CAPÍTULO 08

2710 Words
Dulce Maria Christopher saiu do consultório com Henrique no colo e naquele momento eu só queria já estar em casa, ele passou pela recepção para Henrique ver a recepcionista que ele já era apegado mas eu podia sentir os olhares de Christopher pelo canto dos olhos como se quisesse me ler e saber o que se passava Fechei os olhos pensando que Christopher iria querer saber sobre o que se passou dentro do consultório então decidi fechar meus olhos como se estivesse dormindo, mas como notei que não iria colar, entrelacei meus dedos e disse "Abençoe também o meu chefe e sua família, amém!" Eduardo, que estava sentado no banco ao meu lado não sossegava, estava contando como que foi seu dia na escola mas eu não conseguia prestar atenção pois só conseguia lembrar do meu passado, do quanto sofri e precisei ser forte e enfrentar tudo mesmo sem o apoio de meus pais, estava inerte as minhas lembranças do passado que só me dei conta do tempo quando Christopher estava estapeando meu ombro Christopher – Vamos embora Retornamos para casa e aquele fim de dia acabou com toda minha expectativa de ter uma noite de quarta feira tranquila, eu estava com os dois na sala quando Eduardo pareceu sentir minha aflição e me deu um forte abraço, tentei segurar as lágrimas e por muito pouco eu não me deixei levar Resolvi dar banho nas crianças até porque com o calor que estava fazendo eu comecei acreditar que Jesus havia voltado mas pelo meu histórico de safadeza e pelo calor que se fazia, não devia ser no céu que eu estava. As crianças estavam realmente bem cansadas e com bastante fome, não parecia nem que Eduardo havia comido um prato de pedreiro com bife e batata frita, um dos pratos preferidos dele, já o meu, um bem fundo seria a melhor opção sobre qual tipo de prato que eu gosto, notei Eduardo me rodeando como se estivesse a ponto de aprontar algo ou então iria me pedir algo Eduardo - Tia me dá R$2,00 para comprar bala? Pois é, era a segunda opção mesmo! Dulce – Infelizmente não tenho, veja com o seu pai, ele tem tanto dinheiro que acho que ele é um banco Eduardo – Poxa tia, R$ 2,00 e a senhora não tem? É apenas R$ 2,00 mas tudo bem, vou dizer ao papai que a senhora mandou que eu pedisse a ele que é o banco e pode ser que ele se sensibilize Dulce – Não foi bem assim não! Mas entre eu e ele, melhor ele que tem como te dar até mais dinheiro e ele é que é seu pai Eduardo – R$2,00 tia? Que desculpa r**m hein Dulce – Não é desculpa não! É realidade mesmo filho Pois é, eu quando era pequena também achava um absurdo um adulto não ter nem R$1,00, pensava ser impossível, mas hoje vejo que é mais do que possível Eduardo – Tia, quero tomar banho com o meu irmão na banheira Dulce – Por falar no seu irmão, cadê ele? Eu me levantei para procurar Henrique e Eduardo veio atrás me mim dizendo que iria me ajudar a procurar pelo irmão. Dulce – Eduardo, vamos nos dividir, você procura aqui na parte de baixo e eu procuro em cima, nos quartos Não conhecia muito bem toda a casa, apesar que Antonella me apresentou a casa no primeiro dia mas minha memória é idêntica a Dory, do filme procurando Nemo.. mostrou hoje, esqueci ontem Fui procurando pelos quartos, no de Eduardo e no dele não estavam, vi na sala de brinquedos mas nada dele também, passei por um quarto que parecia ser um pouco maior, se não me engano aquele quarto não me foi apresentado e me subiu uma curiosidade de talvez entrar, entrei, fechei a porta nas minhas costas e olhei tudo ao redor Passei a mão naquele lençol macio e fiquei cada vez mais tentada a me jogar naquela cama e rolar por ela, não que a do meu quarto seja r**m mas aquela com toda certeza era o paraíso, como não tinha ninguém