CAPÍTULO 6

1140 Words
Meu pai diz que sou uma piada porque abandonei duas carreiras no meio do caminho, e minha avó diz que sou louca porque quero me casar e nunca dormi com outros homens. — Ambos os diplomas lhe deram conhecimento em áreas diferentes. Srt.ᵃ Laura, não se considere uma piada, porque você não é — disse Jonas, suando ao imaginar o quão pouca vida s****l a jovem tinha em seu currículo. E eu não quero interferir no seu casamento, mas sua avó está certa. “Não, você não quer atrapalhar, mas você quer t*****r com ela.” — Sua consciência ironizou. — Obrigada, Sr. Jonas, você é muito sábio, murmurou a garota, com as bochechas vermelhas. Por enquanto, só quero juntar dinheiro para o meu casamento e pagar minhas dívidas, e o futuro me dirá como as coisas vão mudar. Ela se entusiasmou, confiante, e Jonas tinha as palavras certas para continuar. Essas eram as palavras e perguntas que a menina fazia todos os dias, especialmente à noite, quando não conseguia dormir em paz e acordava entre os lençóis frios, desenhando um futuro do qual não tinha certeza. — O casamento é permanente, Srt.ᵃ Laura, você tem certeza sobre uma decisão tão importante? — ele perguntou e Laura olhou para ele com uma dúvida. — Você é casado, Sr. Jonas? — ela ousou perguntar, e o homem era como seu reflexo, só que em uma versão muito mais bonita e masculina. — Não, Srt.ᵃ Laura, e não pretendo fazer isso, ele confessou sem hesitar, observando-a intensamente. — Você está dizendo que não planeja fazer isso porque não conheceu a mulher certa ou por algum outro motivo? — Ele esqueceu seus medos, suas apreensões e se soltou para ir um pouco mais longe. Jonas analisou cuidadosamente sua resposta, mas sentiu os segundos passando. Ele ousou dizer o que pensava e sentia, sem saber que estava colocando várias vidas em risco. — Porque ainda não me apaixonei e duvido que algo assim vá acontecer, revelou. Ele sorriu e para ela pareceu uma zombaria. Ele acreditava que não havia tempo nem espaço em sua vida para o romance e, para isso, para o amor, sentimento que não existia para Jonas. Laura levantou as sobrancelhas diante da resposta dele. — E como sabemos se estamos apaixonados, certo? — Ela riu, olhando ao redor com angústia. Às vezes acho que estou apaixonado, mas depois acho que não estou apaixonado e continuo assim o dia todo. Acho que é o nervosismo do casamento. Ele riu de novo, mas, diferentemente de suas outras risadas, seu nervosismo era evidente até mesmo nos espasmos que ele dava para acompanhar suas risadas falsas. — Talvez seja cega, disse Jonas, apontando para o lábio. A curva superior não era mais maquiada e mostrava a verdade da sua realidade, aquela realidade que ela tentava esconder dos pais e que pintava para todos como um romance ideal. Os dedos de Laura traçaram silenciosamente o canto de sua boca, seu olhar ficando opaco com o ritmo de seus movimentos. De repente, ela ficou sem palavras e sem as frases engraçadas que usava para entreter a conversa. Tudo acabou, até mesmo sua vontade de continuar rindo. — Vá para casa, Srt.ᵃ Laura, e descanse, interrompeu Jonas, levantando-se da cadeira para sentar-se em frente a ela, mas a uma distância muito menor. — Sei que não é da minha conta, mas você não merece o que ele está fazendo com você — sussurrou ele, colocando a mão sobre a dela, que estava apoiada em sua coxa. Laura balançou a cabeça e, embora lutasse para não parecer tão instável, soltou um soluço trêmulo. Há uma grande diferença entre amor e afeição e você ainda tem tempo para saber o que sente — continuou ele e seus dedos deslizaram pela bochecha dela, correram pela ponta do pescoço e encontraram sua orelha e seus cabelos curtos. — Quem te ama não te machuca, Laura. Quem te ama, respeita e cuida de você; te ama e te valoriza. Laura apoiou o rosto na palma da mão de Jonas e ficou ali, em silêncio e se sentindo pequena, enquanto suas palavras e conselhos davam um novo significado à sua vida. Jonas ficou impressionado com a fragilidade da menina e quis abraçá-la com força para confortá-la, mas não quis parecer invasivo e permaneceu imóvel, com o coração batendo descontroladamente no peito. “Você está acostumada a ser machucada, Laura” — pensou a menina no ônibus a caminho de casa, relembrando sua infância. “Você está acostumado a ser tocado com ódio, não com amor; você está acostumado a ser quebrada, e o maior problema é que você permitiu isso por tanto tempo. Quando você vai dizer chega?” —Ela se perguntou com raiva, caminhando em direção à sua casa, aquelas paredes que lhe davam medo e segurança ao mesmo tempo. “Só mais um pouquinho.” — Ela respondeu a si mesma. Seu olhar encontrou o de seus pais e noivo. Eles estavam conversando na sala principal da casa e nem perceberam sua presença. A jovem esperava uma recepção calorosa depois do trabalho, pelo menos uma saudação afetuosa, mas assim que cruzou a soleira, ela aprecia a desconsideração, e as palavras e carícias de Jonas ressoaram em sua cabeça e corpo mais uma vez. Na terça-feira, Laura passou a maioria do dia sozinha. Seu chefe se mantinha ocupado entre reuniões e sessões de treinamento visando melhorar as estatísticas da empresa. À tarde, quase na hora da partida, a jovem recebeu um e-mail encorajador de Jonas, aparentemente o único que se importava com ela, e viajou para casa com um sorriso bobo, onde tinha sua avó materna, que também era sua melhor amiga. Seus pais saíram à tarde e prometeram chegar depois das oito. Por outro lado, seu noivo dormia pacificamente no andar de cima, dando-lhes privacidade e tempo para conversar honestamente. — Chá ou café? — perguntou a jovem, movendo-se agilmente pela cozinha. — Um chá seria bom, respondeu à avó, cortando dois pedaços do bolo que havia comprado em uma padaria próxima. E como é o trabalho? — Excelente, respondeu Laura alegremente, sorrindo para dar mais tempero à sua confissão. — Achei que te encontraria m*l-humorada e com olheiras, mas você me surpreendeu, confessou a avó, sentando-se à pequena mesa na humilde cozinha. Secretária, certo? — Sim, de Jonas Casa Grande, disse Laura, procurando o açúcar. — Casa grande, isso parece importante — sorriu Lena, a avó. Ele é bonito? — Vovó, por favor! — Laura retrucou, rindo alto. — Jonas parece bonito, continuou a velha e picante mulher. Posso ir até o escritório para conhecê-lo? — ela perguntou e lhe ofereceu um movimento brincalhão de sobrancelhas. Laura permaneceu em silêncio e muito complicada, e do nada, ela corou e voltou à sua timidez habitual. — Vovó… a menina ronronou.
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