Ato 16

1332 Words
Com a semana correndo depressa, datas marcadas e passagens compradas, já não havia mais para onde correr. Uma droga. Temos, ou melhor, tenho por volta de três semanas aqui nos Estados Unidos ainda. Ficamos de comprar nossas voltas lá mesmo. Apesar de o moreno estar decidido sobre o fato de que não levaremos mais do que uma semana para definir tudo, ele quer que ainda sobre — pelo menos — um dia para visitarmos algum local turístico. Não quero que isso soe como um encontro ou algo assim, estou entrando em pânico antes mesmo de sequer começar a arrumar minhas malas ou pensar sobre o que devo levar. Juro que estou tentando relaxar, mas à medida que o dia se aproxima, mesmo que falte tantos, cada hora a menos é uma tensão a mais. ─ Mike? ─ Alguém estalava os dedos em frente ao meu rosto. ─ Tudo bem? ─ Claro que sim. O que deveria ou poderia estar errado? ─ Visualizei a pessoa, era o Nathan, claro que era ele. ─ Em que pensava? ─ Nada, estava prestando atenção no que dizia. ─ Em minha mão tinha um copo de refrigerante. ─ Ah, é? Então repete. ─ Sorriu debochando de mim. ─ Que seja, eu dizia que estou indo até meu apartamento agora. É sábado e preciso fazer alguma faxina, por menor que seja. Trazer algumas roupas, essas coisas. Volto amanhã, okay? ─ Tudo bem, tudo bem. Fique à vontade. ─ Cocei a nuca, havia perdido bons minutos imersos naqueles pensamentos nada úteis. ─ Desculpa, eu realmente viajei aqui. ─ Suspirei. Ele sorri de leve. ─ Não precisa ficar tão apreensivo com tudo. ─ Sentou ao meu lado. ─ Como não? Estaremos finalmente sozinhos e livres, Nathan. ─ Prensei um lábio no outro. ─ Entende? Sem ninguém para nos vigiar ou sequer que fiquemos pensando sobre. Ou eu pense sobre… Sou o único paranoico que fica cogitando os pensamentos da Akemi sobre nós. O Matthew está pouco se fodendo para isso. ─ Deveria fazer o mesmo — apontou. ─ Eu não consigo. Cada vez que ela olha para mim, tento ler seus pensamentos... É uma droga. Não consigo ficar tranquilo dentro do escritório. Digo, quando estou com ele, em sua sala, sim. Mas fora? Parece um pequeno inferno. Ela pensa que estou o roubando dela. E de certa forma, foi o que fiz, mesmo sem intenção. ─ Você não tem culpa de nada, ponha isso em sua cabeça, ponto final. ─ Estapeou minha testa. ─ Provavelmente a Akemi pensa sobre o que você tem feito para o Matthew se aproximar tanto. Não deve ser nada extremo como acha. Tente relaxar. E quero que curta a sua viagem o máximo que for possível. ─ Segurou minhas mãos, apertando-as de leve. ─ Já falei isso, mas eu quero que se dê bem dessa vez. Eu vejo ser eficiente se fizer ser — suspirou. — Agora, eu vou indo. Chega de conselhos, sua cabeça precisa pensar um pouco sozinha. ─ Levantou-se, caminhando para a porta. Carregava uma pequena mochila. ─ Até amanhã à tarde. Trarei torta e cappuccino quando voltar. ─ m*l posso esperar. ─ Retribuiu o meu sorriso. Ele tem razão. E por mais que eu concorde e diga, e já tenha repetido para mim mesmo que deveria deixar as coisas rolarem do seu jeito, sempre acabo atropelando os meus pensamentos. É cômico. Quanto mais envolvido fico, mais atrapalhado também acabo ficando. Não estou muito acostumado com esse negócio de estar apaixonado, ainda mais depois das coisas que aconteceram e que decidi que não iria mais acontecer. Suspirei. Nunca é fácil e muito menos do jeito que queremos. — Eu deveria arrumar algumas coisas aqui também. — Passei os dedos pela testa. Não havia muita coisa a ser feita. Por ficar sozinho aqui o dia inteiro, Nathan sempre põe ordem em tudo. Okay, talvez eu devesse sair. Chamar o Makoto para ir comigo até um restaurante ou qualquer lugar assim, estamos tentando marcar algo, mas por algum motivo nossos planos nunca dão certo. Quando