ONDE O CONTROLE MORRE

211 Words
A porta fechou sem barulho. O quarto mergulhou no silêncio. O mesmo quarto. A mesma janela. O mesmo erro esperando acontecer. Morgana não se virou de imediato. Ela sabia. Sentia. Ele estava ali. Morgana estava de pé. De costas. Sabia que ele estava ali. — Você nunca bate. — Você nunca tranca. Silêncio. Passos. O mesmo som de anos atrás. Entrando pela janela. Pela porta. Tanto faz. Sempre encontrando o caminho. Ela fechou os olhos por um segundo. Adolescência. Noites roubadas. Sussurros. Mãos que aprendiam sem pedir. E então abriu. Presente. Leon. Mais perto do que devia. Morgana estava de pé. De costas. — Você devia estar dormindo. A voz dela saiu baixa. — Você também. Silêncio. — A gente devia parar. Ela disse. Mas não se mexeu. — Devia. Ele respondeu. Mas não foi embora. Silêncio. O espaço entre eles… ridículo. A respiração já não era neutra. — Isso não é mais brincadeira. Ela falou. — Nunca foi. Mais perto. Mais baixo. E aí… acabou. O corpo lembrava. Cada ponto. Cada reação. O passado misturado com o agora… e nenhum dos dois tentando separar. Ele segurou o cabelo dela. Puxou. Ela soltou o ar num reflexo. Mas não afastou. Se aproximou mais. E isso… acabou com o resto de controle.
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