Dulce Maria
Vim a escola de Eduardo xingando mentalmente o motorista de lá até aqui, pois dirigia feito uma tartaruga, eu estava preocupada e rezava para não ser nada demais
Dulce – Se for pra dirigir igual uma lesma, da próxima vez dirige uma carroça e não o carro
Saí do Uber nervosa, batendo a porta do carro e corri para a escola. Fui atendida por Maria, uma das funcionárias que já me conhecia
Maria – Dona Dulce, a Márcia está te esperando lá na sala da direção
Dulce – Ok Maria, cadê o Eduardo?
Maria – Está com ela, venha, vou te levar até lá
Maria me levou até sala de Márcia mas durante o caminho eu percebi que a escola estava toda enfeitada e nas paredes haviam vários desenhos colados, pelo que percebi as crianças estavam desenhando suas famílias.
Maria – Márcia, Dulce Maria está aqui – Apontou para mim
Márcia – Pode entrar, Dulce e fique a vontade – Apontando para a cadeira
Maria saiu mas eu não me sentei pois logo que entrei vi Eduardo sentado em um canto, estava choroso e havia em um corte em seu braço e na testa
Dulce – O QUE ACONTECEU AQUI? O QUE VOCÊS FIZERAM COM O EDUARDO? – Gritei
Márcia – Acalme – se Dulce, sente – se por favor!
Dulce – ME ACALMAR COMO? O EDUARDO ESTÁ MACHUCADO! QUEM BATEU NELE? VOCÊS BATERAM NELE ? – Ainda gritando
Márcia – Dulce Maria, peço que acalme – se e se sente por favor! – Autoritária – A escola nunca bateria em uma criança. Se você se acalmar eu vou poder explicar o que aconteceu
Agora um choro fininho ecoava pela sala, Henrique havia se assustado com o meu surto fora do normal, acho que até eu me assustaria. Tratei de acalmar ele e me sentei na cadeira em que Márcia dizia para eu sentar. Eu nunca fui a pessoa mais sentimental, na escola sempre me chamavam de coração de pedra por não chorar por nada, podiam me bater que eu não chorava, aliás eu batia o dobro de volta, mas não me sentia bem ao ver a carinha chorosa de Eduardo me olhando.
Márcia – Edu, venha se sentar ao lado dela, pode vim
Eduardo – Tá bom tia Márcia
Eduardo limpou o seu rostinho e se sentou na cadeira ao meu lado
Dulce – Fale logo o que aconteceu aqui por favor, quero levar as crianças para casa
Márcia – Dulce, Eduardo brigou na escola
Dulce – Como assim? Porque?
Desde que comecei a cuidar deles sempre vi Eduardo como uma criança calma e amorosa feito mel, confesso que as vezes me incomoda o fato de eu ver o quanto ele está se apegando a mim, então nunca imaginei que ele seria de brigar na escola
Márcia – Domingo será dia das mães, a professora deu a eles como dever desenhar suas mamães pois o desenho seria anexado junto ao presentinho que compramos.
Enquanto ela explicava a minha ficha caia de que Domingo era dia das mães e que eles não tinham mãe e que eu não fazia idéia do que tinha acontecido com elas.
Márcia – Teve um momento em que a professora pediu para eles falarem sobre o desenho e sobre suas mamães, Eduardo disse que não tinha desenhado a mamãe dele porque ele não tem mais mamãe, disse que tinha desenhado você, a babá dele. Um dos meninos começou a zombar dele, dizendo que ele não tinha mãe e por isso os dois brigaram.
Foi nesse exato momento em que, acho que pela segunda vez senti meu coração de pedra apertar. A primeira foi quando Viagra, meu peixinho de estimação foi embora depois que eu tentei fazer ele nadar na privada.
Dulce – Agora que você já contou, posso levar ele embora?
Márcia – Sim, mas antes assine aqui por favor – Mostrou a mim um caderno – É o caderno de advertências, como ele não sabe escrever ainda pedimos que o responsável assine. E com relação aos machucados fique tranquila que a enfermaria já tratou de cuidar.
Dulce – Ok, já que não tenho escolha – Assinando – E o menino que brigou com ele também foi punido?
Márcio – Sim, a mãe já veio buscar
Dulce – Hum... – Olhei para Eduardo – Vamos para a casa, pestinha?
Eduardo – Sim tia, mas eu to com medo do papai, ele vai brigar comigo
Dulce – A tia vai conversar com ele depois, está bem?
