— Se você está bem, por que repete isso tantas vezes? — ele perguntou desafiadoramente e se aproximou dela para prendê-la contra o balcão de metal da cozinha, onde estavam trancados. Quem você está tentando convencer? Para mim ou para você mesmo?
— Senhor… não, não é o que o senhor pensa, a garota hesitou e escondeu o olhar com medo.
— Não te vejo bem, Laura. Eu vejo você assustada e fraca, ele adivinhou e a jovem soluçou. Sem pensar duas vezes, ele abraçou os ombros dela bem devagar e teve cuidado para não deixá-la desconfortável com seu primeiro movimento ousado. Você precisa de ajuda. Avise-me se precisar, por favor. — A jovem assentiu sem dizer nada e deixou seu rosto cair sobre o peito dele.
Jonas ficou tenso em sua posição com a primeira impressão do corpo dela tocando o seu e, embora não fosse de sua natureza dar afeto, ele se rendeu à delicadeza de Laura e à sua dor, que — e devido a seu passado — ele estava começando a sentir como sua também.
Ele deixou o tempo passar e o café esfriar, e esperou pacientemente que a jovem controlasse o choro antes de sair do seu lado.
Quando as coisas se acalmaram, ele serviu os cafés novamente e os arrumou em uma bandeja elegante; comprei salgadinhos doces em uma máquina de venda automática.
Eles retornaram silenciosamente para a área onde trabalhavam e se concentraram em organizar tudo o que estava pendente.
— Preciso fazer uma videoconferência, explicou Jonas, olhando para seu relógio de pulso. Eu passo para você às duas, você tem que almoçar comigo.
— EU? — ela perguntou e desejou desaparecer da terra.
— Sim, Laura, você, ele sussurrou, aproximando-se da mesa dela, intimidando-a. Preciso de você, de agora em diante você é meu braço direito, ele explicou e os joelhos da jovem tremeram.
Todo o seu corpo tremia e Laura não conseguia entender se sentia medo ou algum outro sentimento relacionado à sua falta de confiança, que havia perdido com o primeiro empurrão que Bruno lhe deu.
— Senhor. Jonas, eu não sei se eu… —Ela parou de falar quando o homem se aproximou, e ela teve quase certeza de que sentiu seu hálito quente atingir sua testa. O homem permaneceu em silêncio, convidando-a a continuar. Não sei se farei certo. Este é meu primeiro emprego formal e não quero estragá-lo com minhas falas idiotas…
— Não é difícil, Laura, e você vai se acostumar com o tempo, ele ronronou, e um impulso tomou conta dele, e ele acabou estendendo a mão para tocá-la novamente.
Foi a coisa mais ousada que ele já tinha feito, mesmo dentro de seu próprio escritório. No entanto, nem vinte minutos haviam se passado desde que ele a tocou na cozinha, ele não suportava mais ficar perto dela.
Seus dedos se ajustaram ao queixo fino e delicado da jovem e subiram até seu lábio machucado. Em seguida, subiu, contornando seu rosto delicado, e terminou em sua têmpora, onde uma segunda protuberância apareceu em sua pele macia.
Ele tocou com muito cuidado e conteve um grunhido de raiva quando a garota gemeu de dor.
"Eu queria que você pudesse fazê-la gemer por outra coisa.” —Ele interrompeu sua consciência e retirou a mão em menos de um segundo.
— Não sei o que aconteceu com ela, mas…
— Quebrei o lábio descendo as escadas e... Ela tentou repetir a primeira mentira e Jonas deu um passo para trás para encará-la. Eu caí da escada e bati em u-u f-f...
— Estou decepcionado, Srt.ᵃ Laura. Pensei que você fosse mais corajosa, ele respondeu e saiu, deixando-a com um gosto amargo na boca.
Jonas fechou a porta de vidro da entrada de seu escritório particular e fechou as persianas que cobriam seu entorno pessoal. Diante da privacidade, Laura desabou sobre a mesa e ofegou-se rapidamente por longos segundos. Ela respirou calmamente para impedir que seu coração batesse tão rápido. Eu tinha certeza de que, se continuasse assim, teria um ataque cardíaco a qualquer momento.
Ela sentou-se na cadeira com as mãos trêmulas e se ajustou desesperadamente, procurando ansiosamente por um lugar que pudesse contê-la.
Alguns minutos depois, ela relaxou na cadeira e, apesar de não se sentir bem, começou a fazer o trabalho que seu chefe havia detalhado anteriormente, pensando repetidamente nas palavras de Jonas.
O homem sabia do seu segredo? Como isso foi possível?
Ela se questionou, ainda olhando para os contratos à sua frente, e moveu os dedos nervosamente enquanto se lembrava da sensação das carícias dele, do seu olhar e do seu corpo dominante sobre o dela.
Ela se transformou num torrão-de-açúcar com a aproximação dele.
Se forçou a esquecer o que havia acontecido e leu os relatórios um por um, sentindo-se nervosa enquanto fazia login no sistema, revisando suas opções e verificando se tudo estava bem.
Sem saber como começar, ela reuniu uma coragem da qual m*l se lembrava e escreveu um e-mail para seu chefe. Ele estava a menos de dois metros de distância, mas ela não ousou interrompê-lo porque ainda era covarde demais para confrontá-lo.
Senhor Jonas.
Uma pergunta antes de começar:
Para inserir relatórios de compras, devo verificar se a política interna estudada anteriormente é respeitada?
Muito obrigado pela informação.
O homem respondeu alguns minutos depois, com um sorriso bobo se espalhando pelos lábios dela, enquanto ela lia a resposta brincalhona, deixando-a pairar sobre sua nova e bagunçada mesa.
Senhorita Laura,
Estou tão perto de você que recomendo que você escolha o contato físico, e não esse jeito amargo de falar comigo.
Não vou ficar bravo se você me perguntar algo e, acredite, aceitarei que você me pergunte o mesmo pelo menos umas cem vezes. Sou paciente e estou ansioso para trabalharmos juntos.
Não vou te morder, a menos que você queira.
Sinceramente,
Jonas Casa Grande.
Diante da resposta de Jonas, Laura ficou tão satisfeita com a gentileza do homem que pensou estar em um mundo alternativo, onde era respeitada e mimada, e não sabia de onde vinha, mas a garotinha ousada dentro dela apareceu e mostrou que estava tão viva quanto ansiosa para viver novamente.