resolvi matar a minha vontade e me joguei naquela cama. Eu estava rolando pela cama quando olhei para o lado e vi porta retrato que estava em cima de um criado mudo e então vi quem era o dono do quarto, despertei rapidamente dos meus pensamentos e tentei sair correndo porem ao tentar me levantar eu sem querer deixei a luminária cair, fazendo uma verdadeiro estrondo. Me virei para recolher quando senti um olhar queimar sobre mim, virei o meu rosto um pouco para o lado e vi Christopher parado na porta do banheiro com o braço encostado na porta, estava com uma toalha na cintura e com a outra mão segurava uma toalha enxugando o cabelo, uma verdadeira tentação.. Christopher – Gosta do que vê, Dulce Maria? Dulce – Sim! É, quer dizer não, bom – Gaguejei - Não é que eu não goste mas é que eu estava procurando por Henrique que sumiu sobre os meus olhos Christopher – E o encontrou na minha cama? Eu olhava para ele e então vi quando ele começou a se movimentar, vindo andando até próximo de mim. Comecei a rezar para o santo protetor das piriquitas safadas Dulce – Não! – Falei de imediato, assustada e envergonhada ao mesmo tempo Christopher – Mas está tão nervosa porque, Dulce Maria? Ele parou bem a minha frente, eu estava totalmente envergonhada mas ao mesmo tempo não conseguia tirar os olhos daqueles músculos, daquele abdômen, daquelas coxas, daquele .. enfim Eu nada respondi, sai correndo e fui em direção a escada e só não sai rolando por ela porque estava me segurando firme no corrimão, se não fosse isso, eu estaria caída igual o marido da Nazaré Tedesco Voltei pra minha missão de encontrar Henrique por algum canto daquela casa, só restava um único lugar ao qual eu não havia ido e como Eduardo não havia voltado, ele também não teria o encontrado, segui pelo corredor até o fim do escritório de Christopher e ele me mataria caso me encontrasse ali mas era por uma razão lógica, encontrar Henrique Entrei no escritório e se eu não estivesse próxima de uma cadeira, eu iria cair com certeza mas desmaiada, Henrique estava em cima da mesa do escritório de Christopher e com o pote de Nutella em cima de uns papeis que ao meu ver, seriam importantes Dulce – Finalmente te encontrei mocinho mas acho que sumirei novamente, seu pai vai querer me enterrar viva quando ver essa bagunça que você fez! Senti o celular vibrar no bolso e pela persistência só poderia ser ligação, que hora mais inoportuna para ligar, eu queria um celular que alem de identificar a chamada, ainda identificasse o assunto para ver se eu atendo ou não. Deixei tocar e me foquei em tirar Henrique de cima dos papeis e leva-lo pro banheiro mas estava mais preocupada em salvar também os papeis e assim consequentemente salvar o meu emprego junto. Levei Henrique e também Eduardo para o banheiro junto com os papeis, dei um banho rápido em Henrique só para tirar o chocolate, coloquei os dois dentro da banheira para brincarem aos meus olhos e senti novamente o celular vibrar Dulce – Alô – Falei segurando o papel e o celular contra o ombro Anahí – Dulce! – Falou com seu gritinho exagerado Dulce – Oi Anahí, amiga, você ligou numa boa hora! Como faço para tirar mancha de chocolate de um papel? Anahí – Você me abandonou e eu já estou morrendo de saudades e pelo que vejo, você não está nem um pinginho de saudade de mim Dulce – Anahí, eu vou ter saudade do meu emprego se você não me ajudar a tirar essas manchas do papel Anahí – Bom, primeiro você limpa o papel com um pano para tirar o excesso do chocolate, depois pega uma chapinha e passa por todo o papel, ele vai ficar escuro e você passa álcool em gel e coloca pra secar, fica novinho em folha! Dulce – Amiga você me salvou! Agora preciso desligar