Eduardo – Está bem
Me despedi de Márcia, peguei as sacolas de compras, ajeitei Henrique no meu colo mas ao que parece o " depois " resolveu se antecipar, Christopher entrava desesperado na escola
Christopher – O que aconteceu? Porque você veio aqui?
Dulce – Me chamaram, já que não conseguiram falar com você. Eduardo brigou na escola porque fizeram um desenho de dia das mães e ao invés de desenhar a mãe dele, desenhou a mim e quando ele contou isso para a classe um amiguinho zombou dele.
Christopher – Você não deveria ter vindo, eu sou o pai dele! – Engolindo seco
Dulce – Se você não escutou, eles tentaram te ligar e não conseguiram, por isso me ligaram
Christopher – VOCÊ NÃO É A MÃE DELES, VOCÊ NÃO É NADA DELES! – Gritando
Eu entendia que Christopher estava nervoso pelo filho e talvez pela situação, mas não tinha o porque sair gritando dessa forma
Dulce – Vai ficar gritando e dando showzinho? Se sim, segura o seu filho no colo que eu quero aplaudir – Irônica
Christopher – Vamos para o carro e vamos para casa, vou deixar vocês lá e precisar sair – Ofegante
Dulce – Ok, tripa seca
Entramos no carro, guardei as coisas no porta malas, Christopher não teve se quer a capacidade de ir me ajudar a guardar as coisas e colocar Henrique na cadeirinha. Christopher dirigia tão rápido e eu deveria agradecer por isso, se não achasse que bateria com um carro diferente a cada esquina que passávamos.
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Chegamos em casa, Antonella já havia preparado o almoço dos pequenos, Christopher continuava calado, subiu para o seu quarto e enquanto eu dava o almoço para os pequenos, vi ele voltar com outra roupa e avisar Antonella de que iria sair, que não tinha hora para voltar.
Antonella – Aconteceu algo para ele estar assim ?
Dulce – Com ele deve ser frescurite na região anal
Antonella – Dulce – Me repreendeu – Mas e com Eduardo?
Contei a ela tudo o que aconteceu com Eduardo na escola, Antonella ficou triste de saber que seu menino havia brigado por causa disso. Aproveitei para tentar tirar dela alguma informação da mãe deles mas ela não dizia nada
Antonella – Desculpe menina Dulce, mas esse é um assunto que Christopher proíbe todos de falar
Dulce – Tudo bem, curiosidade ainda não mata
Eduardo – Papai deve ter saído porque ficou triste comigo
Dulce – Não diga isso mocinho, seu pai não tem porque estar triste com você – Apertei o nariz dele – Anda, come tudo se não eu não vou jogar vídeo game com você
Eduardo – Eu não to de castigo, tia Dulce?
Dulce – Não, mas vamos combinar que você nunca mais vai brigar na escola, certo?
Eduardo – Certo!
Dulce – Então toca aqui !
Fiz com ele um toque de mão, eles terminaram de almoçar e escovaram os dentes. Antonella estranhou o fato de Henrique não querer comer tudo, mas deixou quieto, não poderia jamais saber do nosso almoço de hamburguer. Até por isso eu mesma também não estava com fome então não almocei
A tarde se passou rapidamente, fiquei jogando vídeo game com Eduardo enquanto Henrique brincava com seus brinquedos educativos que havíamos pego no quarto de brinquedos. Depois passamos a brincar de lego, mímica e quando eu percebi já eram 20h, eu estava vestida de palhaço, as crianças estavam caindo de sono e Christopher ainda não havia chegado.
Subi para coloca- los na cama, troquei a fralda de Henrique, que aliás estava tão fedida que parecia que ele tinha comido um boi. Deitei ele no berço, graças ao bom Deus ele dormiu logo e eu não precisei ficar cantando meus funks para ele dormir.
Fui até o quarto de Eduardo, ele já estava de pijama e ajoelhado no pé da cama, fazendo sua oração
Eduardo – Papai do céu, desculpa por ter brigado com um coleguinha hoje tá? Eu não vou mais fazer isso. Quero que você ilumine a minha mamãe onde ela estiver e que ilumine também a titia Dulce para que ela se case com o meu papai e vire minha mamãe 2 por favor
Eu estava achando a oração dele fofinha até a parte do " se case com o meu papai ", oxi esse menino ficou doido foi? De onde ele tira essas coisas? O que as pessoas tem dado para as crianças de hoje?
