Capítulo 7

1068 Words
Ele já imaginou quem era. “Mas você já disse algo pra ela?” “Se é o que quer, seu pai vai ter que entender.” “Vou sempre te apoiar.” “Tô super chateado por não ter percebido nada e te traumatizado com a nossa experiência.” A Vê pediu pra parar na farmácia. O Hugo nem perguntou por quê, deu o cartão. Ela entrou sozinha, comprou um creme de cabelo, um batom, óleo de rícino e pílula do dia seguinte. Voltou para o carro bem tranquila, só com o óleo na mão e o resto das coisas na bolsa. — Pai, você viu o último vídeo meu e da Pitica? Da roupa customizada? Ele disse que sim e adorou. Ela continuou falando: — Eu gostei, mas não sei se quero expor meus testes. Esse óleo eu nunca usei, vou tentar fazer um vídeo de resenha. Mah quer dormir em casa pra me ajudar? Gravar? Ele olhou pelo retrovisor. — Iii, filha, Maria tá no mundo dela, com esses fones. Ela disse que então a resposta era sim. Foram direto pra casa. A Maria foi entrando e nem falou com a Lisa direito. Ao ficarem no quarto, a Vê falou, dando o remédio na mão dela: — Eu não sou X9, acho que devia confiar mais em mim. Tinha que fazer isso pra tirar a dúvida do que gostava? Logo com o Bê? Toda sem jeito, a Maria começou a ler a bula. — Você só sabe br.igar, dar sermão. É difícil falar as coisas assim. E pra que foi brig.ar com a Belinha? De novo? A Vê se deitou, rindo, no tapete. — Sua crush é ch.ata mesmo, não sei como gosta dela, sua tonga. Ela é uma p.ira.nha. Mas e aí, como foi sua primeira vez? Já que eu já sei, pode me contar melhor. Ela disse que não gostava da Belinha e contou como foi tudo com o Bernardo. A Vê era do tipo decidida, nem pensava em se perder cedo e muito menos em namorar. Focada nos estudos, achava uma grande perda de tempo os relacionamentos adolescentes. Conversaram bastante. A Maria falou ao Bê que tomou o remédio. Ele mandou mensagem agradecendo à Vê e se desculpando. Ela também pediu desculpas e disse que ia cuidar dela. Confessar seus interesses foi um breve alívio para a Maria, mas o medo de ser descoberta começou a lhe assombrar. Seu pai, muito rígido e br.avo, era precon.ceit.uoso e sempre foi super contra a amizade dela com a Belinha. Durante os dias seguintes, tudo pareceu voltar ao normal. No meio da semana, teve um feriado. O Pedro foi ao restaurante da mãe de Bernardo almoçar. O Bernardo estava lá trabalhando e sentou com o primo. Com a maior cara de pa.u, o Pedro fez piada sobre a Vê ser chata, a Maria chorona, o Bê pamonha e a Belinha pegajosa. Comentou que não iriam mais ficar, porque tinha perdido a graça e logo ela ia viajar a trabalho pra longe. Os dois se entenderam super de boa após o leve atrito por causa das meninas. À tarde, o Bernardo subiu para cantar pagode e o Pedro também. O restaurante estava um pouco cheio. Lá do palco, o Bernardo cruzou o olhar com uma menina loira de olhos azuis. Ela estava séria, de canto, em pé no balcão, encarando-o fixamente. Sorriu pra ele. Assim que deu, ele começou a se preparar pra descer, viu que ela saiu de lá e foi atrás dela. Demorou pra sair e não a encontrou. Falou para o Pedro: — Ei, você viu uma loira? Olhando pra gente? Baixinha, lá no canto, do balcão? Ele respondeu, debochado: — Olhando você, né, primo? Com cara de vampira soci.opata. Seu fã-clube é bem estranho, aquela roupa e a maquiagem forte, tá do.ido! Quem é ela? Ele disse que não sabia, mas ficou curioso. À noite, estava online e mandou mensagem para a fake: “Oi, sumida.” “Tá aí???” “Quero te mostrar uma coisa!!” Ela respondeu, disse que estava meio desanimada. Ele mandou um vídeo cantando uma outra música de rock que ela gostava e puxou assunto. Conversaram por horas. Ele suspeitou que a tinha visto, mas não disse nada. Ela agiu “normalmente” e ainda comentou que estava com problemas em casa, com a mãe. No fim de semana, a família marcou de fazer churrasco. Era aniversário da Lisa, todos iriam pra lá no sábado comemorar. A semana toda, a Maria conversou com a Belinha por mensagens, como de costume, e garantiu estar melhor. Pediu desculpas pela Vê. A Belinha falou que estava triste, com problemas com a mãe, comparou a família delas, dizendo que realmente queria ter uma como aquela. Os pais dela estavam passando por uma má fase, briga.ndo muito. A mãe dela era muito ciumenta e o pai nem aí pra nada. A Maria chamou ela pra ir ficar lá no fim de semana. O churrasco foi cancelado de última hora. O Hugo preparou uma surpresa para a Lisa e a levou para viajar na sexta-feira, para um resort na praia. No final do dia, a Pitica chegou já falando que queria ir pra casa dos primos. O Rui falou que era melhor não, porque a Vê já ia ficar com a Tati. Ela respondeu, frustrada: — E eu vou incomodar, pai? Poxa, eles vão ficar juntos, assistir filmes na televisão nova do padrinho. Minha madrinha tá me cobrando de ir lá faz tempo. Ele só riu e se deitou no sofá de olhos fechados. Estava cansado do trabalho. Ela falou toda dramática, bicuda: — Tá bom, então. Vou ficar sozinha em casa com vocês, segurando vela. Meu irmão vai trabalhar até tarde hoje! A Kaori encostou no sofá. — Filha, não é pra tanto. A gente pode assistir aqui também. Seu pai tá cansado, seja mais compreensiva! Amanhã você vai. Ela retrucou, indo para o quarto: — É, aí vocês vão ficar bebendo cervejinha, comendo porção, dando beijinhos, e eu de vela. Todo fim de semana vocês fazem isso. Eles ficaram rindo. O Rui falou: — E aí, amor? Levo ou não? Ela está cada vez mais difícil, não tem sossego. Ela disse que era melhor não, porque a Tati ia sair com o Maicon, o José ficar com a namorada, o João ir pra balada e a Vê dormir na Maria.
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