ONDE A GENTE SE PERDE

469 Words
A porta ainda estava fechada. Gianni do outro lado. E o silêncio aqui dentro… pesado demais pra ser só silêncio. Morgana não tinha se afastado. Leon também não. Respiração próxima. Quente. Errada. — Isso aqui vai dar merda — ela repetiu Mais baixo agora. Ele não respondeu de imediato. Só olhou. De verdade. Como não devia. — Já deu — ele disse Silêncio. Ela desviou o olhar primeiro. Mas não o corpo. Erro. Leon deu um passo. Encostou. Não brusco. Não suave. Inevitável. — Você quase morreu — ele murmurou A voz não era raiva agora. Era pior. Ela sustentou. — Não foi a primeira vez. — Mas foi a única que eu não tava lá. Aquilo ficou. Pesado. Errado. Ela respirou fundo. — Você não pode sair destruindo tudo por causa disso. Ele riu. Sem humor. — Eu posso. Mais perto. — E eu vou. Silêncio. Ela ergueu o olhar. — Isso não é sobre guerra. Ele inclinou o rosto. — Nunca foi. Agora não tinha mais espaço. De novo. O mesmo ponto. Mas diferente. Mais quente. Mais bruto. Ela não recuou. E isso foi o fim do controle. A mão dele subiu. Segurou o rosto dela. Firme. Sem hesitação dessa vez. — Você não pode fazer isso comigo. A voz saiu baixa. Quase quebrando. Ela franziu levemente o cenho. — Fazer o quê? Erro. Ele puxou. Os lábios se encontraram. Não foi lento. Não foi contido. Foi tudo que ficou preso vindo de uma vez. Raiva. Medo. Alívio. Um segundo. Dois. E já estava deixando de ser controle. A mão dela subiu no peito dele. Não pra afastar. Mas também não pra puxar. Indecisa. Perigoso. E então— A porta. Um impacto seco do outro lado. — Leon. A voz de Gianni. Tudo quebrou. De novo. Leon se afastou primeiro. Dessa vez… forçado. Respiração pesada. Olhar ainda nela. Morgana virou o rosto. Mas não totalmente. O silêncio voltou. Mas agora… carregado de coisa demais. — A gente não pode fazer isso — ela disse Baixo. Ele passou a mão pelo rosto. Irritado. — A gente já fez. Silêncio. — E isso só piora tudo. — Eu não me importo. Resposta rápida demais. Ela olhou pra ele. — Eu me importo. Aquilo acertou. Direto. Silêncio. — Então controla isso — ela disse Baixo. — Porque se você perder o controle… Ela deu um passo pra trás. Finalmente criando distância. — eu não vou segurar. Aquilo não era ameaça. Era aviso. A porta bateu de novo. Mais forte. — Leon, p***a— Ele desviou o olhar dela. Tarde. Respirou fundo. E voltou a ser o que precisava. — Entra. A porta abriu. Gianni entrou. Parou. Porque viu. A distância. O ar. O jeito que nenhum dos dois olhava direto. Ele não perguntou. Mas entendeu o suficiente. E aquilo… doeu.
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