— Irmãozinho ate que enfim onde estava? — Ninguém com quem você se importa. — Ele respondeu sem olhar para ela e continuou mastigando sua comida sem graça sem tirar os olhos da televisão.
— Como se chama? — Emanuela insistiu alegremente. Ela é alta, baixa, loira ou morena? — Ela continuou, remexendo-se inquieta no sofá. Jonas balançou a cabeça sem olhar para ela e se concentrou em seu prato vazio. Ela é bonita? — Ela ficou irritada e Jonas olhou para ela com curiosidade. Ela é linda! — gritou a menina e o irmão revirou os olhos novamente. Diga-me qual é o nome dele!
— Você é louco, ela não é ninguém, ela não tem nome e ela não é bonita! — ele mentiu e se levantou do sofá para desaparecer na cozinha.
Embora Laura não fosse nada parecida com as mulheres com quem ele costumava sair para se divertir, havia algo especial nela que nem ele conseguia explicar. Era uma mistura de sua falta de jeito e seu sorriso, algo que ia além de seu físico e pequena estatura; um pouco de mistério, talvez, e uma centelha ocasional de inocência.
Eram muitas coisas e todas levavam à mesma sensação: calor.
Ele tentou encontrar uma cerveja para acalmar o calor que sentia, e se pensasse em Laura e sua saia preta, ele ficaria com calor de mais; foi a coisa mais sem sentido que ele já havia experimentado, e ele continuou pensando ser somente um sonho engraçado de sua consciência, do qual ele não conseguia acordar.
Ele encontrou uma cerveja gelada e ao lado dela apareceu sua irmã odiosa, que continuou com suas piadas engraçadas.
— Laura Vilela, vinte e dois anos, solteira…
— De onde você tirou isso? — gritou ele, furioso, e ficou alarmado ao ver que sua irmã tinha informações pessoais e profissionais de Laura em mãos.
— Laura rima com sexy, a garota zombou e continuou, Eu achava que relacionamentos entre trabalhadores eram proibidos…
Ele tocou o queixo com o dedo indicador e simulou expressões questionadoras.
— E são! — ele refutou, arrancando os documentos de Laura dela. Não confunda as coisas!
— Não confunda as coisas! — ela respondeu e começou a correr quando Joseph se virou para ela.
A menina, ágil para sua idade, correu escada acima e desapareceu na escuridão da casa. Jonas bufou e desabou no sofá da sala, com o celular nas mãos, a tela ligada, exibindo o e-mail de Laura Vilela.
Ele leu sua resposta muitas vezes, pois queria descobrir algo mais. A mensagem era curta e simples, mas nas entrelinhas a menina clamava por socorro.
Na rua, ainda magoada pelo que Jonas revelara, Laura fingiu um sorriso para Bruno e uma doçura que não era muito típica dela. Eles caminharam de mãos dadas e sem trocar palavras por alguns minutos, e a garota deixou o namorado guiá-la pelas principais avenidas da enorme cidade.
— Pensei que poderíamos tomar um café antes da minha consulta no dentista, disse Bruno.
— Dentista? — Laura perguntou, muito confusa.
— É, você sabe, o plano de saúde do meu pai, satirizou o garoto, revirando os olhos diante da surpresa de Laura. E como foi o trabalho? — ele perguntou.
A pergunta a paralisou e ela tentou não demonstrar preocupação e dor ao pensar no escritório tranquilo que ocupou na semana anterior.
Ele suspirou e se libertou:
— Certo, acalme-se. O Sr. Jonas cuida da própria vida e eu cuido da minha. Ela mentiu e corou, mas o homem não estava olhando para ela, ele nem estava ouvindo, então ela pôde andar em outra direção e esconder a verdade.
Embora sua boca mentisse, seu corpo não a acompanhava e um tremor perceptível entrou entre suas pernas, complicando sua vida.
— Aqui? — Bruno perguntou, olhando com desdém para as mesas ocupadas no refeitório que eles haviam escolhido para ficar como um casal normal.
