mais um dia, menos um

719 Words
Era um dia ensolarado, era um bom dia. Acordei cedo e com passos leves sai de casa rumo ao quintal. Era meu lugar favorito, pois era lá que conseguia ser eu mesma, pisar na terra e sentir o ar livre, sem ter pressões com afazeres domésticos e comparações com a sua linda prima Brithany, do tipo: precisa se esforçar mais nos estudos, sua prima passou de ano ou precisa fazer as coisas como falo, a sua prima ganhou uma viagem de presente, você também ganhar. No fim, era apenas promessas vazias para criar alguém perfeita. Após algumas horas, antes de todos levantarem voltei para casa e me preparei para o longo dia. Arrumar a casa, cuidar da irmãzinha, até chegar a hora de ir para escola, o que era meu outro refúgio. Mas claro, como nem tudo são flores os afazeres sempre vinha com as frases: - não é desse jeito - não sabe fazer nada direito menina - faz as coisas com má vontade - não faz nada Frases que parecem "normais" para uma bronca da era 90 e 2000, mas o que afetava mesmo era a constância e nada do que se fazia se tornava o suficiente e perfeito. A Raiva subia e só pensava em como me vingar, mas fala sério, criança faria o que sem nenhuma liberdade? apenas esconder algo valioso, abrir remédio e tirar seu pozinho e colocar no suco dela. Não sutil efeito e no fim das contas por mais que aquilo doesse ainda existia amor, afinal só havia ela (avó) e meu pai (avô) para cuidar de mim. O pior mesmo estava por vim. Chegou a tarde e fui para a escola, turma do 6 ano, início da adolescência e final da infância. Escola, apesar de ser um dos refúgios ainda era um desafio. Com pouca comunicação com outras pessoas acho que me tornou tímida, pois não sabia ser extrovertida no meio social, havia amigas sim, mas era como eu por fora, os famosos "nerds" da escola. Eu trocava algumas letras o que só descobri depois que se tratava de dislexia, o que só aumentava os olhares de pena e mais perguntas e na escola as frases eram... - tua voz é de bebê e ainda fala errado - cuidado para o vento não te levar - hey poste, árvore, palito de picolé, fósforo - tu tem anorexia? sofre bulimia? - não toma banho? teu cabelo sempre está arrepiado ( a verdade é que por ele ser ondulado, pequenos fios que cresciam lisos sempre ficaram p cima e nada dava um jeito) Oh tortura e isso foi até o fim dos estudos. Chegou a noite e o tempo não estava favorável, uma grande tempestade se formou, chuva tão forte que atingiu a energia, ficando tudo escuro. E tudo foi tão lindo e tranquilo. Me reunir com minha família na sala a luz de velas, meu pai brincava comigo e com Marlee de fazer sombras na parede com a luz de velas, enquanto minha avó Lúcia contava histórias de terror, a mãe estava sentada apenas observando, quando trovão surgia e o medo tomava de conta, era meu pai onde corria para abraçar, foi um momento tão feliz que tudo que aconteceu durante o dia e a semana foi apagada e foi uma das melhores lembranças. Seu Lenon sofria da famosa doença de diabete e era um pouco limitado, o que fez se aposentar cedo e ficar em casa por mais tempo e ele cuidou de mim desde então, desde dos 5 anos, então a nossa aproximação era de fato muito grande. Adormecer era fácil, o que não era fácil era os pesadelos constantes. Sempre era os mesmos sonhos, onde a minha mãe me deixava, me esquecia, me abandonava, porém não se comparava com os sonhos em que eu morria com tiro, afogada, esfaqueada ou caia de um precipício, prédio, elevador. O que é um mistério para mim até hoje, do por que uma criança ter esses sonhos desde dos seus 6 anos e essas mortes eram provocadas por pessoas próximas como os vizinhos ou algo acontecia junto com a família como algum assalto ou por uma sombra, uma silhueta que atacava e não conseguia ver seu rosto. Mas não reclamo, o que fez eu não ter medo de ver certas cenas e tragédias.
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