CAPÍTULO 20

1509 Words
Jonas sintonizou o canal e Manu foi até a cozinha buscar lanches. Quando ela voltou, estava pronta para conversar e brigar, sabia muito bem que seu irmão não lhe contaria muito sobre sua nova secretária, aquela que agora dormia em sua cama, mas ela ousou e ficou surpresa com o quão falante ele era. — Estou realmente preocupada com Laura, disse a jovem. Você acha que ela foi ao médico? — Não sei, Manu, ​​eu também estou preocupado, murmurou, brincando com o controle remoto. Não sei o que fazer. Devo chamar a polícia? — Não, Jonas, isso não é da nossa conta, ela respondeu, angustiada, sentindo o medo do irmão. Ela é quem deve fazer isso. — Ela não vai fazer isso, ela tem muito medo do que as pessoas vão dizer sobre ela. Ele enfeitiçou toda a família com ‘o par perfeito, respondeu Jonas, e Manu bufou em resposta. — E você pode me dizer por que estamos ajudando ela? Parece que ela é escrava daquele ser violento, ousou dizer a jovem, e se aproximou dele. Sei que você sofreu muito com Clarissa, disse à irmã, mas estamos nos metendo em uma grande enrascada, Jonas. Não estamos protegendo ninguém. — Não consigo evitar, respondeu Jonas sem olhar para ela, limpando a garganta para esconder o que sentia. — Você gosta, não é? — Manu perguntou. — Sim, ela reconheceu, grata, que a escuridão escondesse o vermelho em suas bochechas. Eu podia senti-los queimando de entusiasmo. — O quanto você gosta? — Manu provocou e se agarrou a ele, flertadora e divertida. — Tanto que a coloquei na minha cama e, se ela não acordar, agora vou chamar uma ambulância. Ele exigiu e pulou do sofá quando ouviu um barulho estranho nos fundos da propriedade. Eles se entreolharam com preocupação e se aproximaram lentamente, um tanto cautelosos com a reação de Laura, mas a encontraram no chão, encolhida como uma bola, choramingando inconsolavelmente em frente a um espelho de corpo inteiro no meio do banheiro de Jonas. Ela parecia inofensiva. — Você está bem? — Jonas perguntou com medo e se aproximou um pouco mais. — Claro que não. Que tipo de pergunta é essa? — sua irmã zombou. Ele se aproximou confiantemente de Laura para se agachar ao lado dela e segurá-la contra seu corpo delicado, confortavelmente. Para a surpresa de Jonas, Laura respondeu ao abraço de Manu e encontrou algum conforto em seus braços e empatia feminina. Ele permaneceu como um espectador — um espectador muito desesperado — por um longo tempo, enquanto as meninas conversavam sobre o que havia acontecido e quando Laura contou sobre sua ida ao pronto-socorro, Jonas teve que intervir. — E por que você não me ligou? — Jonas intercedeu, impressionado e magoado pela confissão de Laura. Ela olhou para ele com os olhos arregalados, mas depois balançou a cabeça e desviou o olhar. — Eu não queria que você a visse daquele jeito, Jonas, disse Manu com raiva, entregando a Laura um papel para secar seu rosto manchado de lágrimas. Ele ficou em silêncio novamente, sentando-se na beirada da banheira, observando Laura atentamente e revisando cada movimento seu, como se fosse seu guarda-costas. — Você precisa de algo especial? — ele perguntou quando Emma se levantou para pegar um chá de ervas para ele. Posso pedir algo para comer, o que você quiser, ele insistiu desesperadamente. O vestido que Laura estava usando expunha sua magreza. Pizza, comida chinesa, comida mexicana, cokes? Laura riu e se virou para olhá-lo, caminhando até onde ele estava, ainda sentado na beirada da banheira, escondendo o quanto lhe doía vê-la daquele jeito. — Você não cozinha? — perguntou a menina, aproximando-se cada vez mais dele. — Ah, querida, eu consigo fazer muitas coisas com as mãos e a língua, mas sou péssima na cozinha. — Ele brincou com a consciência e se afogou em risadas. Risadas que Jonas odiava. — Não muito, ele respondeu sem olhar para ela, envergonhado. — Não é muita coisa? Cara, até água te queima, e não importa o quanto você pratique, você continua r**m. — Sua consciência riu novamente, apreciando o modo como Laura sacudia o corpo. — Não, eu não cozinho, sou péssimo na cozinha, sou péssima… —ele gaguejou quando a jovem chegou tão perto que ele conseguia sentir sua respiração e teve que ficar quieto para poder olhá-la sem