Embora não tivessem nada de normal.
Eles se conheceram após terminar o ensino médio. Bruno foi sua primeira vez em muitas coisas e Laura nunca se permitiu conhecer outros homens que pudessem lhe mostrar como uma mulher deveria ser tratada e amada.
Laura acenou para chamar a garçonete.
Não demorou muito para uma jovem atendente fazer o pedido e chegar para acompanhá-los numa conversa tão fria e superficial. Laura ainda não conseguia acalmar o tremor que Jonas havia deixado nela, e embora acreditasse que o café quente a ajudaria a acalmar aqueles sentimentos e novas sensações, ela estava errada e a calma nunca chegou.
Embora Laura fingisse não notar nada, Bruno passou a maioria do tempo com os olhos grudados na tela do celular e chegou a um momento em que quis ir embora sem terminar de comer, apressado e muito ansioso.
Laura sabia que aquela visita ao dentista não era real e que seus negócios obscuros continuavam a manchar o relacionamento deles.
— Vou te levar até o ônibus, interveio o namorado dela, agarrando a mão dela, enquanto a arrastava para fora do café.
— Mas eu ia esperar por você, Laura respondeu com um sorriso bobo.
Mas aquela careta boba não simbolizava o que ele realmente pensava. Ela sabia que Bruno estava escondendo algo dela e queria descobrir, pelo menos a verdade, sobre o que seu noivo estava fazendo pelas costas dela.
— Não, vou para casa, exigiu o menino, continuando a andar, mesmo que ela começasse a lutar para detê-lo.
— Mas eu queria escolher algumas cores para a decoração do nosso casamento, ela respondeu com um sorriso.
— Não, eu disse para ir para casa! — gritou o jovem e Laura pulou em sua posição, atraindo os olhares de alguns curiosos que passavam.
— Qual é o problema? — ela perguntou e continuou caminhando na direção oposta. Não podemos pagar um cerimonialista, ainda devemos dinheiro ao meu pai, então tenho que fazer tudo sozinha, e tenho que começar escolhendo e combinando cores, procurando bons preços e escolhendo os mais acessíveis, ela tagarelava, esperando que Bruno mudasse de ideia e entendesse seu ponto de vista.
Quando Laura mencionou o dinheiro devido ao pai, o menino conteve um grito de raiva. Ele odiava quando a jovem o lembrava de sua dívida com seu pai.
Sem saber da força do companheiro, Laura acabou presa sob os choques que as mãos dele lhe davam e chorou alto, esperando o pior. Bruno a arrastou para um beco próximo e, embora vários olhos o observassem atentamente, ninguém conseguiu fazer nada.
— Bruno, o que houve? — Ela perguntou quando percebeu estar em apuros.
— Meu problema é você, sua v***a intrometida! — gritou o homem e deu-lhe uma joelhada no estômago.
Laura se contorceu de dor e prendeu a respiração enquanto seu coração batia forte. Suas mãos seguravam a parte inferior da barriga, tentando conter a ardência.
— Eu não entendo você, Laura hesitou e deixou seu corpo descansar contra uma das paredes sujas que a cercavam. Eu não fiz nada para você, ela soluçou frágil.
O garoto convencido revirou os olhos e se aproximou dela para falar diretamente com ela.
— Você me incomoda todo dia, você é uma v***a insuportável. Estou fazendo um favor aos seus pais, casando com você, ninguém te suporta, sua v***a ingrata. Ele ofegou com raiva e tremia de um lado para o outro, quase em um ataque de histeria. Vou pagar você e sua família de merda, vou pagar até o último peso!
— Sim, sim, eu sei, não se preocupe, não importa, —ela respondeu.
Era isso que o homem queria ouvir, Laura sabia muito bem. A jovem conteve as lágrimas, como uma mulher forte, mas, ao mesmo tempo covarde. E como sempre acontecia, ela acabou pagando por algo que não merecia.