Urso O sol já batia na janela quando acordei. A cabeça doía, a garganta seca, e a ressaca moral pesava ainda mais quando olhei pro lado e vi a Cinthia virada de costas pra mim. Ela não falou nada. Levantou, tomou banho, se trocou e desceu pra cozinha sem me dar nem bom dia. Fiquei sentado na beira da cama, esfregando o rosto com as mãos. Sabia que ia ser difícil consertar aquilo. Me vesti devagar e fui atrás. Ela tava sentada à mesa, café servido só pra ela, mexendo no celular. Quando me aproximei e tentei beijar sua testa, ela se afastou. Urso: “Ainda tá brava?” Tentei usar um tom leve, mas saiu fraco. Ela riu de canto — sem humor. Cinthia: “Você acha que eu não tenho motivo? Passou a madrugada na rua e eu fiquei aqui, preocupada, esperando… e você nem se deu ao trabalho de atender

