Luana O sol já entrava tímido pela fresta da cortina quando eu abri os olhos. Meu corpo ainda carregava as lembranças da noite passada — intensas, reais, quase inacreditáveis. Virei de lado, e lá estava ele. Kaique. Dormia tranquilo, os traços relaxados, o peito subindo e descendo devagar. Ele parecia em paz. E, pela primeira vez em muito tempo, eu também me sentia assim. Em paz, mesmo com o coração cheio de dúvidas e medo. Fiquei um tempo só observando ele ali. Como alguém que chega devagar e, do nada, vira lar. Suspirei, tentando colocar ordem nos sentimentos, e me levantei com cuidado pra não acordá-lo. Peguei uma muda de roupa e fui pro banheiro. Deixei a água quente cair sobre meu corpo, como se pudesse lavar também a bagunça interna. Me olhei no espelho, enxugando o rosto. Uma

