Jonas riu e, com a mão livre, pegou o celular para verificar o e-mail da garota à sua frente, tentando não se sentir tão t**o após a segunda rejeição de Laura.
— Vou ler o que você respondeu para não parecer tão louco. — Ele zombou e piscou para ela. Laura franziu a testa, assustada.
— Sr. Bruno, acho que você não quer levar meu uniforme para casa. — Ele leu na íntegra e respondeu. — Não, Srt.ᵃ Laura, eu não faço entregas em domicílio, nosso entregador faz isso. — Ele explicou e Luara ficou sem graça.
— Embora você seja bem-vindo para se juntar a nós para o jantar, minha avó acabou de voltar de viagem e seria divertido tê-lo à mesa… — ele leu novamente e Laura tocou suas bochechas em estresse. — Aqui está você me convidando, Srt.ᵃ Laura…
— E você levou isso a sério? — ela gritou furiosamente, quase à beira de perder a cabeça.
— Eu só estava sendo educada. Além disso, ele então me deu os detalhes perfeitos de sua casa, me convidando pela segunda vez. É uma casa de dois andares, com árvore de ipê.
— Não, Sr. Jonas, isso foi um erro! — ela exclamou fora de si. Não pode ser…
A voz do noivo ecoou de dentro da propriedade e, enquanto Jonas esperava conhecer o homem que levaria Laura até o altar e avaliaria sua competência, a garota agiu de forma pouco convencional, até mesmo aos olhos do chefe.
Ela pegou a mão dele e o puxou pela propriedade, afastando-o da entrada.
— Venha…
— Cale-se! — ela mandou ele ficar quieto e mostrou-lhe um caminho alternativo que os levou ao jardim dos fundos.
— Por que estamos nos escondendo? — Jonas perguntou, contendo um sorriso malicioso pela privacidade e escuridão que o lugar lhes oferecia.
Ela continuou segurando a mão dele e só aquele toque o fez querer fazer algo errado.
— Porque você é muito bonito e meu noivo é muito dramático. — Ela respondeu e ficou alarmada quando percebeu o que havia dito em voz alta. Não, não, não! — ela gritou depois e se virou para olhar para ele. Quero dizer, você é tão jovem que ele pode ver isso como uma competição.
Jonas conteve um sorriso e se aproximou dela, enquanto se escondiam no quintal da propriedade de Laura. Ele ficou muito e******o quando ela se esfregou em seu corpo e pressionou sua b***a contra sua perna.
Ela congelou ao sentir o corpo quente dele.
A ansiedade que reinava em Laura não lhe permitia ter consciência do atrito do seu corpo contra o pobre chefe, que sofria ao sentir a b***a redonda dela roçando em suas coxas. O que ele percebeu foi que estava segurando a mão entre os dedos e o homem não estava resistindo.
— Olha, Sr. Jonas, eu não quero problemas. Já estou farta com a chegada da minha avó. — Ela murmurou, de cabeça baixa, e soltou a mão dele para encará-lo. Meu noivo vai embora depois do jantar. Se quiser, você pode ficar para podermos conversar sobre política interna, mas não pode se juntar a nós para jantar. Ele é muito ciumento. Ela ousou ir mais longe, sabendo que estava dançando burlesco nas chamas de um incêndio violento.
Um incêndio que a deixaria gravemente queimada.
Jonas hesitou sobre como responder, pois não era de sua natureza esperar por uma mulher, muito menos ser servido como segundo prato.
— Vamos encontrar Ane, ela é mais gostosa e não vai nos deixar esperando. — Sua consciência disse e Jonas suspirou, sabendo a verdade.
— Senhorita Laura, eu adoraria ficar, mas tenho uma reunião às nove. — ele explicou, entregando a garrafa de vinho que ainda segurava.
— Não posso aceitar isso. — Ela retrucou, triste.
Como você explicaria esse presente para sua família?
