Lua de mel

1961 Words
Enquanto todos aproveitavam a festa de casamento, Chanyeol saiu do salão e foi até o barzinho da frente, comprando uma cerveja, escorando-se no muro do lado de fora do salão e acendendo um cigarro enquanto bebia a sua cerveja. — Tem um motivo bem claro para não termos bebidas alcoólicas na festa, sabia?! — perguntou Baekhyun retoricamente, cruzando os braços ao parar em frente a Chanyeol. — Sei e respeito, por isso comprei minha própria cerveja e vim beber aqui sozinho, não estou influenciando ninguém. — deu de ombros tragando o cigarro lentamente. — Não gosto de fumantes. — Não gosto de garotinhos mimados, mas olha só né... — disse com uma sobrancelha arqueada — Você não veio aqui só me xingar, veio? — Não... seu pai disse que está na hora de ir para Lua de Mel, senão vamos perder o voo... eu não sabia que teríamos uma. — disse com bico, chutando as pedrinhas da calçada. — Você teria uma com Kris, por que não teria uma comigo? — É diferente, eu não estava sendo obrigado a casar com ele, a gente se gostava. — disse e deu as costas, fazendo Chanyeol bufar e socar o muro antes de ir atrás de Baekhyun. Os dois pararam em frente aos seus pais, que estavam na porta do salão. — As malas de vocês foram despachadas e a bagagem de mão está dentro do carro de Chanyeol, certo? — o maior só concordou com um "Uhum" — Então vocês já podem ir, falta menos de duas horas para o voo. — disse o pai de Chanyeol. — E para onde vamos? — O Chanyeol não contou? Vocês vão para... — Não contei para ser surpresa pai, ele vai descobrir quando estivermos no aeroporto. — Wow, tudo bem, boa viagem. — Baekhyun abraçou os pais e seguiu Chanyeol até seu carro, vendo que sua mãe havia preparado sua bagagem de mão. — Você viu meus pais logo cedo para lhe entrarem isto? — Sim, eles me ajudaram a escolher o lugar. — disse sem olhar Baekhyun, apenas dirigindo em direção ao aeroporto. — Realmente não precisava disso, não é como se fossemos ter um casamento de verdade. — disse cruzando os braços e olhando para a estrada também. — Por que não podemos ter um casamento de verdade? — Eu não gosto de você, Chanyeol, isso já é um bom começo para esse casamento ser unicamente pelo bebê. Chanyeol sentiu sua respiração ficar pesada e apertou o volante com certa força. — Você quer ir pra casa então? Eu posso pedir para companhia reenviar nossas malas. — Não, já que vou ter que aguentar você, que seja pelo menos em um lugar legal. Chanyeol franziu o lábio e concordou, seguindo para o aeroporto. {•••} — Estamos indo para uma ilha? Sério mesmo? Vou ficar preso com você onde as minhas únicas outras opções é me afogar ou aguentar você? — Baekhyun resmungava entrando no avião e Chanyeol já nem prestava mais atenção, cortaria os pulsos se continuasse a ouvir as reclamações do pequeno ômega. — É, Baekhyun, é... só tem essas opções, mas se for se afogar, faz isso depois de ganhar meu filho. — disse ríspido. O Byun fez um bico e sentou em sua poltrona, colocando o cinto de segurança. — Estou com fome. — Assim que o avião decolar eu peço nosso jantar. — Quero salgadinho. — Eu peço salgadinho. — revirou os olhos e assim que o avião decolou, pediu o jantar e tudo que Baekhyun queria comer, fazendo o pequeno lhe olhar com um bico. — Se o seu intuito é me estressar gastando meu dinheiro, não vai funcionar. — Eu não estou querendo nada. — Sei. Dorme um pouco. — disse um pouco cansado das birras do outro. Por pura falta de opção Baekhyun se ajeitou na poltrona, não demorando a pegar no sono. {•••} Chanyeol ficou um bom tempo olhando Baekhyun dormir, daquela forma