A sombra da verdade

1314 Words

Lucca não dormia. O silêncio do quarto de hóspedes era opressor, cortado apenas pelo som distante da cidade — buzinas, motores, vidas acontecendo lá fora, enquanto a dele parecia suspensa, travada no tempo desde o instante em que seus lábios tocaram os dela. Estava sentado na poltrona, o corpo curvado para frente, a camisa aberta deixando à mostra o peito arfante. Os cotovelos afundavam nos joelhos, as mãos entrelaçadas, a testa baixa, como se tentasse conter uma dor que não sabia de onde vinha. A taça de vinho sobre a mesinha ao lado seguia intocada, com o líquido escuro refletindo a pouca luz da janela como um espelho torto da sua confusão. A cidade brilhava lá fora. Fria, impiedosa. Como se zombasse dele. Como se soubesse o que ele não queria admitir. Ele havia cometido um erro. Nã

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