos no final da noite, tran.sa.vam muito e não era segredo pra ninguém, eles eram maiores de idade. A Maria já não estava bebendo, se sentindo indisposta, só queria ir embora logo, foi no banheiro com a Belinha e viu ela usando "doce", chamou atenção dizendo que estava passando dos limites, sem dar a menor importância, a Belinha foi retocar a maquiagem, a olhando ela pelo reflexo do espelho. — Ahh, Maria Ciça, para de ser ch.ata, careta, isso é de boa, acho que você pode tomar até. É meu aniversário, você nem tá me dando atenção, não quer dançar comigo nem tirar foto. Vai, vem passar gloss! Contrariada, ela foi passar. — Eu que não tô te dando atenção? Você ma.u falou comigo, tá parecendo o próprio globo de festa. Belinha ofereceu "doce" rindo. — Quer experimentar? Qual o problema da minha roupa? A Maria foi saindo irritada. — Claro, se eu quiser mor.rer, quer saber, nem é má ideia, mo.rrer. Eu não devia ter vindo, você tá de graça com o João, aí depois vai lá dar pro Pedro. Logo vai pegar o Bê também. Belinha estava bêbada, foi atrás discutindo. — É, talvez eu dê para os dois ao mesmo tempo. O que que tem? Você tá muito estranha. Tá com ciúmes do João? Maria, que dro.ga! Ele andou falando de mim? O Bernardo encontrou as duas. — Eiii, o que foi, Mah, onde você vai? A Zaya encostou junto, notando a agitação. — O que foi, gente? A Maria falou que não era nada, foi sair de perto, a Belinha, alterada, a segurou pelo braço. — Nada? Ela não tá bem, acabou de falar que quer se ma.tar. Aí vai querer ir embora e já acabou com a minha noite. Porque eu vou ficar preocupada e ela tá com ciúmes. Tá brigando comigo no meu aniversário, é incrível isso. O Bernardo estava abraçado com a Maria, foi grosso com a Belinha. — Viu, já chega, não é assim que vai ajudar ela. Pode ir lá curtir sua noite, que a gente cuida da Maria! Você nem da família não é. Belinha se ofendeu. — Pois é, e vocês nunca me deixam esquecer disso. A Maria começou a chorar. — Desculpa, eu não devia ter vindo, não precisa se preocupar comigo. Não quero estragar a festa de ninguém. A Belinha ficou sentida, foi abraçar ela. — Não quero brigar com você, Mah, vamos dar uma volta, sair lá fora, vem comigo. Virada do avesso, a Vê chegou quase empurrando a Belinha e pegando a Maria pela mão. — Não, ela tá atrapalhando seu aniversário, vai lá curtir. A família dela vai dar um jeito. Ninguém tinha coragem de enfrentar ela, foram saindo juntos Bernardo, Pitica, Maria e Vê, revo.ltada ela falou horrores da Belinha, foram pra casa da Kaori, ela estava acordada assistindo, assustou com eles chegando tão cedo, a Vê já chegou indignada. — Tata, eu tive que vir embora ou ia dar na cara daquela Belinha, cachorra. Menina noje.nta, fico colocando a Maria pra baixo desde a hora que a gente chegou. Um lambe-lambe com o tro.uxa do João pra fazer ciúmes no Pedro, e ele nem aí. Eu fico com tanta ra.iva, pra que querer forçar os outros a fazer as coisas, cada um faz o que quer. Imagina o infe.rno que seria a vida da Maria se fosse se vestir do meu agrado? A Pitica riu muito. — Seria uó, a gente usa coisa de brechó e você nem repete roupa, seu pai é rico, né. Todos começaram a rir, foram se trocar e deitaram na sala em colchões, a Kaori fez brigadeiro, pipoca, o Bernardo falou feliz da vida. — Mãe, tem suco? Ah, que saudades disso, Maria, lembra? Eu cuidava de você e a gente odi.ava a Pitica atrapalhando nossas maratonas de desenho. A Kaori foi sentar perto da Maria, abraçada. — Era assim no começo do meu namoro, Maria no canto, eu, Bê, Rui, Pitica chegou bem depois. Como é bom ter vocês aqui juntos, minhas crias. — O que a minha Maria tem? A Belinha te chateou? Sua mãe me ligou hoje, está preocupada com você. A Pitica foi deitar em cima da Maria, carinhosa. — Xiuu, a gente vai assistir, mãe, não fica em cima, deixa ela quieta.
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