mandei a mensagem falando do nosso encontro, o loiro aceitou na hora, marcando que deveríamos nos encontrar às três da tarde, no shopping. Concordei imediatamente, seria ótimo ter a distração, saber que ele poderia sair me fez criar um alívio grande no interior. E enquanto nossa hora não chegava, eu me perguntava se deveria ou não perguntar sobre algumas questões românticas, já que ele namora há um tempo. Mesmo com os conselhos do Nathan, preciso ouvir algo de alguém que esteja vivenciando um romance, será mais fácil assimilar. Mas até lá decido se devo ou não conversar sobre, não que ele não seja confiável... Só não acho que talvez tenhamos toda essa i********e para falar desses assuntos, mesmo que eu não vá dizer de quem se trata essa paixão. Depois dos olhares meio repreensivos que levei, creio que citar o Matthew em nossa conversa não seja a melhor coisa para fazer. Como moro a poucos minutos de onde marcamos, sai de casa por volta das duas e meia. Daria uma volta pelas lojas interessantes antes de me encontrar com o Makoto. — Mihael! Há quanto tempo. — Abriu os braços me recebendo. — Há muito tempo que tentamos e não conseguimos. — Caminhamos em direção a uma mesa vazia. — Como estão as coisas? — Ah, melhores impossíveis. E você, como anda a vida? — Um pouco complicada — ri de leve, ele questionou meus motivos. — Tenho uma viagem a trabalho daqui umas semanas, isso está me deixando tenso. — Temos motivos para isso? — Ergueu a sobrancelha insinuando coisas. — Ah, claro que não. Só que é a minha primeira vez neste emprego atual. — Talvez eu não deva falar sobre amor com ele, tudo pode ser associado, no final de tudo. — Compreendo. — Havia enigmas em seu olhar. — Para onde vão? — Londres. — A terra do Matthew. Vão ver o Jonathan White, não é verdade? — Exatamente. — Sorri de leve. — Mas como vai o namoro? — Bem, muito bem. — Ele olhou para os dedos. — Mihael, você resolveu aquele seu probleminha? — Voltou a me encarar. Eu sabia muito bem do que se tratava. — Não que eu tenha resolvido, só estou deixando de lado — respondi com sinceridade. — E não te atrapalha? — Não, não. Pelo contrário. Estou fazendo de tudo para encerrar o assunto logo. Não quero me intrometer mais e nem me referir com a palavra trabalho ou muito menos falar o nome daquele que tem habitado por demais os meus pensamentos. E talvez notando o meu desconforto, Makoto tratou de começar um novo assunto. Dei graças por isso, já estava esperando por perguntas nada discretas a respeito. A tarde foi divertida, lanchamos, assistimos qualquer filme que passava no horário em que estávamos na bilheteira do cinema. Makoto, de vez em quando, trocava algumas mensagens com a pessoa que namora, mas logo voltava para o papo, pedindo desculpas e perguntando onde havíamos parado. — Obrigado pela tarde, eu realmente estava precisando limpar a mente — agradeci. — Ah, imagino, mais do que você possa achar que é verdade. — Espero que possamos nos encontrar mais vezes. — Demos um abraço de despedida, por incrível que possa parecer nossos carros acabaram estacionados um ao lado do outro. — Será de bastante agrado. — Até mais, Mihael. — Sorria dando partida. Eu ainda não havia entrado em meu veículo, voltaria para o shopping, pois precisava comprar chocolates, algo que esqueci por conta das conversas com o outro. Voltei para o elevador do estacionamento depois de colocar as outras compras dentro do carro. — Segura, por favor — alguém de fora pediu. — Claro — respondi, segurando a porta. Mantendo a cabeça baixa para a sacola restante que estava em minha outra mão. — Mike? — Hum? — Ergui rapidamente os olhos. — Ma-Matthew?! — Meu coração disparou. Ele sorriu de leve, erguendo a sobrancelha surpreso.
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