pois estou olhando pra duas pestinhas aqui na banheira e com um papel cheio de mancha de chocolate pra resgatar, byezinho! Anahí – Mas eu nem falei contigo direito amiga, poxa! – Falou fazendo biquinho Dulce – Prometo que mais tarde quando eu encerrar meu expediente, eu te ligo amiga, tenho algumas coisas a contar Anahí – Ta bom, vou te esperar hein! Byezinho Desliguei e fui correndo pegar minha chapinha na bolsa, sabia que eu não havia exagerado ao trazer quase toda a minha casa pra cá, uma mulher prevenida nunca passa por dificuldades. Dulce – Venham meninos, já está bom de brincadeira na banheira. Daqui a pouco vocês vão estar mais enrugados que maracujá passado Eduardo – Água hidrata a pele tia! A tia da escola fala isso Dulce – Não, não! A água hidrata o nosso corpo mas por dentro, não por fora. Vamos, deixem de enrolar. Tirei, os sequei e os vesti, levei eles para brincarem no quarto no quarto de brinquedos e em seguida fui para a minha segunda missão no dia, que era salvar aqueles papéis antes de Christopher comer meu fígado com farofa Limpei os papeis, liguei a chapinha e quando estava no maximo, passei no papel, o cheirinho era tão gostoso mas o papel saiu preto, mais preto do que já estava antes com o chocolate mas resolvi confiar no que Anahí disse, passei novamente a chapinha pra ter certeza que daria certo e consegui álcool em gel pra passar, só que quando passei o álcool as letrinhas de cor preta se apagaram e eu entrei em desespero Dulce – Droga! Achei que Anahí iria me ajudar mas ela vai me ajudar a ficar desempregada no meu segundo dia de trabalho – Bufei – Mas quem sabe se eu usar um secador para secar mais rápido, preciso desses papeis antes que ele se tranque naquele escritório Sequei o papel com todo carinho mas ainda o sentia mole, então decidi deixa-los secar mais um tempo enquanto eu dava janta as crianças, sabia que Christopher também iria jantar e seria tempo suficiente para que o papel secasse Desci e todos já estavam sentados, Christopher na ponta da mesa, Eduardo na cadeira ao lado e Henrique no cadeirão dele de frente para Edu. Servi a comida do Eduardo conforme a tabela nutricional que me foi passada e todos comeram em paz, apesar do Henrique querer fazer o dedo de colher ao invés de usar o talher, ele estava começando a aprender a comer com colher Subi e fui ao meu quarto para ver os papeis se já haviam secado, eu teria tempo o suficiente já que enquanto eu vagava pelo quarto Christopher havia passado pela porta informando que eu já poderia descer para jantar e que iria ficar com as crianças para assistir um filme Fui ao banheiro do quarto, que era o local onde havia escondido os papeis mas tomei um baita susto ao ver que os papeis estavam sem nada escrito, apenas na cor roxa como se fosse papel carbono, então resolvi levar o papel de volta para o escritório Desci as escadas cantando "Segura na mão de Deus" e fui direto ao escritório de Christopher Dulce – É, talvez seja melhor deixar os papeis aqui e fingir demência como se nada tivesse acontecido, o que os olhos dele não vê, o coração não vai sentir Juntei-me á Antonella para jantar, já que Christopher disse que eu poderia me recolher após porque ele mesmo iria colocar os filhos para dormir pois no dia seguinte ficaria o dia todo fora por conta dos treinos e também porque iria se concentrar para o jogo do Palmeiras, que será depois de amanhã. Por incrível que pareça eu estava aliviada, não por Christopher passar o dia inteiro fora mas por ele ter me liberado um pouco antes do horário, eu confesso que hoje não foi um dia tão produtivo e o motivo, além do papel na biblioteca, foi a pessoa que eu vi naquele consultório. Jantei e subi para