A decisão não foi dela.
Nunca era.
— Você não vai.
Leon disse.
Simples.
Final.
Morgana nem piscou.
— Eu sempre vou.
— Hoje não.
Silêncio.
Anna cruzou os braços.
— Ele tá certo.
Aquilo foi pior.
Muito pior.
Morgana olhou pra ela.
— Você também?
Anna sustentou.
— Você tá ferida.
— Eu já trabalhei pior.
— Não é só isso.
Silêncio.
Pequeno.
Perigoso.
Morgana percebeu.
— Então fala.
Anna não falou.
Só olhou.
E aquilo dizia demais.
— Não na frente deles.
Baixo.
Direto.
Leon já tinha virado.
— A gente resolve isso quando voltar.
E saiu.
Gianni hesitou.
Olhou pra Morgana.
— Eu—
Ele queria dizer alguma coisa.
Mas não sabia o quê.
E isso… matava ele.
— Vai.
Ela disse.
Sem peso.
Sem carinho.
Profissional.
Ele assentiu.
E saiu.
🩸
A casa ficou grande demais de novo.
Silenciosa.
Errada.
Anna não demorou.
Fechou a porta da sala.
Virou.
— Agora você me fala.
Sem rodeio.
Morgana nem se mexeu.
— Falar o quê?
Anna riu.
Sem humor.
— Não me faz de i****a.
Passo à frente.
— Você tá diferente.
Silêncio.
— E não é por causa do tiro.
Mais perto.
— É outra coisa.
Morgana cruzou os braços.
— Você tá vendo coisa.
— Eu te conheço.
Aquilo…
foi mais baixo.
Mais sincero.
Mais perigoso.
— Eu sei quando você tá escondendo.
Silêncio.
Morgana sustentou.
— Então continua sabendo.
Anna travou o maxilar.
— Tem a ver com ele?
Silêncio.
Direto demais.
Morgana desviou o olhar.
Erro.
Pequeno.
Mas fatal.
Anna soltou o ar.
— Tem.
Quase um sussurro.
Mais pra ela do que pra Morgana.
— Eu sabia.
Morgana voltou o olhar.
Frio.
— Você não sabe de nada.
Anna deu um passo atrás.
Processando.
Juntando.
— Desde quando?
Silêncio.
— Isso é antigo?
Morgana não respondeu.
E isso…
foi resposta suficiente.
Anna passou a mão no rosto.
— Meu Deus…
Riu.
Sem acreditar.
— Eu cresci com vocês.
Olhou direto.
— Como que eu nunca vi isso?
Morgana respondeu baixo.
— Porque não era pra ver.
Silêncio.
Pesado.
Real.
Anna assentiu devagar.
— E agora?
Pergunta simples.
Mas carregada.
Morgana não demorou.
— Agora não existe.
Mentira.
As duas sabiam.
Mas aceitaram.
Por enquanto.
🩸
Do outro lado da cidade…
O carro cortava a rua rápido demais.
Gianni dirigindo.
Mandíbula travada.
Leon ao lado.
Silêncio.
Mas não vazio.
Pesado.
— Você confia nela?
Gianni perguntou.
Do nada.
Leon olhou.
— Sempre.
Resposta rápida.
— Mesmo assim deixou ela.
Aquilo ficou.
Leon virou o rosto pra frente.
— Eu não deixei.
Silêncio.
— Eu tirei ela do alcance.
Gianni franziu o cenho.
— Do quê?
Leon respondeu sem olhar.
— De tudo.
E isso incluía coisas que Gianni nem imaginava.
O carro seguiu.
E a guerra também.
Mas agora…
o problema não era só fora.
Era dentro.