Quero nunca mais beijar Christopher, quanto menos me casar com ele, imagina ser casada com um homem chato e turrão daqueles! Tudo bem que ele é gostoso pra c****e, mas é um chato de galocha. Deus por favor não ouve esse menino, não coloque Christopher no meu caminho, eu já tenho o Daniel que me dá dores de cabeça.
Por falar nisso me lembrei de Daniel, não havíamos nos falado nos últimos 2 dias, deve estar muito ocupado resolvendo as coisas com o Christian
Voltei para a sala e Antonella estava lá, já de pijama também e recolhendo os brinquedos
Dulce – Pode deixar que eu recolho, vai descansar
Antonella – Está bem, boa noite menina Dulce
Dulce – Tem problema eu ver televisão aqui na sala hoje?
Antonella – Nenhum, Christopher não liga para isso.
Dulce – Está bem, quero ver um filme
Antonella - Boa noite menina Dulce, qualquer coisa pode me chamar
Dulce – Boa noite
Recolhi os brinquedos dos meninos ali da sala e os guardei no quartinho de brinquedos. Aproveitei que estava na parte de cima da casa para tomar um banho e me trocar, assim que Christopher chegasse eu iria para casa
Voltei para a sala, liguei a tv e procurei um filme legal para assistir, o que estava difícil de acontecer. Já se passavam das 23h quando ouvi o ranger da porta e vi Christopher entrar por ali, parecia estar cambaleando
Christopher – Você – Apontou para mim – não é a mãe deles
Assim que disse isso, tropeçou em algo e foi de cara ao chão
Dulce – p**a merda, Christopher!
Me levantei e fui até ele, mas ele era tão pesado que ao tentar levantar ele eu acabei soltando um pum, que não bastasse a situação, ainda saiu alto
Christopher – Você peidou? – Fez careta
Dulce – Sim, você não peida não?
Christopher – Não na frente dos outros, que nojo!
Dulce – Cala a boca e me ajuda a te levantar desse chão, desgraça!
Com dificuldade eu ajudei ele a se levantar, foi ai que percebi que Christopher estava cambaleando pois estava um pouco bêbado
Dulce – Você pelo visto é do tipo que acha que sabe beber e não sabe, né?
Christopher – Que?
Dulce – Nada! – Enlacei o braço dele em volta do meu pescoço – Vem, vou te colocar embaixo da água gelada
Christopher – Não quero, tá friiioooooooo
Dulce – Pensasse nisso antes de beber feito um porco condenado
Levei ele a contra gosto no banheiro da parte debaixo da casa mesmo, tirei toda a sua roupa e coloquei ele sentado de cueca embaixo da água gelada.
Minha vontade era de sentar no colo dele e cavalgar feito uma cavala, ver Christopher praticamente pelado na minha frente era uma tentação enorme.
Enquanto a água gua escorria por ele, eu fui até o quarto, peguei algumas balas que eu havia guardado, tudo bem que estavam la na minha bolsa há muito tempo mas nunca sabemos quando vamos precisar chupar elas, né? Voltei para o banheiro e fiz ele chupar aquelas balas, ia ajudar a baixar o teor alcoólico do seu corpo.
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Deixei Christopher no banho por cerca de 30 minutos e ele mesmo saiu depois que começou a voltar a se sentir bem, já que as balas estavam fazendo efeito.
Eu voltei a assistir televisão quando Christopher voltou já trocado, estava de pijama e os cabelos molhados, uma verdadeira tentação.
Dulce – Melhorou?
Christopher – Um pouco, ainda estou um pouco tonto mas ficarei bem, obrigado por me ajudar
Christopher andava tão ríspido nos últimos dias que eu até estranhei ele agradecer, deve ser o restante do efeito da bebida ainda.
Dulce – De nada – Sem tirar os olhos da tv
Christopher – Queria pedir desculpas também pela maneira que agi com você hoje. Você não é a mãe deles mas agi errado gritando com você e falando daquela forma
Dulce – Ok, mas pense antes de gritar com as pessoas.
Christopher – Pensarei, me desculpa mesmo, o dia das mães está chegando e isso mexe comigo.
Dulce – E por isso bebeu feito um Opala ?
Eu estava deitada no sofá e Christopher fez menção para que eu me sentasse, e sentou ao meu lado. Ele tinha o outro sofá para se sentar e quis me fazer levantar para sentar, folgado, não?