— Algum problema? — Jonas perguntou e deu alguns passos em sua direção, tentando quebrar a tranquilidade que a jovem lhe transmitia.
— Eu queria que ele ficasse, mas Bruno me cortaria em pedacinhos e me jogaria no rio para que ninguém desconfiasse. — pensou ela, mordendo a língua com força e olhando para ele com angústia.
Jonas se perdeu em seus lindos olhos esverdeados e sabia que não havia escapatória.
— Não, senhor, não há problema algum. Vejo você na segunda-feira às 8h30, ela respondeu confiante ao se lembrar de que tinha um noivo que amava, um homem com quem desejava passar todos os dias de sua vida.
— Todos os dias da sua vida? Você tem certeza, Laura? — Isso interferia em sua consciência, fazendo-a duvidar como fazia todos os dias.
Os dois se despediram sem olhares. Após explicar a caixa de papelão marrom que ele havia deixado na porta de casa, Bruno saiu assustado com as suas ações, as decisões impensadas e precipitadas que tomou sem pensar em sua posição na organização. Uma posição que custou muito esforço para alcançar o que desejava manter por muitos anos.
Se os Conselheiros descobrissem suas travessuras ao visitar um funcionário fora do horário de trabalho, ele estaria em apuros, mas mesmo assim, temendo por seu emprego e estabilidade financeira, a curiosidade superou o resto e ele ficou escondido em seu veículo. Sob a escuridão de um alto carvalho que enfeitava a calçada em frente à casa de Laura, sua nova secretária.
— Nova funcionária, novo capricho. — Isso incomodava sua consciência, ecoando em seus pensamentos.
— Graças a Deus, eles não duram muito. — Ele continuou e todo o barulho em sua cabeça cessou quando, quase às nove horas da noite, Laura apareceu na porta e, atrás dela, um rapaz magro e de cabelos longos a acompanhava.
Ele espiou furtivamente por cima do volante e observou cada ação do casal à sua frente, atentamente e sem piscar.
As tensões eram palpáveis entre eles e, embora Jonas esperasse um pouco de tensão s****l, ele se viu envolvido em uma discussão da qual não gostou e que o alarmou sobre as inseguranças da garota que ele havia acabado de contratar.
O rapaz m*l-humorado gritou com raiva, mostrando que tinha poder sobre ela, e depois disso, sua magreza e falta de músculos diminuíram quando ele a agarrou pelos ombros e lhe deu algumas sacudidas violentas.
Jonas engoliu seco e apertou os dedos entre o volante, furioso com o que viu.
Sua raiva era nítida em sua face, que dava para ver entre o espelho, principalmente quando Laura cobria o rosto para chorar, envergonhada de algo que não conseguia entender.
Apesar da distância, ele ouviu a voz delicada dela implorando por perdão e tudo terminou quando o jovem lhe deu um tapa forte entre a bochecha e na boca.
Tudo acabou para ele quando ouviu o gemido doloroso de Laura e o choro que se seguiu. Jonas correu e abriu a porta do automóvel para sair, para enfrentar a situação, mas sua consciência covarde o deteve antes que ele colocasse os pés na calçada ao lado dela.
— Você não pode descer. Você tinha uma reunião às nove, lembra? Como vai explicar se continua aqui? — Foi a primeira coisa que ele ouviu e se abaixou quando o rapaz que caminhou ao seu lado, que havia deixado Laura sozinha e desconsolada na entrada de sua casa.
— Ninguém quer um chefe valentão. — Ele escutou, de seu assento, observou Laura, que tocou a área afetada com as pontas dos dedos e soluçou em sua posição.
— Fiquei sem combustível. — Ele respondeu a si e saiu do automóvel, pronto para enfrentar Laura.
Mas a menina se virou sem perceber sua presença e caminhou rapidamente para dentro de casa.
Laura fechou a porta, qualquer possibilidade de ajudá-la e Jonas ficou com um gosto amargo na garganta, um gosto que ele teria que suportar até segunda-feira.