parecia o mais doce dos homens, mas até dormindo o pequeno fazia bico. Chanyeol não resistiu em fazer um carinho sutil nos cabelos lisinhos, vendo Baekhyun se remexer. — Estamos quase pousando, quer dormir mais um pouquinho? — perguntou baixo, vendo Baekhyun apenas concordar com a cabeça. Chanyeol então colocou o cinto no garoto, já que os dois o haviam soltado quando o avião decolou, aproveitando para acariciar o sonolento Byun por mais alguns instantes. Mas logo teve que acordar o pequeno de vez para descer do avião. — Bebê. — chamou fazendo carinho — Vamos, temos que descer. — Eu tô cansado. Quero continuar dormindo. — disse com bico. — Prometo que você pode dormir muito mais depois, pode dormir a Lua de Mel toda se quiser. Baekhyun murmurou um "hm" e levantou, pegando sua bagagem de mãos e descendo do avião junto com Chanyeol. Não demoraram a chegar na pequena cabana onde ficariam hospedados, era um grande pousada com vários chalés e Chanyeol escolheu um específico para recém casados. — É um lugar bom. — disse Baekhyun jogando-se sobre a cama. — Está com febre, bebê? Passou m*l? — perguntou de forma irônica. — Estou bem, só cansado. — respondeu sem entender a ironia na voz de Chanyeol. — Não quer tomar um banho não? Vou preparar um banho. — disse indo para o banheiro e enchendo a banheira — Vem bebê, vamos limpar esse corpinho antes de dormir. — disse rindo e puxou Baekhyun pelas pernas antes de tentar pegar o menino no colo. — O que pensa que está fazendo? Eu não vou fazer nada com você. — disse irritado. — Não pedi para fazer nada com você, eu estou cuidando de você. E se te serve de consolo Baekhyun, nada é por você, é tudo pelo bebê, assim que ele nascer eu não pretendo olhar na sua cara e nem aguentar essas suas birras irritantes. — disse irritado, fazendo Baekhyun começar a chorar. Aquela não era a intenção de Chanyeol e também não era uma verdade, lembrava bem do dia em que conheceu Baekhyun. Kris tinha 24 quando se batizou e começou a frequentar a igreja junto de seus pais, não demorou a conhecer Byun Baekhyun, filho do pastor. Mas como em qualquer igreja, antes de um relacionamento é necessário orar para ter a resposta se aquela pessoa é para você ou não. E Kris estava fazendo isso há alguns meses com Baekhyun quando Chanyeol finalmente o conheceu. E no momento que viu o pequeno pela primeira vez, que viu aquele sorriso grande nos lábios rosados, sentiu uma inveja absurda do irmão, ainda mais por sentir o cheiro de Baekhyun a quilômetros de distância, sabia que tipo de ligação era aquela e também sabia que por culpa de seus pais, o seu ômega nunca seria realmente seu. Chanyeol saiu de seus devaneios e abraçou o corpo pequeno. — Desculpe, não chora. Não quis dizer isso. — Quis sim, você é um monstro que só faz coisa errada comigo. — disse fungando. — Você tem certeza disso? Eu sei que você nunca vai entender, Baekhyun, mas eu quis te proteger, eu juro. — disse acariciando as mãos pequenas — Eu quis ajudar você no cio e tudo que eu tenho feito é tentando te fazer feliz, pelo amor de Deus, seja mais compreensivo comigo, eu juro que não estou fazendo nada para te machucar ou magoar. E eu não vou tocar em você sem que me peça, eu prometo. Baekhyun suspirou e assentiu, deixando que Chanyeol lhe ajudasse a tirar sua roupa e lhe desse banho. Logo depois o mais velho lhe vestiu uma roupa confortável e o colocou na cama, cobrindo o pequeno corpo e saindo da cabana. Era lógico que Chanyeol não havia pensando em onde iria dormir quando alugou uma cabana de casal, era óbvio que Baekhyun não o deixaria dormir na cama. Chanyeol