Christopher – O dia das mães está chegando e isso mexe muito comigo, a mãe dos meninos fugiu há algum tempo e sei que eles sentem falta dela. Ver que Eduardo sofreu e brigou na escola por isso me fez agir dessa forma, por isso saí para beber, precisava espairecer
Dulce – Hum...Tendi..
Christopher – Eu me sinto incapaz, Dulce! Nunca vou fazer eles esquecerem da mãe deles, e acho que nunca vou ser um pai suficientemente bom
Dulce – Não diga isso! Tudo bem que você é um nojento, ignorante, crápula, turrão, seco, ridículo...- Me interrompe
Christopher – Hey, calma aí, não precisa falar assim!
Dulce – Se você deixar eu terminar de falar você vai entender o que quero dizer, c****e!
Christopher – Fala logo antes que eu me arrependa de estar aqui sentado e conversando com uma louca como você
Dulce – Não perde a chance de tentar me rebaixar, né chefinho? – Sorri cinicamente – Mas como eu ia dizendo, tudo bem que você é tudo isso que eu disse e mais um pouco, mas eu vejo o quanto você se dedica à eles, tentando dar tudo do bom e do melhor. Tudo bem que você não tem muito tempo para passar com eles por causa da profissão, mas se dedica ao máximo e aproveita sempre cada segundo que está com eles. Eles te amam, Christopher
Christopher - É sério que você acha isso? Você acha que meus filhos me amam – Olhando nos meus olhos
Dulce – Sim, acho! Bom, vou pegar água na cozinha e já volto
Assim que me levantei fui caminhando a passos lentos para a cozinha e olhando para trás, ou melhor, para Christopher, que passava as mãos pelo rosto pensativo. Eu sorria feito uma i*****l estava tudo perfeito até eu virar novamente para frente e bater com a cabeça na parede. E não para por aí, para completar a batida foi tão forte que me desequilibrei e caí de b***a no chão.
Dulce – Ai p***a!
Tentei me levantar segurando em uma cadeira mas não adiantou de nada, eu escorreguei e caí novamente levando comigo a cadeira, mesa e tudo mais que havia por ali. Christopher veio até mim então eu resolvi fingir um desmaio
Christopher – Meu Deus Dulce você é o desastre em pessoa – Me olhando – E não adianta fingir que desmaiou pois estou vendo você piscar
Dulce – Droga, nunca fui boa em teatro! AI – Gemendo
Christopher – Vem, eu te ajudo a levantar – Dando as mãos para mim
Dulce – Christopher Uckermann sendo um cavalheiro comigo? – Pisquei várias vezes – Isso é um sonho ou eu morri e trouxe você junto?
Christopher – Cala a boca se não eu te deixo ai e vou dormir
Dulce – Então vai dormir, saco!
Christopher – Vai logo Dulce Maria, para de graça e me dá a mão
Dulce – Está bem, mas é só porque eu estou dolorida
Dei as mãos para ele e me levantei, Christopher me olhava nos olhos
Christopher – Por Deus, olha o que você fez! – Olhando tudo caído
Dulce – Eu estou bem Christopher, só um pouco dolorida, obrigada por perguntar – Irônica – E pode descontar tudo do meu salário
Christopher – Se eu for descontar você fica sem salário por um ano – Se aproximou de mim, me olhando nos olhos
Dulce – Faça como quiser, eu vou dormir
Ele continuou me olhando nos olhos, se aproximou ainda mais de mim, eu sabia o que ele queria fazer mas eu não sabia se eu queria fugir. Se aproximou do meu ouvido e sussurrou um " – Obrigado por ter me ajudado e não vou descontar nada " e em seguida selou nossos lábios. Era um beijo diferente dos demais que havíamos já dado, era calmo, aos poucos nossas línguas se entrelaçavam. Christopher me pegou pela cintura e puxou para a parede, parando o beijo alguns minutos depois
Christopher – Como eu sei que você gosta de mim e me beija e transa comigo fácil, esse beijo foi só uma forma de agradecimento.
Dulce – Está dizendo que eu sou fácil?
Christopher – Eu não disse isso, eu disse que você me beija e transa comigo fácil e não com os outros. É isso, vou dormir, passar bem – Saindo – Ah, antes de você ir dormir, por favor junte essa bagunça que você fez com o tombo
Sem nem olhar na minha cara ele se virou, subiu as escadas e foi para o seu quarto e eu fiquei ali, recolhendo a prova do meu mico diário e pensando no que ele havia dito.
Terminei de arrumar tudo e quando pensei em ir para o meu apartamento, o mundo resolveu desabar em chuva.