Mariana não perdeu tempo.
No dia seguinte… ela já estava com o celular na mão.
O cartão sobre a mesa.
E os olhos… cheios de algo que eu não via há muito tempo.
Determinação.
— Eu vou ligar agora . ela disse, andando de um lado pro outro.
Eu estava sentado, tomando café antes de sair pro trabalho.
— Vai dar certo . falei, tentando incentivar.
Ela nem respondeu.
Já estava discando.
O telefone chamou.
Uma vez.
Duas.
— Escritório Suzy Brand, bom dia.
A postura da Mariana mudou na hora.
— Bom dia! Eu… eu estou ligando por indicação da senhora Suzy.
Eu levantei o olhar.
O coração acelerando junto com o dela.
— Certo, senhora. Pode me informar seu nome?
— Mariana.
Ela respirou fundo antes de continuar.
— O Simon… meu marido… falou com ela ontem na confeitaria, e ela pediu pra eu entrar em contato.
Silêncio.
Curto.
Mas pareceu uma eternidade.
— Sim, senhora Mariana. Já temos a informação aqui.
Os olhos dela se arregalaram.
Ela me olhou… sem acreditar.
— A senhora Suzy pediu que, caso entrasse em contato, marcássemos um horário.
Meu peito encheu.
Orgulho.
Alívio.
— Temos disponibilidade hoje, às 14h. A senhora pode comparecer?
— Posso! Claro que posso!
A resposta saiu rápida demais.
Quase desesperada.
— Perfeito. Estaremos aguardando.
A ligação encerrou.
Por um segundo…
ela ficou parada.
Em silêncio.
E então…
ela gritou.
— EU CONSEGUI!
Ela começou a rir, girando pela sala, completamente fora de si.
— Simon! Você tem noção?! Hoje! Hoje!
Eu levantei, sorrindo de verdade.
— Eu falei que ia dar certo…
Ela veio até mim, segurou meu rosto.
— Se isso der certo… tudo muda.
De novo.
Tudo muda.
Mas, dessa vez…
eu só assenti.
Horas depois
A empresa era tudo o que Mariana imaginava.
E mais.
Prédio alto.
Vidros espelhados.
Recepção impecável.
Pessoas bem vestidas, andando com pressa, com propósito.
Ela se sentiu pequena.
Por um segundo.
Mas não deixou transparecer.
— Boa tarde, senhora Mariana ,disse a recepcionista. Pode me acompanhar, por favor.
Ela seguiu.
Coração acelerado.
Mãos levemente trêmulas.
Até a porta se abrir.
E ela entrou.
Suzy estava lá.
Sentada.
Elegante.
Impecável.
Mas, diferente da televisão…
ali… ela parecia ainda mais forte.
— Mariana — Suzy disse, se levantando. Prazer.
— O prazer é meu — Mariana respondeu, quase sem conseguir esconder a admiração.
A entrevista começou.
Perguntas diretas.
Respostas rápidas.
Mariana se esforçando ao máximo pra parecer segura, preparada… digna de estar ali.
Suzy observava.
Atenta.
Silenciosa.
— Por que você quer trabalhar aqui?... perguntou, em certo momento.
Mariana não hesitou.
— Porque eu não nasci pra viver uma vida comum.
A resposta veio firme.
Sem vergonha.
Sem filtro.
Suzy inclinou levemente a cabeça.
Analisando.
— E o que você está disposta a fazer pra crescer aqui?
— Tudo.
Sem pausa.
O silêncio que veio depois…
não foi desconfortável.
Foi decisivo.
Suzy se recostou na cadeira.
Pensativa.
— Você começa amanhã.
Mariana congelou.
— O quê?
— Você foi indicada por alguém que eu confio — Suzy continuou. E eu gosto de pessoas que querem mais.
Um leve sorriso.
— Vamos ver até onde você chega.
Aquilo foi tudo.
Fim da tarde
Mariana saiu do prédio… diferente.
Andava mais rápido.
Mais firme.
Mais viva.
Ela não pegou transporte.
Quis sentir.
Quis absorver.
Quis acreditar.
Quando chegou em casa…
não conseguiu ficar parada.
Andava pela sala.
Olhava o relógio.
Sentava.
Levantava.
Sorria sozinha.
Esperando.
Esperando ele chegar.
A porta finalmente abriu.
— Mariana?
A voz dele veio cansada, como sempre.
Mas, naquele dia…
ela correu.
— SIMON!
Ela pulou nos braços dele, rindo.
— Eu consegui!
Ele segurou ela, surpreso.
— Conseguiu?
— Eu fui contratada! Eu vou trabalhar lá! Eu vou trabalhar com ela!
O sorriso dele veio na hora.
Grande.
Orgulhoso.
— Eu sabia… ele disse, abraçando ela com força.
Mas, enquanto ela falava sem parar…
sobre o prédio, sobre a empresa, sobre o futuro…
ele só conseguia pensar em uma coisa.
Ele tinha ajudado.
Ele tinha feito aquilo acontecer.
E, pela primeira vez em muito tempo…
ele sentiu que, talvez…
finalmente…
ele fosse suficiente pra ela.
Mesmo que… só por um momento.