Bruno a atacou com um soco, que atingiu sua bochecha e parte de sua boca. Embora Laura não sentisse nenhuma dor, como estava acostumada, o sangue que escorria pelos seus dentes e boca a fez perceber o dano que havia sofrido.
Quando os golpes persistiram e continuaram sem fim, a jovem se abaixou e se escondeu sob suas mãos delicadas, e embora elas a ajudassem a se proteger dos golpes duros de Bruno, sua alma foi quebrada de qualquer maneira e ela acabou despedaçada, escondida em um beco escuro e com uma dor tão profunda que se afogou nela, sucumbindo tão profundamente que se sentiu perdida e morta.
Laura Vilela morreu naquela tarde e nunca mais floresceu.
Não houve choro, apenas sofrimento, e quando ela acreditou que seu corpo estava forte novamente, a noite chegou para acompanhá-la; ela se levantou do chão para voltar para casa e se moveu como um fantasma pela cidade escura, mancando para não gerar mais dor no estômago e segurando o braço esquerdo, onde havia recebido alguns chutes do noivo perturbado.
Aquele homem violento que ela chamava de “amor”.
Ela aproveitou a escuridão da noite e se escondeu atrás de seu cabelo curto. No ônibus, ela se sentava perto da janela, sempre se escondendo, envergonhada de si mesma, de quão longe ela havia ido ao permitir que Bruno a machucasse.
Algumas pessoas a olhavam com curiosidade, mas ninguém ousava perguntar sobre seu estado frágil e abatido.
Em casa, todos já dormiam e, da entrada do quarto dos pais, ela confirmou sua chegada com um simples cumprimento e confessou estar cansada; sem fome para comer, ela foi para seu quarto, onde encontrou um pouco de silêncio para ouvir a si mesma.
“Você vai se olhar no espelho?” —Sua consciência pediu e Laura obedeceu silenciosamente.
Laura acendeu a luz do banheiro e se olhou no espelho. Ela conteve as lágrimas e resistiu por alguns segundos, mas quando percebeu que não estava em um pesadelo, chorou e desabou na pia à sua frente.
Ligou a televisão e aumentou o volume para abafar os gritos de dor dela, aqueles que involuntariamente escapavam de seus lábios quando ela começou a tirar suas roupas imundas e ensanguentadas. Ele escolheu um canal de notícias local e ouviu atentamente os infortúnios que assolavam sua cidade. A criminalidade estava aumentando, e muitas gangues dominavam as áreas de classe baixa.
Laura sabia que Bruno estava envolvido com essas gangues, então ela ouviu atentamente o que eles estavam dizendo no canal de notícias.
Ela limpou os ferimentos causados por Bruno com o pouco desinfectante que tinha e teve o cuidado de escovar os dentes lentamente, pois sua gengiva superior estava inchada pelo soco que recebera.
Ela tinha alguns truques para dormir bem depois de uma surra — ela não foi a primeira a receber uma — e após tomar três ibuprofenos e beber chá de camomila, ela desabou no colchão da cama, cobrindo seu corpo dolorido com um lençol fino de criança.
Se forçou a fechar os olhos, mas seus pensamentos não a deixavam descansar. Ela pensou e planejou tudo para o dia seguinte e, quando menos esperava, o despertador a obrigou a andar rápido para que ninguém a descobrisse naquele momento tão constrangedor.
Ela se levantou às cinco e meia. Ela tentou se vestir com o uniforme elegante que Jonas havia lhe fornecido, mas não conseguiu ajeitar a blusa e a saia justa sem choramingar no processo. Ela não conseguia escovar os cabelos porque seu couro cabeludo doía devido aos tremores do homem, e uma forte dor de cabeça a impedia de pensar com clareza.
O ibuprofeno também causou gastrite, e a náusea e a dor de estômago estavam piorando as coisas.
Quando ela chegou ao banheiro e se viu diante do espelho, sentiu-se irreconhecível e sabia que era hora de procurar ajuda profissional.
Ela escolheu um vestido largo para sair e tênis brancos que se ajustavam confortavelmente aos seus pés cansados. Ela deixou sua bolsa de trabalho escondida debaixo da cama e preferiu uma bolsa de mão; seus ombros estavam cobertos de hematomas feios, e a dor impossibilitava que ela carregasse uma bolsa ou movesse a mão.
Laura saiu de casa enquanto ainda estava escuro e pegou um táxi até o hospital mais próximo. Ela estava prestes a revelar a verdade quando uma enfermeira gentil veio examinar e limpar seus ferimentos, mas, como sempre, ela se acovardou e mentiu.
Ela inventou uma história rápida que a envolvia como vítima de um assalto e de um agressor violento, exatamente como ela havia ouvido no noticiário horas antes.
No prédio onde a Open Glons tinha seus escritórios, Jonas se viu em uma confusão mental da qual não conseguia escapar.
Naquele dia ele chegou mais cedo do que o habitual e pediu ao seu assistente pessoal que lhe trouxesse um buquê de rosas para obter o perdão de Laura Vilela; Ele sabia que a tinha magoado e, embora não tivesse certeza do que dizer para concordar com as lindas rosas que tinha para ela, ele iria correr o risco de qualquer maneira.
O homem esperou calmamente, sentado à sua mesa, contando os minutos até a hora de chegada, mas não importava quanto tempo ele esperasse. A jovem não aparecia e, quase ao meio-dia, o jovem empresário perdeu o juízo e começou a pensar no pior.
Como primeira opção, ele usou a tecnologia para entrar em contato com ela e, após enviar um e-mail a cada meia hora, e-mails aos quais Laura nunca respondia, ele aceitou que era hora de ir um pouco mais longe.
Ele ligou para o número particular dela.
“O número para o qual você está ligando não está disponível, tente novamente mais tarde.”
— Foi tudo o que ele conseguiu quando ligou para ela várias vezes, pensando que talvez o problema fosse com o telefone dela.
Quando chegou a hora do almoço, ele pediu ao secretário das finanças que cobrisse sua posição pelo resto do dia e, embora buscasse discrição em suas ações, sua irmã mais nova pareceu irritá-lo por um tempo.
“Vim resgatar você para podermos comer alguns Cokes”, disse sua irmã alegremente, como sempre.
— Desculpe, tenho trabalho a fazer. Jonas se desculpou, caminhando em direção ao automóvel.
— Trabalho? — Ela riu. Jonas, é hora do almoço, você não pode comer e trabalhar ao mesmo tempo, não seria saudável, ela repreendeu.
— Desculpe, tenho algo importante para fazer, ele respondeu.
— Algo mais importante que eu? — Interceptou sua irmã e ficou diante dele para olhá-lo no rosto. O que te preocupa? — ela insistiu e massageou os ombros dela de sua posição baixa.
— Algumas coisas, ele respondeu friamente.
— Essas coisas têm nomes? — Provocou sua irmã curiosa.