tomar meu banho, eu só queria fingir que era uma p******a e ficar relaxada naquela banheira, resolvi colocar tantos sais que tenho medo até de que ela transborde. Hoje pra melhorar meu dia, só uma banheira cheia daqueles sais. Tudo estava tranquilo e na mais perfeita paz, quando entrei naquela banheira não lembrei nem se quer dos problemas mas lembrei que eu teria que ligar pra Anahí e comunica-la do meu talvez desemprego. Por sorte meu celular estava dentro do bolso da minha calça que estava jogada ao lado da banheira, peguei ele facilmente e por sorte no terceiro toque ela atendeu Anahí – Dulce, até que enfim lembrou que tem amiga né? Dulce – Deixa de drama Anahí, porque você vai ter que me aguentar com o meu drama caso eu perca o emprego. Fiz todo o passo á passo mas o papel ficou parecendo o dinossauro Barney, aquele roxo Anahí – Você deixou secar? O segredo está na hora de secar Dulce – Eu sequei no secador – Falou coçando a nuca Anahí – Está explicado! Mas Dulce, na verdade eu liguei pra avisar que a fatura do cartão de crédito chegou, como você havia dito pra que eu abrisse quando chegasse pra ver o valor, então abri e já te mandei até um print Então acessei a imagem que Anahí havia me mandado pelo w******p e minha vontade foi de me afogar. Eu fiquei totalmente sem fala por alguns segundos, que virariam minutos se Anahí não tivesse gritado no telefone chamando por mim Dulce – Ai não grita! – Passei a mão pelos ouvidos – Eu acabei de ver a imagem, meu Deus, cartão de crédito pra quem estava desempregada é pior do que pedir dinheiro á agiota Anahí – Ah, mas quebra um grande galho, Dulce Dulce – É, mas depois chega a fatura, quebrando o galho na minha cara Anahí – Nem fala, estou querendo arrumar um emprego mas esse sol também está igual agiota, pegando dentro de casa Dulce – Engraçado que disposição pra fazer marquinha no sol, você tem né querida? Anahí – É diferente Dulcinha! Quero ganhar muito dinheiro e trabalhar pouco mas está difícil ultimamente Dulce – É o que todos querem amiga mas lembra do que seu Ponchito, vulgo seu amor disse dinheiro não trás felicidade Anahí – É, na quantidade que eu ganho não trás mesmo não mas então, vamos no parque na sua folga? Dulce – Vamos sim, é o novo da cidade né? Todos estão falando sobre, já tem até panfletos pelas ruas Anahí – Quem sabe até podemos dar uma esticadinha e ir em um rodízio de pizza ou até japonês dependendo do nosso humor Dulce – PIZZA! Necessito de pizza. Eu só saio de lá quando me confundirem com a grávida de Taubaté Anahí – É sim, eu estou super animada também amiga e só saio de lá quando o dono chorar por estar falindo comigo naquela mesa Eu pude ouvir ela dar pulinhos do outro lado da linha Dulce – Anahí? Anahí – Oi? Dulce – Ele voltou Anahí, não adiantou eu sair da casa dos meus pais, ele se foi mas ele está de volta Anahí – Dulce, não se preocupa, ele não mora mais aqui Dulce – Você não entendeu Anahí, eu estive frente a frente com ele hoje, ele está na cidade novamente Eu já sentia meus olhos lacrimejarem e antes que Anahi perguntasse algo e eu começasse a chorar de vez, me despedi dela e desliguei o celular. Limpei uma lágrima que escorria pelo meu rosto, respirei fundo e voltei a me concentrar no banho. Terminei meu banho com o corpo bem mais relaxado, resolvi deixar os problemas do passado no passado até porque tenho medo de atrair, o que sofri não quero ficar relembrando e nem reviver, deixa o passado no passado Estava na cama quando senti a porta se abrir aos poucos, fechei meus olhos e fingir estar dormindo mas aquele cheiro gostoso e amadeirado me colocou hipnotizada, e eu sabia de quem se tratava
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