A porta fechou sem barulho.
O quarto mergulhou no silêncio.
O mesmo quarto.
A mesma janela.
O mesmo erro esperando acontecer.
Morgana não se virou de imediato.
Ela sabia.
Sentia.
Ele estava ali.
Morgana estava de pé.
De costas.
Sabia que ele estava ali.
— Você nunca bate.
— Você nunca tranca.
Silêncio.
Passos.
O mesmo som de anos atrás.
Entrando pela janela.
Pela porta.
Tanto faz.
Sempre encontrando o caminho.
Ela fechou os olhos por um segundo.
Adolescência.
Noites roubadas.
Sussurros.
Mãos que aprendiam sem pedir.
E então abriu.
Presente.
Leon.
Mais perto do que devia.
Morgana estava de pé.
De costas.
— Você devia estar dormindo.
A voz dela saiu baixa.
— Você também.
Silêncio.
— A gente devia parar.
Ela disse.
Mas não se mexeu.
— Devia.
Ele respondeu.
Mas não foi embora.
Silêncio.
O espaço entre eles…
ridículo.
A respiração já não era neutra.
— Isso não é mais brincadeira.
Ela falou.
— Nunca foi.
Mais perto.
Mais baixo.
E aí…
acabou.
O corpo lembrava.
Cada ponto.
Cada reação.
O passado misturado com o agora…
e nenhum dos dois tentando separar.
Ele segurou o cabelo dela.
Puxou.
Ela soltou o ar num reflexo.
Mas não afastou.
Se aproximou mais.
E isso…
acabou com o resto de controle.