Urso O carro rasgava a pista com o ponteiro quase batendo no máximo. A Isa gemia baixinho no banco de trás, ainda enrolada no cobertor, a cabeça caída pro lado, o rosto roxo, inchado, devastado. Eu dirigia com uma mão no volante e a outra segurando a Glock no colo, como se ainda precisasse dela. O PH tava do lado dela, chorando igual criança, segurando a mão dela e implorando pra ela aguentar firme. Eu não dizia nada. Só acelerava. Os olhos grudados na estrada e o peito fervendo num misto de ódio e dor. Cheguei no hospital derrapando na entrada. Nem esperei o segurança abrir a boca — pulei do carro, abri a porta traseira e peguei ela no colo. O sangue dela já tinha empapado minha camisa inteira, mas eu nem sentia. Ela era leve. Pequena. Parecia uma boneca quebrada nos meus braços.