tremer. — Obrigado, Jonas, por me trazer aqui e cuidar de mim, mas preciso ir para casa agora. — Não! — ele refutou. Ele agarrou os braços dela para impedi-la de se mover. Fique esta noite e descanse um pouco, por favor. Ligue para seu pai e diga que você vai pernoitar com alguns amigos. — Não tenho amigos na cidade, Jonas, ela sussurrou timidamente. Mas eu poderia ligar para minha avó e pedir que ela me ajudasse. Ela pensou em voz alta, e Jonas se animou ao ver que a jovem estava disposta a ficar. — Brilhante! — Não, Jonas, minha avó vai querer saber a verdade e não-não… o que você quer que eu diga a ela? — Você está na minha casa, ele disse firmemente. — Você é louco! — Ela riu, tocando a barriga. — Você está com fome, Jonas antecipou, agarrando os quadris dela para puxá-la para mais perto dele, para prendê-la entre suas pernas. Diga-me o que você quer comer, ele perguntou, e ficou satisfeito quando a jovem permaneceu na mesma posição e não lutou para se libertar de suas mãos, aquelas que a acariciavam docemente. — Peru, ela disse. — Peru? Se você tiver um peru, eu posso cozinhá-lo, ela disse alegremente, e Jonas assentiu com um sorriso bobo. Laura desligou gentilmente o telefone de Jonas e pensou nas palavras de sua avó e na gentileza que a mulher sempre lhe oferecia em emergências. Então, a insegurança e o medo se instalaram, e ela especulou que Bruno certamente estava querendo que ela continuasse discutindo. Ela ligou o telefone e ficou chocada ao descobrir que tudo o que encontrou foram notificações de Jonas. — Alguém realmente se importa com você. — Sua consciência saiu em seu socorro e Laura rosnou com raiva. Ela odiava quando não conseguia controlar as coisas e, embora Jonas tivesse deixado bem claro no dia anterior que não estava interessado nela, não da maneira romântica que ela queria, seus e-mails e ligações insistentes a confundiram novamente, deixando-a de volta ao ponto de partida. — Está tudo bem? — perguntou Jonas, entrando no quarto com toalhas limpas nas mãos. — Não, claro que não. Sua bipolaridade me confunde. O que você quer de mim? — Sua consciência interrompeu. Ficou claro que ambos precisavam de uma explicação. — Sim, está tudo bem, Laura mentiu, suspirando enquanto seus olhos fitavam a tela do celular. Obrigado pelas toalhas, vou tomar um banho. Ela pegou as toalhas e saiu, fechando a porta atrás de si, colocando uma distância fria entre eles, uma distância que deixou Jonas confuso, porque uma hora antes tudo estava bem. Eles conversavam naturalmente e riam de todas as suas piadas. O que mudou então? — Por que você é tão mentirosa? Por que não contou a ele que a bipolaridade dele a confunde? — Sua consciência a confrontou e não a deixou lavar-se em paz. “Porque não estou interessada.” — Ela respondeu relutantemente. “Sim, você está interessada, mas tem medo de continuar estragando tudo.” — ela continuou. E ele continuou: “Por que você não responde a um dos e-mails dele?” “Ou por que você não tenta ir mais longe?” “Do que você tem medo? Da rejeição? De te dizer que Ana Favel é melhor?” “Fique quieto!” — Ela gritou com raiva e lutou contra o pijama que Manu havia lhe fornecido para ajudá-la a dormir melhor. Ela não conseguia vesti-lo e, por mais que tentasse, seus braços estavam tão doloridos e danificados que os golpes de Bruno a impediam até de se vestir. Ela ajustou a toalha sobre o peito e agarrou a roupa de Manu, ​​pronta para correr pela casa e solicitar ajuda, mas assim que abriu a porta, seus olhos encontraram os de Jonas, que estava sentado em frente à porta, na escuridão total. — Meu Deus, você é louco! — ela gritou de medo e sacudiu e jogou a de Manu no ar, aterrorizada. — Você está bem? — Ele perguntou. — Não, estou incomodado com tudo isso. — Ela a soltou e Jonas olhou para ela com medo. Estou confusa e com medo de perguntar o que há de errado, porque quando tento me aproximar de você, você me inspira, me trata bem, me mima. Você até flerta comigo! E então você me afasta com seus problemas… Eu não te entendo e não tenho certeza se quero te ver de novo… — ela ofegou por ar e se sentiu mais leve. — Você quer que eu te leve para casa? — perguntou ele, exausto e sem olhar para ela.
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