FORA DO TABULEIRO

474 Words
A decisão não foi dela. Nunca era. — Você não vai. Leon disse. Simples. Final. Morgana nem piscou. — Eu sempre vou. — Hoje não. Silêncio. Anna cruzou os braços. — Ele tá certo. Aquilo foi pior. Muito pior. Morgana olhou pra ela. — Você também? Anna sustentou. — Você tá ferida. — Eu já trabalhei pior. — Não é só isso. Silêncio. Pequeno. Perigoso. Morgana percebeu. — Então fala. Anna não falou. Só olhou. E aquilo dizia demais. — Não na frente deles. Baixo. Direto. Leon já tinha virado. — A gente resolve isso quando voltar. E saiu. Gianni hesitou. Olhou pra Morgana. — Eu— Ele queria dizer alguma coisa. Mas não sabia o quê. E isso… matava ele. — Vai. Ela disse. Sem peso. Sem carinho. Profissional. Ele assentiu. E saiu. 🩸 A casa ficou grande demais de novo. Silenciosa. Errada. Anna não demorou. Fechou a porta da sala. Virou. — Agora você me fala. Sem rodeio. Morgana nem se mexeu. — Falar o quê? Anna riu. Sem humor. — Não me faz de i****a. Passo à frente. — Você tá diferente. Silêncio. — E não é por causa do tiro. Mais perto. — É outra coisa. Morgana cruzou os braços. — Você tá vendo coisa. — Eu te conheço. Aquilo… foi mais baixo. Mais sincero. Mais perigoso. — Eu sei quando você tá escondendo. Silêncio. Morgana sustentou. — Então continua sabendo. Anna travou o maxilar. — Tem a ver com ele? Silêncio. Direto demais. Morgana desviou o olhar. Erro. Pequeno. Mas fatal. Anna soltou o ar. — Tem. Quase um sussurro. Mais pra ela do que pra Morgana. — Eu sabia. Morgana voltou o olhar. Frio. — Você não sabe de nada. Anna deu um passo atrás. Processando. Juntando. — Desde quando? Silêncio. — Isso é antigo? Morgana não respondeu. E isso… foi resposta suficiente. Anna passou a mão no rosto. — Meu Deus… Riu. Sem acreditar. — Eu cresci com vocês. Olhou direto. — Como que eu nunca vi isso? Morgana respondeu baixo. — Porque não era pra ver. Silêncio. Pesado. Real. Anna assentiu devagar. — E agora? Pergunta simples. Mas carregada. Morgana não demorou. — Agora não existe. Mentira. As duas sabiam. Mas aceitaram. Por enquanto. 🩸 Do outro lado da cidade… O carro cortava a rua rápido demais. Gianni dirigindo. Mandíbula travada. Leon ao lado. Silêncio. Mas não vazio. Pesado. — Você confia nela? Gianni perguntou. Do nada. Leon olhou. — Sempre. Resposta rápida. — Mesmo assim deixou ela. Aquilo ficou. Leon virou o rosto pra frente. — Eu não deixei. Silêncio. — Eu tirei ela do alcance. Gianni franziu o cenho. — Do quê? Leon respondeu sem olhar. — De tudo. E isso incluía coisas que Gianni nem imaginava. O carro seguiu. E a guerra também. Mas agora… o problema não era só fora. Era dentro.
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