Lady
Eu não conseguia sentir emoções, meu pai me enganou de tal forma que eu não sei explicar o que estava sentindo agora. As horas estavam se passando e eu ainda não havia criado forças para levantar da cama. Precisava comer, tomar banho e criar coragem para encarar aquele homem na manhã seguinte, que não iria demorar muito para acontecer.
— Bom dia, Srta. Fleur, a senhora precisa de algo? — A senhora perguntou ao me ver descer as escadas.
Diabos! Essa mulher não dorme?
— Obrigada, Amélia, mas por agora me deixe sozinha, por favor!
A mulher não parava de me seguir, e na hora que eu iria pedir novamente para que ela me deixasse sozinha, avistei um par de olhos azuis me olhando de cima do último degrau, sem camisa e com um ar de sedução.
— Saia, Amélia. Vá descansar, você já está velha. Pode deixar que eu me viro sozinho. — Ao ouvir sua voz, senti meu corpo estremecer, como se ele me causasse uma sensação de conforto, não sei, mas se eu estivesse com Suelen, estaria vivendo um inferno e disso eu não tenho dúvidas. — Espero não estar atrapalhando você.
— Não está. Eu desci porque deu fome e você não me disse que eu estava proibida de comer em sua casa. — Encostei meu corpo na bancada, enquanto uma alça do meu vestido deslizava pelo meu ombro.
— Eu não lhe ditei regra alguma pelo simples fato de que você irá embora amanhã. — Discorreu levando o copo de bebida até os lábios e sorvendo um gole, voltando a me olhar em seguida. — Sabe, você é um problema e de problemas minha vida já está cheia, portanto, irei despachar você para a Rússia.
— Eu não vou a lugar algum e, se está me tratando desse jeito porque acha que eu quero a porcaria daquele poder, está muito enganado. Fique com tudo para você se quiser, aquilo não tem a menor importância para mim. — De tão nervosa que fiquei, passei a mão sob o balcão e um copo caiu de cima do mesmo.
O meu interior é todo feito de desastre, então, obviamente eu cortei meus pés pelo simples fato que estava descalça e sair andando como se nada tivesse acontecido. Senti o sangue escorrer e a dor tomou conta do local, me levando a gemer de dor por um breve momento.
— Eu não quero nada que venha da família Mancini, um nome podre que não agrada a mim. Eu odeio o império que seu pai construiu em cima da máfia, me admira você não cobiçar tal poder. — Ele esbanjava sarcasmo, a forma como ele falava estava me dando nos nervos.
Pensei em contestar suas palavras, mas antes que eu pudesse ficar na ponta dos pés, escorreu no meu próprio sangue e quase bati com a cabeça no aspirador de pó.
— Caramba, que droga! — Murmurei baixinho, apoiando minhas mãos no chão e tentando levantar, mas antes que eu o fizesse, senti meu corpo ser puxado para cima e sacudido, fazendo eu cair em seu braços.
— Não me dê trabalho até amanhã. A última coisa que eu quero é distância de você depois dessa noite, está me ouvindo? — Seu hálito quente estava cheirando a whisky, assim como seu olhar dizia que ele não estava completamente sóbrio.
— Deixa eu me ferrar sozinha então, não estou pedindo a sua ajuda. — Gritei alto, tendo sua atenção voltada para mim.
— Não está pedindo, mas está precisando. — Meus pés estavam com cacos de vidros dentro e a dor estava imensurável.
Parecia que ele não iria subir as escadas nunca, estava demorando muito, eu estava com fome e em plena madrugada eu estava ali, nos braços do cara que mesmo sem me conhecer direito estava me colocando em seus braços e, droga! Como ele tem um cheiro gostoso.
Luigi
Ela estava com o corpo frio e com um vestido que estava subindo a todo momento. De perto ela era ainda mais bonita, seus olhos negros puxadinhos para o lado. O olhar dela era penetrante e eu não sabia porque meu corpo recuava quando estava perto demais. A coloquei deitada em sua cama e fui pegar a maleta de primeiros socorros.
— Se fizer esforço, o vidro só vai entrar cada vez mais dentro da sua carne. Então, eu vou ter que tirar de uma forma ou outra. — Ela me olhava com certa raiva. Antes de sair, voltei minha atenção a ela que estava deitada sem opção, deixando seu s***s com uma leve caída para os lados e era impossível não reparar ali. Ela pra c*****o e isso me deixa atraído, eu gosto do que é difícil de se ter.
Aproximei meu corpo do seu, apoiei meus braços ao lado do seu corpo e eu a encarei. Eu estava f**a-se para o que ela iria pensar, eu só queria reparar em seus detalhes que tanto me chamaram a atenção.
Sua boca com formato de coração foi a coisa que mais chamou minha atenção, a mesma está carnuda e estava com um leve inchaço, não sei se foi devido a ela está mordendo os lábios há minutos atrás. Ela era toda bonita, mas não era para mim, eu poderia colocar sua vida em risco apenas pelo simples fato dela saber quem eu sou, já que vivemos em anonimato, afinal, ninguém quer morrer de graça.
— Acha que se eu levantar vai piorar? — Sua pergunta me tirou do transe e ao olhar para o ferimento, vi que estava mesmo feio, havia um pedaço de vidro enorme cravado em seu pé esquerdo e ali estava ligando sangue.
Voltei em menos de um minuto e sentei ao seu lado, peguei um anestésico e passei no local antes de aplicar a anestesia em seu pé. Em seguida lavei com soro, enxugando com uma gaze em quando o mesmo ainda sangrava muito.
Peguei uma pinça e fui retirando os pedaços maiores, olhei e ela estava quase dormindo. Como alguém consegue dormir nesse estado?
Após retirar todos os cacos, fiz um curativo e a deixei dormir do jeito que estava.
"Estou com saudades! Quando vamos nos ver novamente?" — Enviei a mensagem para Paola, mas a mesma não foi entregue. Joguei o aparelho na cama e após sair do banheiro, vi a notificação de uma mensagem sua..
"Vai curtir seu novo brinquedinho, Luigi. Se me quisesse, me levaria para conhecer sua afilhada hoje, mas não, você preferiu uma estranha. Então, agora aproveite a sua escolha e não me procure mais, por favor!" — Essa foi sua resposta e desde então não teve mais conversa entre nós dois.
A insônia me pegou de jeito e eu estava virando de um lado para o outro, até que decidi levantar e pintar algumas telas. Costumava tocar piano quando isso acontecia, mas não queria acordar Lady, então eu fui beber e quem sabe, até consigo esquecer dos seus olhos negros.
Vi quando Amália passou pela porta do meu, ela não deveria estar acordada a essa hora, ela tem que entender que já não é mais tão jovem e precisa de descanso. Ao abrir a porta, percebi que Lady havia saído do quarto e ainda descendo as escadas, ela pediu para que Amélia a deixasse sozinha.