KN Fiquei parado na entrada do morro, encostado na moto, só observando o carro dela descendo a rua devagar. Luana. Ela diminuiu a velocidade quando passou por mim. Nossos olhos se encontraram por alguns segundos, e eu juro que dava pra sentir aquele mesmo fogo de ontem queimando entre nós. Ela sorriu de canto, quase imperceptível, e seguiu em frente, sumindo na curva da rua, deixando só o barulho do motor ecoando no asfalto. Soltei o ar devagar, ajeitei o boné e subi na moto, voltando pra minha rotina. A vida aqui não para por causa de mulher nenhuma. Por mais que ela não fosse só mais uma. O resto do dia seguiu como qualquer outro: boca cheia, moleque entregando, outros voltando com maços de dinheiro sujo, eu na cadeira da sala grande conferindo as contas, chamando os vapores pra da