sentou em frente a cabana, acendeu um cigarro e ficou olhando as ondas na praia, que não estavam nada longe da cabana. Não percebeu o quanto tempo passou ali, até Baekhyun parar em sua frente com um bico. — Estou com fome. — disse manhoso. Chanyeol parou para prestar atenção no pequeno e logo concordou, notando que havia se perdido em pensamentos, pois até o sol já havia se posto. — Claro, claro. Vou pedir algo para você comer. — disse levantando e entrando, ligando para a recepção em seguida. Pediu um jantar para Baekhyun e mais cobertores e travesseiros. — Você não vai comer? — Baekhyun perguntou o encarando de forma fofa, com a cabeça tombada para o lado, os cabelos bagunçados e as bochechas rosadas, Chanyeol queria muito lhe dar um beijinho. — Não estou com fome, não se preocupe, o que eu comi no avião foi suficiente. — Foi há muitas horas... — Eu não costumo comer muito, mas você precisa comer por dois, então se alimente bem. — disse bagunçando os cabelos de Baekhyun e indo desfazer as malas, para ter algo para fazer. — E por que mais cobertores? Não está nem um pouco frio aqui. Se estivesse nem teria graça de estar nas Ilhas Maldivas. — Eu não sei o que passou na minha cabeça quando eu pedi uma cabana para um casal, eu não pensei em onde eu dormiria. Mas é um erro que não vou cometer de novo. — disse baixinho, para si mesmo, e suspirou — Vou usar os cobertores para fazer uma cama para mim. — Ah, bom. O silêncio constrangedor se instalou no quarto, deixando Baekhyun desconfortável com o jeito que Chanyeol estava, nem parecia que há algumas horas estava lhe xingando. Ouviu as batidas na porta e logo atendeu o serviço de quarto, deixando que o rapaz entrasse com o carrinho e deixasse tudo no quarto. Sentou na cama e começou a comer seu jantar, ligando a televisão e colocando em um programa qualquer, enquanto Chanyeol arrumava a própria cama no chão. — Não quer comer nem uma batatinha? — Não. — Você vai ficar ansioso e fumar mais e isso vai te matar, come só uma. Chanyeol revirou os olhos e pegou a batata, logo pegando uma cerveja no frigobar e sentando no chão, com as costas escoradas na cama. — Você não pensa mais em machucar meu filho, né? — perguntou sem olhar para Baekhyun, apenas olhando para a televisão e roubando uma batata frita vez ou outra. — Eu... sinto muito pelo que eu disse, estava estressado. Jamais faria isso com ele. Só não queria casar com você. — Você poderia não ter casado comigo, poderíamos só ter o bebê. — Você sabe muito bem que não. Que isso é imoral. Eu fui doutrinado, Chanyeol, e prefiro mil vezes ter você como marido e criar nosso filho do que viver em pecado. — Então estar comigo foi escolha sua. — sorriu de forma cínica, não conseguia evitar. Recebeu um tapa de Baekhyun, que voltou a jantar sem falar novamente com o maior. O dia havia sido exaustivo por conta da viagem, era normal ter sono, ainda mais na condição de Baekhyun, gravidez dava preguiça mesmo. Chanyeol saiu do banho e lá estava o pequeno de novo, praticamente babando no travesseiro, sorriu com a cena e vestiu uma roupa qualquer deitando na sua cama improvisada, seria melhor deixar para aproveitar os pontos turísticos no dia seguinte. — Está confortável? — ouviu a voz sonolenta do Byun e riu. — Claro que não. — Hm... pode dormir aqui se quiser, mas não toca em mim. — disse dando um espaço na cama para Chanyeol e abraçando os cobertores. Chanyeol queria acreditar que talvez conversar tivesse feito Baekhyun amolecer um pouco, mas provavelmente era apenas o sono agindo por ele.
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