CAPÍTULO 4

1218 Words
Ela se escondeu no porão do seu quintal, o mesmo onde horas antes havia tentado esconder Jonas, e começou a chorar quando o lugar era silêncio e solidão. Laura sentou-se em uma pilha de madeira seca e soluçou alto, desejando se controlar antes de deixar seu esconderijo, aquele que nos últimos meses se tornara o refúgio de sua dor, o lar de seu coração partido e sua verdadeira identidade. Quando foi que deixei isso acontecer? Ela se perguntou. Se ela se lembrava corretamente, tudo começou logo depois das férias de Natal, quando Lura decidiu viajar com a avó e deixou o relacionamento de lado por algumas semanas. Bruno não aceitou nada bem e a violência despertou nele, era resultado do ciúme e da falta de confiança que ele tinha nela. A partir daí, tudo foi uma espiral acelerada de erros que ela ignorou, dando desculpas inúteis para atos tão horríveis. Como sempre, ela tocou o rosto e verificou se não havia sangue em suas mãos, mas ficou nervosa ao descobrir que seu lábio estava cortado, despedaçado pela força do golpe que Bruno lhe deu. Seus dedos ficaram molhados de sangue e ela ficou sem expressão por um longo tempo. A caixa que Jonas havia trazido para ela, somada ao comportamento estranho de Bruno, reacendeu a desconfiança do homem novamente, e o resultado foi um ataque do qual Laura não conseguiu escapar. Pelo menos era isso que ela sentia, sentia-se impotente para escapar dos seus ataques e sentia-se prisioneira dos seus gritos, das suas sobrancelhas franzidas e das suas frases ofensivas em resposta aos seus erros. Do lado de fora da propriedade, Jonas continuou monitorando a entrada da casa e cada movimento que acontecia lá. Dez horas da noite chegaram rapidamente e ele teve que sair quando as luzes se apagaram na sua frente, e ele se sentiu decepcionado consigo mesmo quando percebeu o que tinha feito. Ou melhor, o que ele não fez. Ele permitiu que um homem batesse em uma mulher na sua frente, algo que ele odiava desde que sua mãe se casou novamente e seu novo padrasto a torturava nos fins de semana, quando ele ficava bêbado com os amigos e descontava na frágil mãe, que não estava mais com ele. Jonas ligou o veículo e saiu em alta velocidade pela rodovia que ligava as diversas áreas da cidade. Ele ouvia rádio para relaxar um pouco, e sua garganta coçava para encontrar um bom vinho que o ajudasse a acalmar aquelas memórias sombrias que o atormentavam durante sua infância e adolescência. Ele chegou à sua nova propriedade localizada e se trancou em seu quarto, ignorando a presença de sua irmã mais nova e seus jovens amigos. As meninas se reuniam toda sexta-feira para conversar sobre fofocas da classe alta, beber Martini e dançar ao redor da piscina. Ele adormeceu sem saber como ou a que horas e acordou m*l-humorado, sem roupa e com uma forte dor nas costas. Jonas aproveitou o dia de folga para cozinhar ou pelo menos tentar e correr pelas ruas desertas da área privada onde morava há vários meses. Ele suportou o dia inteiro sem pensar em Laura e, embora soubesse que quanto mais se esforçava para não pensar nela e em seus problemas, mais pensava nela quando se proibia de se lembrar dela. Às seis horas da tarde de sábado, ele foi tomado pela impotência que ainda sentia depois do que havia vivido no dia anterior e, cansado de sua covardia, ousou enviar-lhe um e-mail. Senhorita Luara. Eu estava escrevendo para você para saber sobre seu progresso na leitura e no estudo de nossa Política Interna. Caso você tenha alguma dúvida, estou disponível para respondê-la. Sinceramente, Jonas Casa Grande. A menina levou quase duas horas para responder e, embora Jonas tenha ficado mais feliz do que nunca ao ouvir o som de notificação em seu celular, ele ficou furioso quando a jovem respondeu com duas frases miseráveis ​​e ruins que o deixaram chateado. Senhor Jonas, Tudo está tudo bem. Muito obrigado, Laura. Jonas tentou jantar em frente à televisão e comer os lanches nojentos que ele mesmo preparou durante a manhã, mas uma reportagem de televisão com foco em abuso de animal o fez surtar e vasculhar sua pasta de trabalho, concentrado em apenas uma coisa. Ele revisou toda a documentação do candidato que havia recebido no dia da entrevista até encontrar a carta e os documentos de Laura. Com audácia de sempre, ele ligou para o telefone particular dela, motivado pelo desamparo que ainda sentia desde a tarde anterior. — Sim? — ela perguntou, um pouco perdida. — Senhorita Laura, sou eu Jonas, como vai? — Ele soltou todo o ar com a frase e ficou em silêncio enquanto Laura imitava. — Bem, eu acho… o-obrigado — ele hesitou, e houve um movimento estranho na linha. — Enviei um e-mail para você para saber como está sua política. Está tudo bem? — Eu já lhe respondi, Sr. Jonas, ela respondeu decisivamente e a linha telefônica foi preenchida pelo som do vento, onde Jonas antecipou que a jovem havia saído para falar com ele. — Sinto muito, Srt.ᵃ Laura, às vezes os e-mails voltam, mas não recebi nada, ele mentiu, tocando nervosamente o pescoço. — Bem… ela murmurou, confusa. Está tudo bem, senhor, estou quase terminando o manual. Marquei algumas páginas para ler novamente, para não esquecer as cláusulas mais importantes. — Muito diligente. — ele respondeu, sorrindo. Mas sua alegria foi abafada pela continuação da Laura. — Sinto muito, Sr. Jonas, preciso ir agora. Estou na casa do meu namorado e saí um pouco para atender sua ligação. — Ela avançou pela linha e Jonas rosnou com raiva por sua estupidez. — Não se preocupe, vejo você na segunda-feira. Por favor, cuide-se. — Ele disse com um apelo, e a ligação foi encerrada. “Garota i****a”, ela disse, segurando o telefone nas mãos. — Menina, estúpida. — interrompeu sua irmã mais nova. Sua voz era brincalhona e ela sempre se envolvia onde não era desejada. — Emanuele. — Jonas soluçou, assustado. A jovem caminhava com um andar brincalhão na frente dele. Jonas revirou os olhos e sentou-se novamente em frente à televisão, pegou o prato de comida em suas mãos e retornou à sua rotina chata. Sua irmã sentou-se em frente a ele e assistiu televisão em silêncio, calma e quieta como sempre. A menina, de somente dezoito anos, era sua única parente viva de que ele tinha e cuidava desde que seu pai desapareceu. A jovem era respeitosa e valorizava a boa vida que seu irmão lhe oferecia. Às vezes, ela tentava ajudá-lo e era a única que conseguia tirá-lo daquela rotina feia. — Já sabemos que não sou burra. — Ela murmurou sem tirar os olhos da televisão. Se não estivéssemos falando de mim, então de quem estaríamos falando? — ela perguntou brincando. Ela tinha um grande interesse na vida privada e amorosa do irmão, mas Jonas nunca falava sobre nada. Ele era muito reservado para o gosto dela. ‍​‌‌​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌‌​​​‌‌‌‍
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